Skip to main content

Na vastidão infinita do espaço, a “música das esferas” reina através de longos anos-luz, cobrindo o manto negro do vácuo entre planetas com sua luz. Signalis traz uma história de horror cósmico, planetas abandonados e replicantes que se equilibram na tênue linha entre a frieza calculada de um sistema computadorizado, ou a corrupção sentimental orgânica.

Em um futuro distante, a humanidade finalmente atingiu um ponto tecnológico onde sentinelas sencientes convivem lado a lado com os humanos, ajudando-os em tarefas escolares, administração de governos e negócios e serviços pesados. Mas uma estranha infecção pode colocar tudo em risco.

Gritos abafados pelo vazio

Em Signalis, o jogador controla a protagonista Elster, uma Replika (androide humanoide do tipo técnico). Após acordar de um processo de criostase, ela percebe que sua nave está perdida em um dos vários planetas controlados pela raça humana.

Signalis
Nada melhor que um jogo de horror que te pega pela garganta

Enquanto vasculha a nave em busca de pistas, informações ou alguém de sua tripulação, Elster abandona a nave até se deparar com um grande buraco no chão. Dentro deste estranho buraco há um outro menor, que a leva até a cópia de um famoso conto conhecido por levar seus leitores a insanidade, O Rei de Amarelo.

O contato com o tomo faz com que Elster colapse e tenha um sonho sobre códigos, mensagens perturbadoras e o pedido de se lembrar de uma promessa. A pele sintética que cobre o seu rosto é consumido de forma violenta por algo invisível, e então ela desperta dentro da estrutura de mineração do planeta.

Presa neste lugar, Elster vasculha as salas e corredores da instalação em busca de respostas, encontrando cadáveres de réplicas espalhadas e desfiguradas por todo o local. E aquelas que aparentam estar normais, falam de maneira desconexa, como se estivessem perdidas em um sonho. Um mundo que atrai sonhadores para um sonho maior.

Signalis
Hora do puzzle básico…

Um sonho vindo das estrelas

Presa nesta instalação alienígena, Elster terá de usar as ferramentas que encontrar para poder sobreviver à história de Signalis. Trazendo muito dos clássicos de horror que serviram como ponta de lança para desbravar o mundo do terror nos games, Signalis mistura o melhor de Resident Evil, Silent Hill e System Shock.

Ao avançar pela história, o jogador será transportado para estranhos segmentos de memória, onde deverá resolver puzzles, muitas vezes em primeira pessoa. A cada resposta, o jogador compreende um pouco mais do que pode ter ocorrido aos humanos da instalação e o que é a estranha doença que tem surgido nas réplicas e as tornado agressivas, corrompidas e mortais.

Nestes sonhos ou memórias, novos itens e aprimoramentos podem ser obtidos para ajudar o jogador a avançar pela campanha e liberar novos locais. Isso inclui o rádio portátil, que se torna indispensável em certos momentos, além de também descobrirmos mais sobre oque aparenta ser o passado de Elster e outros androides.

Signalis
…pra depois vir o mais exigente

Signalis traz muitos momentos de tensão e é extremamente imersivo em suas cenas em primeira pessoa. Estes momentos explicam a relação entre os androides e humanos antes da corrupção, algo que os torna muito semelhantes aos primeiros zumbis de Resident Evil 1.

Uma outra mansão, em outro planeta

Em Resident Evil 1, o jogador tem de enfrentar uma variação dos infectados conhecida como Crimson Head, corpos de mortos vivos que sofrem uma mutação que os torna mais fortes e rápidos caso o corpo não seja queimado antes do processo ocorrer. Signalis tem uma mecânica mais ou menos parecida.

Usando armas de fogo, Elster pode e deve derrubar inimigos que foram infectados pelo “mofo” alienígena. Seja usando a pistola, a escopeta ou revolver, o importante é derrubar o inimigo que, dependendo do modelo de androide, pode acabar ressuscitando um outra vez. Para isso, Elster pode usar sinalizadores para queimar o sistema interno deles, evitando que voltem à vida.

Signalis
Os chefões são incríveis!

A mecânica de gameplay em Signalis é bem simples, o que ajuda bastante o jogador a se envolver com a proposta do jogo. Com uma câmera isômétrica, o jogador tem uma visão maior do ambiente e área em que está, com a exploração funcionando através de salas que servem como universos próprios, sendo carregadas separadamente.

Elster investiga a instalação usando portas marcadas em azul, que estão abertas, ou portas em amarelo, que necessitam de uma chave ou dar a volta por trás para serem abertas. E as portas vermelhas não abrem, já que estão quebradas.

Caderno na mão e pochete na cintura

Signalis traz inúmeros puzzles e segredos que precisam ser anotados, uma vez que alguns se apresentam através de código morse, notas musicais ou algum outro tipo de segredo. Um exemplo disso é quando o jogador, para revelar uma pintura, precisa sintonizar seu rádio na estação onde é possível escutar o movimento principal do Lago dos Cisnes, para abrir uma urna que uma réplica segura.

Signalis
Sempre leia tudo o que puder

Uma vez que cada réplica possui o nome de um pássaro diferente em seus modelos, é interessante ver a maneira como elas se comportam entre si, algumas temendo aves mais violentas, enquanto outras, por serem aves mais gentis, são mais abertas. Uma excelente ferramenta de criação de personagens.

Elster se move de maneira “dura” mesmo quando corre, uma vez que o jogo traz em sua essência a necessidade de parar para mirar nos inimigos, movimentação característica dos antigos Resident Evil, no estilo “tanque”. Impresso em sua DNA está essa necessidade de desafiar o jogador a querer desvendar os mistérios em busca de recompensas, mas cuidado: assim como nos jogos clássicos, o inventário é pequeno.

Misturado aos visuais futuristas de uma estação abandonada em um planeta congelado, a vida luta para existir. Signalis traz essa interessante reflexão de que, por mais que as réplicas aparentam ser humanas, não passam de máquinas programadas, enquanto a forma que as infecta aparenta ser de algo vivo. Fica essa dúvida, se estarmos lutando contra máquinas ou uma forma de vida.

Signalis
A arte, trilha sonora e sonoplastia de Signalis são excelentes!

Wer bist du?

Signalis é desafiador, imersivo e uma excelente pedida para aqueles que desejam revisitar o passado com uma nova experiência. O jogador, no entanto, pode se perder em sua estrutura narrativa e de mundo, uma vez que traz muitos segredos que podem pegar de surpresa os não possuem conhecimento prévio.

Claro que não é nada que uma rápida pesquisa não resolva, mas ainda assim, pode impedir o avanço dos jogadores mais preguiçosos, acostumados com uma fórmula mais simples de desafios. O puzzle do sistema solar, por exemplo, foi um grande desafio pra mim. Mas quebrar a cabeça para solucioná-lo foi igualmente gratificante.

Uma aventura fria e extremamente imersiva o aguarda em Signalis. Nem que seja apenas para apreciar a ausência de vida em suas instalações, a viagem deste sinal é uma onda eletromagnética belamente perdida pelas estrelas.

Imagem de Children of the Sun

Review – Children of the Sun

Marco AntônioMarco Antônio09/04/2024
imagem de Ereban: Shadow Legacy

Review – Ereban: Shadow Legacy

Marco AntônioMarco Antônio09/04/2024