Depois de oito longos anos desde Cyber Sleuth, a franquia Digimon Story retorna às plataformas modernas com Digimon Story Time Stranger, um projeto ambicioso desenvolvido pela Media Vision e publicado pela Bandai Namco que promete redefinir a experiência dos RPGs de monstros digitais. Esse novo capítulo se propõe a explorar vínculos profundos entre humanos e Digimon enquanto desvenda o mistério do colapso do mundo, prometendo um novo nível de experiência e ouvindo todas as expectativas da comunidade durante anos de espera.

A narrativa de Digimon Story Time Stranger, que conta até com um curta animado como prelúdio, parte de uma premissa intrigante, em que você assume o papel de um agente secreto da organização ADAMAS que, após testemunhar uma explosão catastrófica em Shinjuku, é enviado oito anos ao passado com a missão de prevenir o apocalipse conhecido como Inferno de Shinjuku. A estrutura temporal que alterna entre passado e presente constrói um enredo interessante, mas a construção narrativa é simples e acaba se apoiando frequentemente em diálogos e cenas redundantes.

A verdadeira protagonista que você não controla

Logo de cara encontramos o que pode ser um problema para muitos, talvez recorrente em títulos de RPGs modernos, pois mesmo com uma história interessante e bons momentos narrativos, o ritmo do jogo é excessivamente lento. A história leva tempo considerável para engatar de verdade, com as primeiras dez horas sendo muito arrastadas e, ao chegarmos em Iliad, o Mundo Digital, encontramos sessões pontuadas por masmorras bastante genéricas e objetivos secundários não muito interessantes, que preenchem os espaços entre os momentos realmente importantes do jogo.

Digimon Story Time Stranger

Os personagens principais demonstram uma química interessante, mesmo tratando-se de um personagem principal silencioso para controlarmos, com boas doses de profundidade emocional capaz de transformar essas relações em algo memorável. Afinal, os desenvolvedores prometeram explorar vínculos profundos entre humanos e Digimon, alcançando esse feito, por exemplo, na relação de Inori com Aegiomon que transcende a dinâmica típica de treinador e parceiro, revelando camadas psicológicas diferente do convencional.​

Com Kosuke Misono, pai de Inori, Hiroko Sagisaka, a streamer que conecta mundos, e outros personagens que conhecemos ao longo do jogo, assim como os encontrados em Iliad, todos conseguem proporcionar momentos genuínos de conexão emocional, particularmente quando envolvem Inori e o trauma de sua família, mas são pontos isolados em uma narrativa que frequentemente prioriza progressão sobre desenvolvimento de personagem.​​

Digimon Story Time Stranger

Quando olhamos para os antagonistas de Digimon Story Time Stranger, Junomon e os doze membros do Olympos XII (Jupitermon, Neptunemon, Minervamon, Marsmon, Venusmon, Ceresmon, Mercurymon, Apollomon, Dianamon, Vulcanusmon, Bacchusmon e Titanmon) possuem bastante relevância para a narrativa central. Eles não são apenas unidades de combate poderosas, mas estão intrinsecamente conectados à história, o Mundo Digital, a verdade por trás da anomalia temporal e a chave para prevenir o colapso do mundo.

Viagem no tempo que tropeça no passado

No campo do gameplay, Time Stranger se mantém firme em território familiar para quem conhece a série Digimon Story, fortalecendo sua característica como RPG de turnos com elementos de captura e criação de monstros, em que o loop central se mantém em torno de coletar e treinar Digimon para batalhas estratégicas. Durante os combates, você pode ter até três Digimon ativos em sua equipe, além de mais três em reserva que podem ser trocados e um Digimon convidado que age de forma independente.​​

Digimon Story Time Stranger

Digimon Story Time Stranger mantém o clássico triângulo de atributos, com Vírus vence Dados, Dados vencem Vacina, e Vacina vence Vírus. Sobre essa camada básica, o jogo adiciona onze tipos elementais diferentes, criando múltiplas camadas de vantagens e desvantagens, desenvolvendo uma curva de aprendizado com a descoberta gradual dessas fraquezas e com o apoio de um scanner que revela informações básicas sobre Digimon desconhecidos, com dados adicionais sendo desbloqueados conforme você os enfrenta.​

Seguindo os recentes lançamentos da Bandai Namco, a função Digi Attack permite que seus Digimon ataquem inimigos no campo antes da batalha começar, além de contar com um sistema que permite escolher automaticamente o melhor ataque baseado em dados, atributos e fraquezas elementais, mesmo contra inimigos que você nunca enfrentou antes. Essa funcionalidade também serve para quebrar obstáculos no ambiente e interagir com elementos do cenário, adicionando uma camada extra de exploração.​

Digimon Story Time Stranger

Mesmo com opção de aumentar a velocidade das batalhas, para quem busca mais agilidade ao longo da história, o combate contra chefes se destaca por exigir estratégias diferentes e recompensa o conhecimento acumulado sobre as mecânicas do jogo. No entanto, alguns desses confrontos podem se estender além do necessário, testando mais sua paciência do que suas habilidades táticas.​

A progressão do personagem humano também merece menção, explorada através de uma árvore de habilidades desbloqueável com pontos de Anomalia obtidos em missões principais e secundárias, que permitem aprimoramentos com diferentes buffs em status e habilidades especiais. Seu nível, elevado através da conclusão de missões, é requisito para acessar evoluções de nível Ultimate e Mega para os Digimon, proporcionando engajamento com conteúdo opcional e sobrepondo a possível sensação de repetição.

Digimon Story Time Stranger

Falando em evolução, Digimon Story Time Stranger introduz sistemas novos com as Personalidades e os Elos. Cada Digimon possui um dos 16 tipos de personalidade que influenciam crescimento de estatísticas, aquisição de habilidades e até condições de evolução. As personalidades se dividem em quatro quadrantes principais: Valor, Filantropia, Amizade e Sabedoria cada um priorizando diferentes atributos.​​

O sistema conhecido como Elo de Amizade funciona essencialmente como uma mecânica que fornece aumento nos status conforme você desenvolve conexão entre seus Digimon. Esse elo pode ser aumentado através de batalhas, interações e conversas com seus monstros no campo. Quando você Digivolve uma criaturinha com alto elo, parte de suas estatísticas são transferidas para a outra forma, permitindo que você repita o ciclo de evolução para criar Digimon absurdamente poderosos.​

Digimon Story Time Stranger

Comparado com Cyber Sleuth e Hacker’s Memory, Time Stranger representa um salto evolutivo, ultrapassando o número de 450 Digimon jogáveis, o maior da história da série. Todos os modelos 3D foram recriados do zero para aproveitar o hardware moderno, já que a base de Cyber Sleuth era originalmente desenvolvida para PS Vita, em que cada Digimon possui animações únicas.​

O mundo de Digimon Story Time Stranger também é significativamente mais interativo que seus antecessores, com Iliad apresentando ambientes detalhadamente construídos, elementos interativos e missões especiais para explorar. Essa característica contrasta positivamente com os corredores genéricos e ambientes estéreis de Cyber Sleuth, embora ainda existam muitas masmorras que são essencialmente corredores disfarçados.​​

Um jogo de criaturinhas para adultos

Para um lançamento muito próximo de um novo título da franquia Pokémon, Digimon Story Time Stranger é competente graficamente e carrega todo poder do visual futurista da série. Os Digimon brilham com design criativo e, mesmo que o mundo pareça ser genérico, a direção de arte é coesa e os efeitos visuais durante batalhas são impressionantes.

Digimon Story Time Stranger

A trilha sonora, que marca o retorno de Masafumi Takada, é competente e cria uma atmosfera digna dos episódios do animê. Alguns temas se destacam, entre o ambiental e a emoção das batalhas, e conseguem emocionar ao estabelecer o tom épico que o jogo almeja. No entanto, boa parte das músicas de combate e exploração são simples, especialmente quando comparadas aos temas dos jogos anteriores.​

​Digimon Story Time Stranger é simultaneamente o melhor jogo da franquia ao mesmo tempo em que consegue dividir muito as opiniões, principalmente quando a expectativa estava muito alta pelo tempo de desenvolvimento pelo qual o jogo passou. Finalmente pudemos ver um jogo com grande número de Digimon, sistemas de batalha mais profundos e estratégicos, e constrói uma história épica sobre viagem no tempo e sacrifício.

Digimon Story Time Stranger

Para fãs de Digimon que esperaram pacientemente por oito anos, Digimon Story Time Stranger provavelmente será satisfatório apesar de suas falhas por conta do prazer em colecionar e treinar centenas de Digimon, experimentar com personalidades e habilidades, e batalhar contra chefes desafiadores. No entanto, para jogadores JRPG casuais ou aqueles sem conexão nostálgica com a franquia, os tropeços na execução de elementos ambiciosos podem criar barreiras intransponíveis.​

87 %


Prós:

🔺História mais séria e envolvente com temas complexos
🔺Sistema de combate dinâmico e estratégico
🔺Grande variedade de Digimon
🔺Nível de customização com Personalidade e Elos
🔺Opções de batalha automática e ajuste de velocidade

Contras:

🔻Narrativa que demora para engrenar
🔻Design de dungeons repetitivo e genérico
🔻Mecânicas podem ser complexas para masterizar
🔻Jogo pode exigir muita dedicação e horas de grinding

Ficha Técnica:

Lançamento: 02/10/25
Desenvolvedora: Media Vision
Distribuidora: Bandai Namco
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series
Testado no: PS5

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