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League of Legends ocupa um lugar delicado na indústria dos jogos eletrônicos. Por um lado, é um pilar de seu gênero e uma máquina de fazer dinheiro. Por outro lado, tem uma fama de comunidade tóxica difícil de desfazer. A produtora Riot Games está realizando um esforço hercúleo para ampliar seu alcance e desmontar a negatividade. Nesse contexto, The Mageseeker é uma iniciativa mais do que bem vinda.

O RPG de ação não é o pioneiro em ampliar o espectro que cerca o universo de LoL. Antes dele, tivemos o cardgame Legends of Runeterra, o RPG por turnos Ruined King, o rítmico Hextech Mayhem. Em breve, teremos ainda o jogo de plataforma Convergence e o adventure Song of Nunu. Cada um deles se encaixa em um gênero diferente, cada um deles desenvolvido por um estúdio independente diferente. A diversidade saúda o ambicioso projeto da Riot Games.

Era uma vez um caçador de magos…

Vamos ser francos: o MOBA que deu origem a tudo isso tem hoje 163 campeões que o jogador pode escolher. Todos eles tem uma história pregressa, um conceito, uma rede de relacionamentos com outros personagens. Em outras palavras, há espaço para se contar pelo menos 163 aventuras em League of Legends, seja em outros jogos seja em outras mídias, como o excelente e bem-sucedido Arcane.

Um conceito tão vasto poderia ser assustador para novatos, entretanto a Riot Games tem tomado o cuidado de explicar os meandros de sua realidade de forma excepcionalmente didática, para não alienar ninguém. The Mageseeker é outro exemplo dessa abordagem. Aqui, nos focamos em Sylas, o Abjugado, figurinha manjada do MOBA, mas que é muito bem explicado logo na abertura do jogo. Em questão de minutos, já tomamos suas dores e estamos prontos para assumir seu controle.

Sylas foi um Caçador de Magos do reino de Demacia, uma nação que abomina a magia. Todos os indivíduos que manifestam algum tipo de afinidade com as forças místicas é identificado, caçado e enjaulado pelo governo, ou tem um destino ainda pior. Quando criança, Sylas tinha o dom de reconhecer esses praticantes. Essa é uma das várias pistas da hipocrisia do sistema, que se utiliza de pessoas com capacidades especiais para perseguir outras pessoas com capacidades especiais. Sylas se revolta, é aprisionado por 15 anos e o jogo se inicia quando ele se liberta de forma explosiva, virado na vingança.

Os paralelos com os dramas do mutantes na franquia X-Men são evidentes, porém Sylas está muito mais próximo de Magneto, do que de Charles Xavier. O que ele deseja é destruir a ordem dos Caçadores de Magos, deixar Demacia de joelhos, fazer com que todos sofram como ele sofreu. Ao longo da aventura, eventos poderão amansar sua ira, e torná-lo um líder mais empático com o bem-estar dos outros perseguidos.

É uma narrativa fácil de acompanhar, que não irá impor nenhuma barreira para aqueles que estão fora de League of Legends ou aqueles que vieram apenas pelo estilo visual da Digital Sun. Entretanto, para os fãs de carteirinha desse universo, diversos personagens importantes estão presentes, com suas origens e personalidades intactas, como Morgana, Luxanna Stemmaguarda, Garen e mais. A esses rostos conhecidos será acrescentada uma boa gama de personagens inéditos que esbanjam simpatia.

Como líder de uma rebelião, o jogador terá um esconderijo ao qual se juntarão poderosos aliados. A cada missão, mais e mais pessoas se juntam a sua causa, adicionando vantagens para Sylas, aprimorando equipamentos e feitiços, dando conselhos ou simplesmente jogando conversa fora que serve para aprofundar a imersão. Da mesma forma, existem cartas e bilhetes espalhados por todos os mapas que oferecem um colorido sobre os mitos, as fofocas ou elementos do dia a dia desse mundo fantástico.

The Mageseeker é lindo por fora e complexo por dentro

Quem está dando seus primeiros passos em LoL por causa do trabalho anterior da Digital Sun não vai se decepcionar. The Mageseeker consegue ser mais exuberante do que Moonlighter, com uma pixel art ainda mais aprimorada. Como eles conseguem adicionar detalhes a pixels? Essa bruxaria se mostra possível em todas as telas, presente na arquitetura dos prédios, nas florestas exuberantes e mesmo no mar. É uma pena que as paisagens acabem se tornando um pouco repetitivas com o tempo, mas isso também pode ser explicado pela vontade de nossas retinas de contemplarem o mesmo talento em mais e mais ambientes.

Essa belezura retrô toda pode dar a impressão de que The Mageseeker é um título simples hack and slash, em que Sylas vai passar as correntes em todo mundo como um Kratos lolzeiro. É um engano. O RPG tem elementos complexos e mecânicas fora da curva.

A principal surpresa (pelo menos para mim, que não conhecia o personagem) é a habilidade de Sylas de roubar magia dos outros. Ao contrário dos demais magos, ele não consegue reproduzir feitiços por si só. Sylas então usa suas correntes como um conduíte para “pegar emprestado” encantamentos de seus oponentes. Esse poder fica guardado e pode ser liberado logo em seguida, o que abre todo um leque tático na hora da onça beber água. É possível, por exemplo, roubar a magia de bola de fogo de um Caçador especialista em fogo e arremessar com resultados devastadores em um Caçador especialista em gelo, uma vez que existe um esquema de efetividade, como se fosse Pokémon.

Sylas também pode usar magias acumuladas em pedras especiais. Para isso, ele tem que conversar com um dos personagens no acampamento, que irá pegar um feitiço que Sylas já roubou e gravar de forma permanente em um fragmento do minério pedricita. Cabe ao jogador antecipar que tipo de inimigo irá enfrentar em cada missão e selecionar os feitiços fixos mais relevantes.

Da mesma forma, existem combos de combate que são desbloqueados de acordo com os aliados que são selecionados para cada missão. Esses aliados não aparecem na tela, a agência do combate ainda é de Sylas, mas a escolha do aliado também é relevante para o estilo de luta que será executado naquele momento.

Tudo isso precisa ser memorizado pelo jogador que terá que se aproveitar de todos esses fatores em batalhas em espaço fechado, muitas vezes contra múltiplos inimigos com pontos fracos e pontos fortes diferentes. O combate pode ficar caótico bem rápido. Felizmente, The Mageseeker tem múltiplos ajustes de dificuldade que podem customizar a experiência para todos os tipos de jogadores, do veterano com dedos hipersônicos até quem está ali em busca de curtir a história e nada mais.

Microtransação em uma hora dessas?

O fato de receber o jogo gratuitamente não interfere na minha capacidade de avaliar que o preço do título está bem salgado para os padrões brasileiros e a percepção do público para um jogo independente. Tirando a grife “League of Legends”, esse é um RPG com todas as características de uma produção de custo mais baixo.

De qualquer forma, mesmo que seu poder aquisitivo seja capaz de ignorar esse detalhe, seria impossível não mencionar o que acontece com as DLCs. A versão de The Mageseeker: A League of Legends Story recebida para análise tem todas as DLCs desbloqueadas por padrão. Para quem deseja a experiência completa, entretanto, o preço sobe ainda mais.

Eu podia reclamar das expansões puramente cosméticas que cobram para adicionar meia dúzia de pixels na sua base, mas cada um faz o que quer com o próprio dinheiro. O problema real está na expansão mais cara, aquela que apresenta feitiços exclusivos ao rol de poderes que podem ser usados por Sylas. A trinta e um reais no Steam, você estaria pagando dez reais por magia que, no meu entendimento, deveriam fazer parte do jogo e são extremamente úteis no combate.

Essas questões financeiras tiram um pouco do brilho do título. Se sua carteira está recheada, The Mageseeker é um RPG convidativo ambientado no mundo de League of Legends, que vale a conferida, quer você conheça ou não esse universo. Para todos os outros, é um título que merece ser adicionado à Lista de Desejos e adquirido na primeira boa promoção que aparecer no futuro.

90 %


Prós:

🔺 Visual exuberante
🔺 Personagens simpáticos
🔺 História fácil de acompanhar
🔺 Mecânicas inovadoras

Contras:

🔻 Preço salgadão
🔻 Tem conteúdo bloqueado atrás de DLC
🔻 Combate pode ficar caótico
🔻 Paisagens repetitivas

Ficha Técnica:

Lançamento: 18/04/23
Desenvolvedora: Digital Sun
Distribuidora: Riot Forge
Plataformas: PC, PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series
Testado no: PC

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