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“Nessa filosofia bárbara, um  rei não é senão um homem, uma rainha não é senão uma mulher, uma mulher não é senão um animal – e um animal que não é da ordem mais elevada. (…) Regicídio, parricídio e sacrilégio são apenas ficções da superstição, que corrompem a jurisprudência destruindo a sua simplicidade. O assassinato de um rei ou de uma rainha, ou de um bispo, ou de um pai é apenas um homicídio comum – e se o povo por acaso ganha algo com isso, este seria um tipo de homicídio muito mais perdoável, sobre o qual não se deve instaurar um inquérito muito severo.“

Edmund Burke – Reflexões sobre a Revolução Francesa.

O que garante prestígio a um rei? Para uns, a figura do rei está associada à coerção imposta pelo medo, onde qualquer desonra à figura central de poder é punida de forma capital. Para outros, o rei é muito mais que uma entidade centralizadora, mas sim a representação dos ideais, costumes e cultura de um povo, escolhido por Deus e funcionando como um símbolo de reverência. Seja qual for a sua opinião, é inegável que grande parte da fama da monarquia é devido à sua estética singular, cujas representações inspiram milhares de obras literárias e cinematográficas.

E o que seria melhor do que representar uma parte importante dessa estética no mais famoso jogo medieval da atualidade? Com o DLC Royal Court, Crusader Kings III dá um passo além nos elementos de roleplay, proporcionando ao jogador uma experiência mais imersiva quanto à realidade do dia a dia de uma corte medieval. Em meio a objetos que retratam o prestígio do monarca, o ambiente também é um local de inveja, decisões importantes e, é claro, conspirações.

O esplendor da corte

Como dito em meu preview, a franquia Crusader Kings, diferente dos outros jogos da Paradox, foca nos elementos de roleplay. Claro que o jogo não deixa de compor o gênero de estratégia, mas esse é o diferencial da série. Sendo um jogo medieval e focado nos personagens, nada melhor que trazer o local responsável por inúmeras tramas e decisões que mudaram o rumo da história: a corte real.

Uma vez como rei ou como imperador, você terá acesso à corte, e poderá ver todos os membros da mesma ao seu redor. Conselheiros, guardas, familiares e visitantes estarão representados tal qual um filme medieval. Por si só, a representação visual já adiciona um elemento de imersão que expande as possibilidades de roleplay. É sempre bom ver como a vestimenta real cai bem no seu personagem enquanto ele está sentado no trono, julgando silenciosamente todos os convidados da corte.

Lar doce lar!

Os detalhes da corte mudam de acordo com a cultura e com os objetos expostos. Aliás, os objetos possuem uma função que vai além da decoração, sendo responsáveis por bônus que escalam de acordo com o nível da peça. O estandarte da casa do rei, por exemplo, pode ser exposto na parede da corte, e o seu nível de prestígio aumenta conforme o prestígio da casa sobe. Em pouco tempo, você terá tantos itens que terá que decidir não somente baseado na estética, mas de acordo com os bônus que deseja receber.

A atualização gratuita do jogo expande os itens para o inventário pessoal do personagem. Assim como no título anterior, agora os governantes poderão andar com armaduras, armas e outros itens empunhados a fim de ganhar bônus. Quem não se lembra dos infinitos prepúcios de Cristo no Crusader Kings II? Pois bem, por azar (ou sorte) não achei nenhum enquanto jogava.

O destino de um reino

A adição da corte também significa que eventos únicos relacionados ao reino são colocados. Tal qual um mediador, por vezes você terá que resolver os dilemas dos seus súditos. Claro que toda decisão tem consequências atreladas, e caberá a você decidir se, por exemplo, é melhor proteger os interesses de um familiar ou de algum vassalo.

Pior que bancar a Christina Rocha em Casos de Família é ter que mediar conflitos entre vassalos sedentos por poder. Por vezes, ao ceder cargos no conselho para certas pessoas, alguns vassalos podem te procurar na corte para reclamar da sua escolha. O jeito que você pode lidar com esses ataques de ciúmes variam. Aceitar a reclamação e retirar o cargo ou simplesmente ignorar os pedidos? Ser rei não é fácil.

Invista em mordomias para melhorar o esplendor da corte

Além dos cargos de conselheiro, Crusader Kings III voltará com os cargos menores. Em Crusader Kings II, tais cargos serviam apenas para roleplay e para manter os vassalos contentes com um cargo simbólico. Agora, além disso, cada cargo especial terá uma função. Você poderá contratar alguém para cuidar dos artefatos da corte, melhorando a manutenção dos mesmos, ou contratar alguém para provar a comida a ser servida e diminuir a chance de ser assassinado. As possibilidades são grandes, e cada membro da corte terá um nível de aptidão adequado para cada tarefa. Sendo assim, não adianta colocar um cortesão que não sabe lidar com crianças para ser o tutor oficial da corte, pois provavelmente ele fará um trabalho ruim e você terá que pagá-lo.

Com o passar dos anos, os eventos acabam cansando um pouco. Contudo, a menos que você ative a opção de realizar julgamentos, eles não aparecem tão frequentemente. 

Sans lingua franca

Um dos maiores desafios de governar um reino é lidar com as diferentes culturas presentes dentro de um território. Em lugares que enfrentam esse problema, colocar todo poder administrativo nas mãos de alguém de outro grupo cultural pode incitar revoltas – basta olhar a história dos países do continente africano que você verá vários casos desse. Um líder preparado deve amenizar esse problema, e o que seria melhor do que aprender a se comunicar com seus governados?

Agora, Crusader Kings III permite que os personagens aprendam línguas diferentes. Uma vez dominando um idioma diferente, os lugares que falam a mesma língua se tornarão mais fáceis de governar, diminuindo a penalidade de culturas diferentes. Além disso, aprender um idioma novo é útil para melhorar a sua imagem com aqueles governantes que também o falam.

Ah sim, o inglês 2 foi confirmado

A grande mudança está nas modificações de cultura. Como explicitado no preview, a cultura irá funcionar de maneira similar à religião. Você poderá reformar ou criar uma nova cultura do mesmo jeito que se cria uma religião nova, escolhendo fatores determinantes que mais se adequem às suas necessidades. Toda opção de customização é sempre bem-vinda!

Somando todos os fatores citados, o DLC Royal Court atende às necessidades daqueles que amam o fator roleplay de Crusader Kings III. As mecânicas adicionadas e as possibilidades de customização ampliam a imersão do jogador, fazendo um bom trabalho em simular tanto a parte glamourosa quanto penosa do trabalho de um monarca. Apenas acho que, para um primeiro DLC grande, a Paradox resolveu jogar na zona de conforto. Com isso, é seguro dizer que quem gosta da franquia irá gostar de Royal Court.

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