Depois de encarar um planeta onde o eclipse solar nos persegue o tempo todo, é hora de ir a um lugar obscuro em uma espécie de cópia da Lua, que age como uma instalação híbrida com partes mecânicas e outras orgânicas, cheia de enigmas. Luna Abyss reserva inúmeros segredos em suas profundas camadas de cenários grotescos, palavras soltas e muito bullet hell frenético.
Luna Abyss é um shooter de ação com muitos desafios de plataforma em primeira pessoa, enquanto exploramos um abismo que parece não ter fim. A sensação constante de estar descendo, de que cada passo te leva mais fundo em um lugar que sequer deveria existir, transforma o jogo em algo além de um simples shooter. Causa incômodo ao mesmo tempo em que nos instiga a persistir, só para ver até onde vai essa loucura. Esteja preparado para conhecer personagens impensáveis, enquanto tenta entender o que está acontecendo aqui.

Cumprindo a sua sentença
Aqui assumimos o papel de um prisioneiro vindo da Terra, enviado para explorar as profundezas de Luna, o misterioso clone da Lua marcado por ruínas, estruturas vivas e uma presença quase divina escondida em seu interior. Guiado pela enigmática Aylin, nosso personagem passa a ser transformado em um “Fawkes”, uma espécie de sentinela condenado a descer cada vez mais fundo em busca de respostas sobre o Flagelo e sobre a própria natureza daquele mundo.
Conforme a jornada avança, porém, a narrativa se torna cada vez mais abstrata e perturbadora, sugerindo que a entidade que vive naquele lugar consome identidades, memórias e consciências. Em determinado momento, por exemplo, Fawkes deixa de existir apenas como um ser físico e passa a assumir uma forma quase fantasmagórica, como se tivesse resistido de alguma forma à força sombria daquele lugar, tornando-se mais um fragmento preso dentro daquela entidade.

Se o contexto acima te deixou perdido, saiba que é exatamente essa a proposta. O jogo conta com um cenário sci-fi e constrói seu mundo como algo deliberadamente confuso e quase impossível de interpretar por completo. A própria estrutura nunca parece ser somente uma lua comum ou uma simples colônia futurista. O jogo constantemente sugere que aquele lugar é uma espécie de organismo colossal, uma entidade disfarçada de corpo celeste. Isso transforma toda a ambientação em algo híbrido entre mundo artificial, prisão e criatura viva.
Essa ambiguidade é o que faz os ambientes parecerem tão desconfortáveis. Corredores industriais se misturam com estruturas orgânicas, templos se fundem à carne e metal. Você ainda conhece cidades em ruínas, florestas e praias, sem contar a insistente sensação de estar sendo observado por algo além da nossa guia de missão, Aylin. Em muitos momentos, fica a sensação de que não estamos explorando um lugar, mas sendo lentamente engolidos por ele.

Para completar o clima grotesco de Luna Abyss, o lugar também está cheio de criaturas e outros sentinelas cumprindo suas penas. O ponto é que o design dos personagens é absurdamente estranho: há cachorros com cabeça de machado, aranhas com mãos humanas, insetos com pernas humanas, criaturas com três olhos e outras que nem sei descrever exatamente o que são. Tudo isso resulta em um clima constantemente perturbador.
Não espere explicações diretas. O jogo até sugere que você não está ali por escolha, existindo uma força maior controlando essa exploração, mas o ambiente parece guardar mais perguntas do que respostas. A mistura de simbologias e a falta de harmonia entre os designs das criaturas tornam a compreensão ainda mais confusa, não dá pra saber ao certo quem é amigo ou inimigo, já que tudo parece ameaçador.

Para lidar com toda essa loucura, Fawkes está cheio de ótimas habilidades que garantem momentos de muita ação durante a jornada, e esse é um aspecto que ajuda a tornar a experiência de Luna Abyss divertida e empolgante mesmo com toda a perturbação que o mundo nos causa. Só é uma pena que tais poderes demorem um pouco para serem conquistados.
Se preparando para os combates de Luna Abyss
Ao longo da jogatina você vai adquirir quatro armas, e elas ajudam de formas diferentes. Há armas que quebram escudos de portas e inimigos (essenciais para eliminá-los), armas de tiros guiados e outras de disparos rápidos. Em um bullet hell lotado de projéteis luminosos preenchendo a tela, o bom uso desse arsenal será mais do que necessário para conseguir avançar e sobreviver.
Também existem habilidades como pulo duplo, dash, escudo, gancho e até a possibilidade de solidificar plataformas. Tudo isso deve ser combinado durante as batalhas. O resultado é um combate de FPS com bullet hell, e é impossível não lembrar de Saros em alguns momentos. Mas enquanto Saros aposta em mobilidade defensiva, em Luna Abyss, além do foco na leitura dos padrões de projéteis, o controle do espaço ao redor combinando armas e habilidades faz com que os confrontos ganhem suas próprias dinâmicas e isso é bastante satisfatório.

Fora das batalhas, o jogo também aposta em fases extremamente elaboradas, ainda que seu cenário abuse bastante das cores vermelha e preta (que dá uma sensação de fases repetidas). Existem inúmeros desafios de plataforma que vão exigir muito domínio dessa combinação de armas e habilidades, o que torna a progressão bastante diversificada e divertida.
Apesar de haver uma espécie de hub central, há portas que vão sendo liberadas conforme você adquire novas habilidades e, com o tempo, tudo vira um grande mapa explorável que inclusive pode ser revisitado para coleta de itens e aprimoramentos de saúde, mais uma vez, essenciais para garantir sua resistência nos combates, especialmente contra os chefões.

Possessões impensáveis
E por falar em chefões, Luna Abyss reserva batalhas elaboradas e bastante desafiadoras. É interessante notar que em todos eles não basta sair atirando sem parar, havendo sempre momentos de puzzle para prosseguir no combate. Derrotá-los vai revelar mais sobre este mundo e seus personagens, porém, mesmo com as legendas em português, não é tão fácil compreender toda essa narrativa.
Uma das habilidades mais legais que Luna Abyss apresenta são as possessões. Algumas das criaturas esquisitas que você encontra podem ser possuídas para que você consiga avançar pelos cenários. Há uma esfera cheia de olhos, outra com armas inseridas nos ombros, as aranhas (ou tartarugas, sei lá) e o tal inseto gigante de três olhos que funciona como um carrinho de transporte. Cada um é mais bizarro que o outro, mas surpreendem justamente por serem tão impensáveis e por mudarem momentaneamente toda a gameplay.

Se o abismo te assustar por sua dificuldade, saiba que Luna Abyss está abarrotado de opções de acessibilidade que o tornam extremamente mais fácil, oferecendo até opções de pular puzzles e assistência de mira que, às vezes, mais atrapalha do que ajuda. Até o ritmo dos projéteis pode ser ajustado, então ao menos nesse sentido o jogo se torna convidativo para todos que quiserem desbravar esse mundo obscuro.
Apesar de tudo fluir muito bem nesse lugar macabro, há algumas telas de carregamento quando mudamos de cenário que quebram um pouco o ritmo da experiência. Outro momento que não agrega tanto são os papos na cela da prisão com a enorme cabeça de Aylin e a necessidade de manualmente ir dormir para seguir para a próxima fase. Isso porque não movimentamos a personagem em si, mas sim um menu de opções fixado na tela.

No fim, Luna Abyss propõe algo bastante desconfortável ao mesmo tempo em que não assusta. Não é exatamente um jogo de terror, e sua ação somada aos puzzles transforma tudo em um parque bizarramente divertido e empolgante. Sua narrativa confusa é o que pode incomodar alguns jogadores. Talvez a exploração não seja sobre descobrir o que existe no abismo, mas sobre observar no que alguém pode se transformar depois de tempo demais exposto a ele. As interpretações vão depender muito da dedicação de cada um, pode ser que a dinâmica e a gameplay sejam o que mais sobressaiam por aqui.
E talvez seja justamente esse equilíbrio entre confusão e ação que torna a experiência tão interessante. Luna Abyss não quer que você se sinta poderoso ou confortável, ele quer causar estranheza e te confundir. Se você estiver disposto a lidar com esse clima macabro, vai encontrar um FPS que oferece boas horas de diversão e tiroteios para todos os lados.
Prós:
🔺A ambientação grotesca é extremamente criativa
🔺Causa sensação constante de desconforto e mistério
🔺O combate é divertido misturando FPS e bullet hell
🔺Tem boa variedade de habilidades e exploração
🔺As possessões surpreendem e mudam a gameplay
🔺Conta com ótimas opções de acessibilidade
Contras:
🔻A narrativa é abstrata demais em alguns momentos
🔻Algumas habilidades demoram para aparecer
🔻As telas de carregamento quebram o ritmo
🔻As cores deixam as fases visualmente repetitivas
Ficha Técnica:
Lançamento: 21/05/2026
Desenvolvedora: Kwalee Labs
Distribuidora: Kwalee
Plataformas: PS5, Xbox Series, PC
Testado no: PS5


