Raider Kid and the Ruby Chest é um metroidvania brasileiro que prova como é possível fazer muito com pouco. Desenvolvido e publicado pela Cacareco Games, um estúdio paulista, o jogo chegou à Steam no final de março de 2026 e já vem acumulando avaliações extremamente positivas da comunidade. Com aproximadamente cinco horas você será capaz completar o fim do jogo e alcançar o final verdadeiro, mas essa brevidade é recompensada por um jogo divertido, competente e capaz de provar como um título indie, feito por uma equipe de apenas cinco pessoas, pode quebrar paradigmas de jogos complexos e longos desnecessariamente.

Na história, nós acompanhamos Alex, uma criança que está de férias com a família visitando um sítio arqueológico de pirâmides. Entediado com a visita guiada e as palestras sobre pedras, ele decide escapar do grupo e explorar os arredores por conta própria. Ao ouvir uma voz misteriosa o chamando para abrir o grande Baú Rubi, Alex acaba caindo nas entranhas subterrâneas das ruínas e precisa encontrar o caminho de volta para casa.

Raider Kid and the Ruby Chest

Para isso, ele precisa emprestar o equipamento de exploradores que não tiveram tanta sorte, incluindo um chapéu e um chicote, e enfrentar toda sorte de criaturas de pedra enquanto busca os fragmentos da chave do baú. A narrativa é simples, seguindo a cartilha das aventuras clássicas que inspiraram o jogo, mas o texto é engraçadinho e usa ironia leve para acentuar o caráter de brincadeira de criança curiosa e ousada, tanto nos diálogos com os pais e a guia turística quanto nos comentários de cada item encontrado.

A nostalgia dos portáteis

Uma das principais novidades que Raider Kid and the Ruby Chest traz para o cenário dos metroidvanias indie é a sua abordagem metalinguística em relação ao formato portátil. A tela do jogo reproduz em alta definição parte da carcaça de um console do Game Boy Color, com direito a arranhões na cobertura de plástico, marcas de impressão digital e até mesmo a possibilidade de escolher entre diferentes cores para o console, além de colecionáveis escondidos que adicionam conjuntos de adesivos.

Raider Kid and the Ruby Chest

Para o estilo retrô e portátil, Raider Kid and the Ruby Chest representa uma homenagem afetiva e autêntica aos clássicos do Game Boy Color como Zelda: Link’s Awakening e Metroid II, sem simplesmente copiar suas mecânicas. O visual dos cenários evita paredes vazias e sempre evoca temas arqueológicos mesoamericanos, com inimigos que brotam das paredes. A estética de pixel art é pesada e colorida, com uma personalidade retrô muito forte desde o começo. Os desenvolvedores parecem ter pensado nas limitações do hardware original, trazendo essa sensação de estarmos realmente jogando em um Game Boy Color.

Dentro do gênero plataforma, Raider Kid and the Ruby Chest se destaca por ser um minivania, aqueles metroidvanias curtos e com duração máxima de cinco horas, que conseguem manter um bom ritmo de progresso e descobertas sem deixar o jogador vagando à toa. Mesmo com pouco tempo de gameplay, a jornada é feita através de um level design muito competente, passando a sensação de ser uma campanha completa com conteúdo bem planejado e executado.

Raider Kid and the Ruby Chest

O jogo possui seis áreas distintas e oito chefes, uma quantidade impressionante para um título de apenas quatro horas de duração, além de um mapa feito em estilo clássico, com quadradinhos, mas que revela o layout completo de cada sala, o que é crucial para a exploração por permitir notar onde há transição entre locais e até passagens secretas.

Dois botões fazendo mágica no gameplay

As mecânicas e jogabilidade são simples e eficientes, refletindo as limitações de um console portátil com apenas direcionais, dois botões de ação e dois de menu. O botão de pular é exclusivo, enquanto o outro botão é versátil para ataques diferentes. O combate funciona bem, mas não é o ponto forte do jogo se comparado à exploração, já que os inimigos comuns são fáceis de serem derrotados e pouco variados. Os chefes, por outro lado, oferecem boa diversidade e uma dose razoável de desafio, aproveitando bem as capacidades de Alex e seus dois botões de ação.

Raider Kid and the Ruby Chest

Raider Kid and the Ruby Chest possui uma direção de arte com pixel art belíssima e cenários agradavelmente detalhados, que evitam mostrar paredes vazias. A trilha sonora esbanja seu estilo retrô, complementando perfeitamente a estética do Game Boy Color com uma música empolgante que envolve o jogador em cada puzzle e plataforma. A combinação de gráficos coloridos com o estilo musical música acaba criando uma experiência nostálgica ao mesmo tempo em que se mantém atual, apelando para a nostalgia sem ser uma mera reimplementação do passado.

O jogo da Cacareco Games é um adorável metroidvania que busca evocar o charme das aventuras ingênuas da era do Game Boy Color e consegue cumprir esse objetivo com maestria. Com excelente level design, compacto e eficiente, o jogo mantém um bom ritmo de progresso e descoberta de segredos auxiliado pelo mapa e mecânicas úteis. Raider Kid and the Ruby Chest prova que uma equipe pequena pode entregar uma experiência polida e agradável sem preenchimento desnecessário, respeitando o tempo do jogador enquanto entrega uma campanha completa com final verdadeiro para alcançar.

100 %


Prós:

🔺Metroidvania competente e divertido
🔺Nostalgia e homenagem ao Game Boy Color
🔺Controles simples e responsivos
🔺Desafio na medida certa
🔺Direção de arte muito bem trabalhada

Contras:

🔻Pouca variedade de inimigos
🔻Falta de conteúdo extra para prolongar a excelente experiência

Ficha Técnica:

Lançamento: 31/03/26
Desenvolvedora: Cacareco Games
Distribuidora: Cacareco Games
Testado no: PC

Review – A Tale of Silent Depths

Review – A Tale of Silent Depths

Paulo AlmeidaPaulo Almeida23/05/2026
Luna Abyss_bg
Review – Luna Abyss

Review – Luna Abyss

Rafael CorreiaRafael Correia20/05/2026
Review – Wardrum

Review – Wardrum

Rafael NeryRafael Nery18/05/2026