Reviver a experiência de primeiro contato com o clássico do survival horror da Capcom, Resident Evil, é algo que muitos produtores de jogos de horror buscam, mas muito poucos realmente conseguem emular esta receita ou, até mesmo, melhorá-la. Ground Zero é uma dessas ocasiões em que uma nova experiência se mostra tão interessante e competente quanto a original.

Ground Zero é o primeiro projeto da Malformation Games, sendo distribuído pela Kwalee. Desta vez, o jogador é levado até a Coreia do Sul, local onde a queda de um meteorito causou vasta destruição, além de isolar o país de qualquer forma de contato por conta de uma espessa nuvem de detritos e radiação que cobre toda a extensão do território. Resta a Seo-Yeon descobrir o que aconteceu no local de impacto.

Os residentes malignos

Ground Zero investe pesado em uma história complexa, onde desta vez o vírus não é criado em um laboratório, mas chega à Terra através do espaço. A cidade de Daejeon é o local de impacto do meteoro, sendo o “Ground Zero” onde a infecção acontece, o que coloca os olhos de todo o mundo na região. Tomando a frente do caso, a UTC envia a capitã da 13ª Brigada de Missões Especiais, Seo-Yeon, para o local.

Ground Zero

Acompanhada de seu parceiro Evan, um especialista militar canadense, ambos chegam ao local e se separam com o objetivo de se encontrarem no farol da cidade, cada um cobrindo uma das áreas do jogo para aumentar a extensão analisada. Ao chegar, Seo-Yeon pode escolher ir pelo cais ou pelo parque de diversões, o que amplia as possibilidades de rotas, além do valor de replay.

Inicialmente, escolhi começar pelo parque de diversões, local que já está recheado de corpos e sinais de violência extrema por parte dos infectados, que não demoram a surgir. O primeiro cenário contém itens que auxiliarão o jogador a sobreviver a esta nova versão de infectados, algo que logo se mostrará escasso. Enquanto se avança, é possível ver os sinais da violência da infecção, com grandes torres de material orgânico espalhado pelo píer do parque e imensas poças de sangue.

O primeiro encontro de Seo-Yeon com um infectado me lembrou muito o encontro com Robert Kendo em Resident Evil 2, na sua versão original de PlayStation 1, com direito a criaturas atacando pelos vidros em busca de mais uma vítima. Após esse primeiro encontro, Seo-Yeon descobre que a situação é muito pior do que ela poderia imaginar e muitos outros horrores a aguardam pelo caminho.

Ground Zero

Uma nova roupagem para antigas ideias

Ground Zero não é um jogo longo, mas consegue ser tão marcante quanto suas inspirações. O jogo se esforça em prender o jogador em suas conquistas, desafios e segredos, como talismãs do zodíaco chinês, filtros de vídeo, trapaças e um glossário de todas as trinta e sete armas do jogo. As diferentes rotas também adicionam bastante variedade ao jogo, mudando a ordem em que encontramos alguns infectados, que também podem ser estudados em um glossário próprio.

Após cada abate, o jogador pode escanear os corpos dos infectados, o que gera pontos Genoma, que são utilizados quando se zera o game para comprar cosméticos, filtros e trapaças. Os pontos Genome “variam” da maneira como os infectados são mortos. Explosões que destroem o corpo todo, não dão pontos, corpos muito danificados com as balas variam entre ruim e bom, o que geram pontos variáveis, no entanto, infectados mortos com uma faca? Estes são Perfeitos e geram a maior pontuação!

O combate em Ground Zero lembra bastante os jogos originais da série Resident Evil, com um controle de mira até melhor pode se dizer. O jogador começa com uma “Magnum”, a arma possui uma mira a laser, o que facilita a visualização de onde se está mirando, os infectados normais morrem geralmente com três disparos na cabeça, enquanto os cães caem com dois bons disparos. Seo-Yeon também pode desviar dos ataques com uma esquiva, além de poder aparar investidas, aparadas bem feitas permitem que ela contra-ataque poderosamente.

Ground Zero

O jogador também tem acesso a um disparo concentrado. Este disparo é capaz de romper cadeados em certas partes, além de ser capaz de destruir a cabeça de um inimigo em apenas um disparo, porém o tempo de preparação deixa Seo-Yeon vulnerável. Para utilizar este disparo o jogador precisa usar o botão de mira e apertar X (controles do Playstation), isso fará com que ela entre em uma postura de tiro equilibrada e uma barra apareça, o jogador precisa mirar no inimigo e acertar a barra no tempo certo para matar os inimigos em um só disparo!

Baú, pra que te quero

Por ser um survival horror, Ground Zero oferece um espaço de inventário reduzido, com apenas oito espaços para itens. Para evitar ter que deixar itens para trás, os jogadores podem utilizar os baús nas salas de salvamento. Para abrir cada baú, é necessário resolver uma simples equação; além disso, cada acerto gera um item bônus, como munição ou ampolas.

As ampolas substituem as ervas clássicas. O jogador pode carregar ampolas azuis, verdes e vermelhas em uma seringa especial. A ampola verde recupera vida, a azul combate venenos e infecções, e a vermelha reforça as capacidades físicas de Seo-Yeon, permitindo melhores aparadas e ataques de faca mais fortes por um curto tempo.

Ground Zero

Os infectados golpeados pela faca ou incapacitados de outra maneira permitem que Seo-Yeon os elimine em uma curta cena, onde a agente utiliza lâminas escondidas nas pernas de seu uniforme. Estas lâminas cortam os corpos rapidamente, não dando chance para que eles retornem.

O sistema de salvamento também é semelhante ao modo clássico, porém não utiliza fitas de tinta. Pelos cenários, o jogador descobrirá moduladores de rádio. Estes devem ser utilizados nos transmissores portáteis encontrados nas salas seguras, fazendo com que acessem uma frequência especial capaz de atravessar a nuvem de poeira e radiação, permitindo que Seo-Yeon salve seu progresso.

1998 novamente em 2026

É inegável a grande inspiração que Resident Evil 2 foi para a equipe responsável por Ground Zero, seja no quesito gameplay, puzzles ou nas interações com o cenário. O único problema que tive com o jogo foi o excesso de protuberâncias alienígenas pelo cenário; entendo que se trata de um organismo espacial, porém o jogo brilha muito mais em seus ambientes mais limpos.

Ground Zero

Os gráficos são excelentes, transmitindo fielmente a estética de jogos antigos em ambientes pré-renderizados, o que torna a experiência prazerosa para quem gosta desse estilo. Mesmo com esse foco visual, o jogo se mantém moderno, mesclando o visual retrô com melhorias de qualidade de vida, permitindo ao jogador escolher entre a movimentação livre ou o estilo tanque.

A sonoplastia também é excelente e trabalha perfeitamente com a escolha de câmera fixa, algo que acredito ser o ideal para jogos de horror, pois nada é mais aterrorizante do que a aflição causada pelos sons. Um exemplo onde o jogo faz isso muito bem é na Casa Assombrada, onde não se sabe se os ruídos vêm dos infectados ou das atrações, sendo definitivamente uma das melhores áreas do jogo.

Ground Zero é, sem dúvida, um dos melhores sucessores espirituais da franquia da Capcom, sendo capaz de balancear todos os elementos de forma excelente, com uma boa variedade de inimigos e uma ampla quantidade de segredos para incentivar o replay. Caso esteja procurando algo para preencher o espaço deixado por Requiem, Ground Zero é com certeza a escolha certa.

100 %


Prós:

🔺Narrativa original e com excelente ambientação
🔺Gameplay sólido, com mecânicas muito bem aplicadas
🔺Alto valor de replay, com diferentes rotas e muitos desbloqueáveis

Ficha Técnica:

Lançamento: 16/04/2026
Desenvolvedora: Malformation Games
Distribuidora: Kwalee
Plataformas: PC

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