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My Big Sister Remastered é a versão definitiva da curta experiência de “horror” que é My Big Sister. Criado pela Stranga Games, essa nova versão da jornada das irmãs Luzia e Sombria tenta melhorar o jogo original (de 2018), mas certas coisas simplesmente não funcionam.

Com uma trama extremamente bagunçada, My Big Sister Remastered até consegue prender a atenção do jogador, até decepcioná-lo com o seu desfecho (seja lá qual for). Uma experiência que, originalmente, não sabia bem o que queria ser.

Mais que irmãs, sisters…

A história de My Big Sister se concentra, obviamente, na relação entre as irmãs que moram juntas. O jogo abre com um estranho sonho de Luzia, em que ela está em um estranho local semelhante à uma cidade oriental. Lá ela encontra Sombria, mas com aparência fantasmagórica.

My Big Sister Remastered
Literalmente a única cena onde você corre algum risco de morrer

Após acordar deste sonho, Luzia revela ter problemas para dormir e vai atrás de um copo de leite para ajudá-la a descansar. Ela acaba se encontrando e discutindo com Sombria, que está do lado de fora da casa, fumando. Luzia retorna pra casa quando ouve o som de um carro chegando, que acredita ser o de sua mãe.

Ao deitar, as luzes se apagam. Luzia chama por sua irmã e sua mãe, mas ninguém a responde. Ao investigar o que aconteceu, se depara com sangue no chão. Ela e Sombria acabam sendo sequestradas por uma bruxa e levadas até uma casa de banho. A bruxa então faz uma oferta que, independente da resposta, não muda o destino de Sombria: ela morre e se torna um espírito vagante.

Ao fugirem da casa de banho, descobrem estar agora em um mundo espiritual, criado e governado por esta entidade conhecida como a Bruxa do Laço Vermelho. Nesta realidade, outros espíritos vagam sem rumo e perdidos no tempo. Ou seria também um sonho?

My Big Sister Remastered
Okay, hora de sair do buraco estranho na parede

Misturando tudo no balaio

A narrativa de My Big Sister Remastered abre pontos interessantes a serem explorados, como pós-vida, experiências de quase morte, religiões, crenças e esperanças do que ocorrerá quando cruzarmos os portões entre esta e a próxima vida que pode ou não nos aguardar.

Com um gameplay semelhante ao de Undertale, mas sem os combates, o jogo de horror se concentra em quebra-cabeças. Solucionando os enigmas de cada área, Luzia e Sombria avançam em seu retorno para casa e no entendimento de seus papéis, emoções e realidades. Como a falta de empatia de Luzia e a depressão profunda que assola Sombria.

Luzia é a parte mais intragável de toda a experiência, sendo uma personagem pedante e sem tato emotivo para conversações. Proposital? Talvez. Mas irrita tanto quanto um Deadpool sem graça em um ambiente que não proporciona os humores que busca arrancar com suas “tiradas”.

My Big Sister Remastered
A tela de game over quebra totalmente a imersão

A realidade é que My Big Sister Remastered não sabe que história, ou histórias, quer contar. É uma mistureba descontrolada de emoções vazias, violência inflamada e piadas fora de hora. Tudo é feito de maneira superficial e nada tem peso ou consegue marcar realmente o jogador.

Conflito de influências

O fato de ser um indie permite uma certa leniência com pontos fracos. No entanto, My Big Sister é simplório e infantil demais, até mesmo como jogo de horror. Nem os finais alternativos são o suficiente para salvar a sua confusa narrativa. O final verdadeiro consegue ser ainda pior, com excesso de gore para tentar chocar o jogador.

Perdido em seus próprios objetivos, o game tenta um pouco de tudo: horror psicológico, puzzles que forçam o jogador a pensar fora da caixa, o humor irreverente de Undertale em vários cenários… E justamente por misturar essas coisas que a tensão deixa de existir. Tais características, em um mesmo game, conflitam o tempo todo.

My Big Sister Remastered
Existe final secreto mais clichê do que esse?

O grande mérito da versão remasterizada fica para o pixel art, totalmente refeito e muito bonito. Os cenários agora estão mais vivos e bem iluminados, dando mais vida ao universo do jogo. Infelizmente, isso não é o suficiente para resolver seus problemas estruturais. Talvez se tivessem usado o novo visual para recriar cenas com mais impacto, mais aterrorizantes.

Notei também uma incômoda semelhança da criatura Mulher na Parede com Bendy, do jogo Bendy and the Ink Machine, expondo uma certa falta de inspiração. A trilha sonora pouco auxilia também, tendo as mesmas oscilações em temas e sentimentos.

My Big Sister Remasteredé uma experiência que não sabe o que quer vender ao jogador. Não é horror, não é uma história sobre amizade vencendo barreiras, mas sim uma jornada que tenta abraçar inúmeros temas e falha em basicamente tudo.

Imagem do texto de RKGK

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