Digimon Story: Time Stranger chegou há quase um ano surpreendendo não apenas os fãs, mas até aqueles que já não tinham mais tanta proximidade com a série. Todos fomos pegos de surpresa com um RPG de Digimon que Digievoluiu muito bem. Ele bebe das águas de Persona para estilizar seu visual e sua narrativa e, convenhamos, isso fez um bem danado para a franquia, não é mesmo? Agora, o jogo finalmente chega aos consoles da Nintendo e ganha versões até para o console de 2017. Sim, no Nintendo Switch original, meu caro leitor.
O RPG produzido pela Media Vision trouxe muitas novidades. Em Time Stranger há um novo jeito de batalhar, mesmo sendo um RPG por turnos, um complexo sistema de Digievolução, criação de elos e personalidades das criaturas e, claro, inúmeros monstrinhos para colecionar, dá até para usar como montaria. Agora, tudo isso chega ao Switch completinho e com todas as atualizações disponibilizadas nas outras versões. De cara, é uma adição muito bem-vinda. O Switch é perfeito para esse tipo de jogo e já adianto que tudo aqui surpreende, para o bem e para o mal.
Os Digimon finalmente retornam aos Switches
É sempre bom contextualizar: a série Digimon Story nasceu em 2006, no Nintendo DS, com um RPG focado em coleta, treinamento e evolução de Digimon, trazendo uma abordagem diferente dos tradicionais jogos da franquia. O grande salto veio em 2015 com Digimon Story: Cyber Sleuth, que modernizou a fórmula ao misturar investigações no mundo real com aventuras no ciberespaço, conquistando uma nova geração de fãs. Sua sequência, Cyber Sleuth: Hacker’s Memory, expandiu esse universo com uma nova perspectiva da mesma história e consolidou a série como a principal linha de RPGs de Digimon.
Depois de quase uma década, Digimon Story: Time Stranger marcou o retorno da franquia com uma aventura inédita. Mantendo o foco na coleta, evolução e batalhas por turnos, o novo capítulo traz viagens no tempo, mundos paralelos e uma narrativa mais ambiciosa, além de oferecer uma enorme variedade de Digimon e diversas melhorias na exploração e na qualidade de vida. É um recomeço que busca preservar a essência da série enquanto inaugura uma nova fase para a franquia.

Mesmo com alguns tropeços, não há dúvidas de que o público gostou da nova aventura, inclusive nós, do Gamerview. E agora chegou a vez dos nintendistas, órfãos dos monstrinhos digitais, descobrirem o que esperar destas versões. No Switch 2, Digimon Story Time Stranger aproveita o hardware mais potente para entregar resolução de até 4K, carregamentos mais rápidos, HDR e 60 FPS mais estáveis, deixando a aventura extremamente agradável.
Já no Switch original, as resoluções são menores e o foco passa a ser os 30 FPS. Mas, tendo em vista que PS4 e Xbox One ficaram de fora da brincadeira, é realmente surpreendente que o Switch tenha recebido sua própria versão e que funcione tão bem.
Felizmente, todas essas melhorias são técnicas: o conteúdo é idêntico em ambas as versões, garantindo que nenhum jogador fique de fora da experiência. Testei o jogo no Switch 2 e, na prática, me deparei com visuais lindíssimos, daqueles que parecem um anime jogável. E, como fã de Digimon, estou encantado em revê-los com designs totalmente renovados. Vale dizer que o jogo oferece opções para priorizar qualidade gráfica ou desempenho, recurso que também chegou ao PS5 e Xbox Series juntamente com este lançamento.

Mesmo que os visuais sejam muito satisfatórios, dá para notar que, no Switch 2, Digimon Story: Time Stranger faz alguns cortes gráficos em relação às versões de PS5 e Xbox Series X para caber no hardware. Há pequenas reduções na qualidade das sombras, da vegetação e da distância de renderização, mas o resultado continua excelente, especialmente no modo portátil, em que mal dá para perceber essas diferenças. Honestamente, é um jogo tão bonito e competente quanto nas outras plataformas. Não existe aquela sensação de estar diante de uma versão capada.
Digimon Story: Time Stranger em sua melhor versão
Como o jogo já estava há cerca de um ano nas demais plataformas, a versão de Switch (e Switch 2) chega muito mais madura, incorporando correções importantes lançadas ao longo desse período. Isso inclui desde pequenos bugs de colisão até problemas técnicos de progressão, como acontecia em uma batalha contra o BlueGreymon. Além disso, esse amadurecimento trouxe balanceamentos, melhorias de qualidade de vida e até recursos inéditos, como o Modo Foto e as já mencionadas opções gráficas. É, sem dúvidas, a versão mais completa que o jogo recebeu desde o lançamento.

Esse é justamente um dos benefícios de um lançamento tardio: ele chega com um nível de polimento que os jogadores de PS5, PC e Xbox só conquistaram após meses de atualizações. Ainda assim, na atualização gratuita disponibilizada para todos os digiescolhidos, independentemente da plataforma, o jogo também recebeu o Terriermon Assistant como personagem jogável e uma nova tela para consultar os requisitos de Digievolução.
Apesar de todas as principais correções e adaptações para o Switch 2, o desempenho ainda apresenta pequenas quedas em alguns momentos da jogatina, tanto no modo Qualidade quanto no modo Desempenho. Mas nada que realmente prejudique a experiência.
De maneira geral, Digimon Story: Time Stranger no Switch 2 é excelente, quase um RPG obrigatório na plataforma. É nitidamente uma evolução gigantesca para a série e, sem exageros, o jogo definitivo de Digimon. Ainda existem características que fazem falta, como um modo multiplayer mais robusto, mas o caminho que a Media Vision está seguindo funciona muito bem e coloca a franquia em um rumo maravilhoso de acompanhar (e jogar, é claro).

A experiência de colecionar os monstrinhos, criar elos e personalidades, acompanhar suas Digievoluções e transitar entre mundos reais e digitais é realmente uma viagem nostálgica para as manhãs da TV Globinho. Porém, durante a minha jogatina, tive aquela mesma surpresa desagradável de quando a Fátima Bernardes roubou nossa alegria das manhãs na TV. Só que, desta vez, graças ao modelo adotado pela Bandai Namco para distribuir o jogo nas plataformas da Nintendo.
As versões distintas de Digimon
Na expectativa de saber como o jogo estava funcionando no Switch 1, tentei baixá-lo no meu Switch OLED. Porém, notei que ele precisava ser comprado novamente. Foi então que descobri que a versão de Nintendo Switch 2 é tratada como um produto completamente separado da versão de Switch 1.
O curioso é que quem compra a versão de Switch 1 recebe gratuitamente o upgrade para o Switch 2, preservando inclusive o progresso da aventura. Já quem compra diretamente a versão de Switch 2 não recebe acesso à versão do Switch original. Ou seja: você pode Digievoluir, mas não pode “de-Digievoluir” sua versão do jogo. Convenhamos… isso não faz o menor sentido. Fala sério.

Outra surpresa que pode desagradar é o preço da aventura. A versão Ultimate de Digimon Story: Time Stranger, com praticamente todos os DLCs, tem um preço bastante elevado e, ainda assim, não dá acesso à edição de Switch 1, risos. Honestamente, achei essa estratégia difícil de defender.
Estamos falando de uma edição que ultrapassa os R$ 600,00. Em uma época em que upgrades entre gerações se tornaram cada vez mais comuns, a decisão da Bandai Namco é bastante decepcionante. Curiosamente, a versão de Switch 1 acaba oferecendo mais benefícios que a edição nativa de Switch 2.
A bagunça continua nos salvamentos. Os dados do Switch 1 podem ser transferidos para o Switch 2, mas o contrário não acontece. Ou seja, caso você compre posteriormente a versão de Switch 1, os saves criados no Switch 2 simplesmente não são compatíveis. Dá até um nó na cabeça ler tudo isso e eu também fiquei sem entender, afinal estamos falando exatamente do mesmo jogo para ambos os consoles. Que seja um bug… amém!

De verdade, uma coisa é cobrar por uma versão aprimorada com upgrade gráfico ou DLCs extras, ainda que como algo opcional. Outra completamente diferente é vender duas versões separadas de um mesmo jogo, mesmo para quem já comprou uma delas. Parece até que Pokémon FireRed & LeafGreen Version, com suas versões distintas, estão fazendo escola.
Uma Ultimate Edition incompleta
E se você pensa que investindo na Ultimate Edition terá absolutamente tudo o que o jogo oferece, está enganado. Ainda existe o pacote de músicas do anime e outro de dungeons extras vendidos separadamente. Considerando que o pacote reúne clássicos como Butter-Fly e brave heart, é um conteúdo que muitos fãs (eu incluso) certamente sentirão falta e que faria muito mais sentido acompanhar justamente a edição mais cara.
A verdade é que a Bandai exagerou na fragmentação do conteúdo. Temos: jogo base, Deluxe Edition, Ultimate Edition, Passe de Temporada, pacote de músicas do anime (vendido separadamente), pacote de músicas de Cyber Sleuth, pacotes de roupas, dungeons extras e até episódios adicionais. No fim, fica aquela sensação de que sempre existe mais alguma coisa para comprar.

Para quem acompanha Digimon há anos, principalmente por causa do anime, é frustrante perceber todas essas decisões, ainda mais diante de um jogo que acertou em cheio na gameplay, na narrativa e até no desempenho. O jogo em si é excelente, mas é realmente uma pena que haja tanta fragmentação. Alguém remova essa engrenagem preta envolta do game, por favor.
No fim das contas, Digimon Story: Time Stranger é, sem dúvidas, um grande RPG e tem tudo para se destacar nos Switches. As novas versões chegam abarrotadas de conteúdo e com praticamente um ano de correções, oferecendo uma experiência muito mais estável do que aquela encontrada pelos jogadores no lançamento original. Nesse sentido, o jogo acerta em cheio. Por outro lado, as decisões da Bandai Namco podem provocar um tipo diferente de frustração: não durante a jogatina, mas na experiência de compra.
Prós:
🔺É um excelente RPG por turnos com enorme variedade de Digimon
🔺Chega aos Switches com um ano de correções, melhorias e novos recursos
🔺Tem ótimo desempenho, especialmente no Switch 2
🔺O conteúdo é completo e idêntico entre as versões
Contras:
🔻A política comercial é confusa entre Switch e Switch 2
🔻A ultimate edition não reúne todo o conteúdo disponível
🔻Tem fragmentação excessiva de DLCs e pacotes adicionais
🔻Ainda ocorrem pequenas quedas de desempenho no Switch 2
Ficha Técnica:
Lançamento: 10/07/2026
Desenvolvedora: Media Vision
Distribuidora: Bandai Namco Entertainment
Plataformas: PS5, Xbox Series, PC, Switch e Switch 2
Testado no: Switch 2


