Brigandine Abyss chega como o mais novo capítulo da franquia cult de RPG tático da Happinet, agora desenvolvido pela Adglobe e publicado no Ocidente pela NIS America, prometendo comandar exércitos, gerenciar nações e travar batalhas em grade hexagonal no continente de Meltitea.
A proposta é ambiciosa com seis campanhas narrativas distintas contra o renascente Império Abyssloa, mais um robusto modo missão com 24 facções e condições de vitória variadas, tudo com um loop de fases que mescla gestão e combate por turnos.
Seis nações, uma guerra
A história parte de um gancho clássico em que 200 anos após a derrota do antigo Império Abyssloa graças à armadura mística Brigandine, o reino de Solginat consegui se tornar a maior potência de Meltitea e desperta a desconfiança das demais nações. O estopim vem com Chaossolus, conselheiro do rei, que usurpa o trono e funda o Novo Império Abyssloa, reacendendo o conflito em escala continental.

O jogo oferece seis facções jogáveis no modo história, cada uma com motivações próprias. De Garnet, líder dos mercenários Scarlet Will em busca de vingança, ao jovem domador de dragões Largo, de Gran Dragnica, passando por cavaleiros de Mystiaine, personagens de Alicebell em busca de memórias perdidas e até grupos menos convencionais como o clã Samura e o laboratório humano de Pandemonium.
A ideia é robusta trazendo seis perspectivas sobre a mesma guerra, mas a execução peca por diálogos curtos e revelações que o jogo conta em vez de mostrar, deixando a sensação de que a narrativa serve mais como justificativa para o ciclo de conquista do que como motivador ou apelo emocional.

A grande novidade trazida por Brigandine Abyss é a divisão de cada temporada em três fases bem definidas: Organização, Ataque e Invasão, criando um ritmo de guerra por temporadas foge do formato RPG tradicional. Na Organização, você recruta Líderes, vincula monstros às suas tropas, equipa itens, realoca exércitos entre bases e envia unidades em missões para obter materiais e itens de mudança de classe.
Uma guerra em temporadas
Na fase de Ataque, você declara invasões a territórios vizinhos, com a possibilidade de enviar até três Líderes e seus esquadrões por ofensiva. Já a Invasão é onde o combate por turnos acontece, em mapas hexagonais atrelados ao território disputado, com condições de vitória que variam entre eliminar o exército invasor, quando você defende, ou tomar o controle da região ao atacar. Outra mudança importante é que o jogo oferece itens de reviver, que são reabastecidos a cada temporada, tornando a recuperação de perdas menos dolorosa e reduzindo a tensão tática.

Brigandine Abyss brilha justamente na camada de preparação. Cada Líder tem um limite de pontos de comando que define quantos e quais monstros podem compor seu esquadrão, forçando escolhas entre poder bruto e sinergia de funções. Monstros ocupam slots diferentes, tem papéis específicos e podem ser equipados, enquanto Líderes evoluem e, ao atingir certos níveis, podem trocar de classe entre as poucas opções realmente distintas.
O Rally é o grande destaque tático, pois um Líder pode absorver um monstro em batalha, removendo-o do campo em troca de um bônus passivo, o que transforma até criaturas fracas em peças úteis de estratégia. Há ainda a dinâmica de missões sazonais, em que você pode enviar um Líder em busca de recursos ao tirá-lo da linha de frente, criando um cabo de guerra constante entre fortalecer o exército e não deixar fronteiras vulneráveis.

A navegação é toda feita por menus e mapas, com interface que organiza bases, tropas, itens e missões em telas que exigem atenção. Não há controle direto de unidades fora das batalhas, fazendo com que a jogabilidade seja essencialmente gerencial, com decisões tomadas antes do combate. Nas batalhas, o controle é por turnos em grade hexagonal, com foco em posicionar Líderes e monstros, usar habilidades e explorar o terreno.
Ou seja, um RPG tático bem diferente do padrão, mas ainda longe de ser um título RTS, inclusive com uma dificuldade não muito alta e com alguns problemas da IA ser previsível ou errar posicionamento ao realizar as jogadas.

Brigandine Abyss adota o estilo anime para os personagens, com cenas animadas que funcionam mais como ilustrações em movimento do que como sequências cinematográficas. No campo de batalha a maioria dos personagens compartilha modelos genéricos por classe, com apenas os Líderes de facção recebendo sprites únicos.
Se a apresentação visual peca pela simplicidade, a trilha sonora é o contraponto positivo. Composta por Rei Kondoh, conhecido por Fire Emblem: Three Houses, a música entrega temas épicos e bombásticos que combinam com o tom de guerra continental, elevando a atmosfera das campanhas e das batalhas.

Por fim, Brigandine Abyss chega como um RPG tático para quem gosta de planejar exércitos, otimizar esquadrões e pensar várias temporadas à frente. Seu loop de Organização, Ataque e Invasão oferece profundidade estratégica real, e o Mission Mode, força o jogador a repensar estratégias e explorar sistemas de formas novas. No entanto, a narrativa rasa e a IA simples, com um nível de repetição entre batalhas podem limitar seu apelo a um público mais familiarizado com esse gênero.
Prós:
🔺Construção narrativa com perspectivas diferentes
🔺Loop estratégico profundo com fases bem definidas
🔺Proposta do Mission Mode com muitas condições de vitória variadas
🔺Trilha sonora épica de Rei Kondoh
Contras:
🔻Narrativa muito simples e rasa
🔻IA inimiga e aliada muito previsível
🔻Apresentação visual genérica
Ficha Técnica:
Lançamento: 26/08/2026
Desenvolvedora: Adglobe
Distribuidora: NIS America, Happinet
Plataformas: PC, PS5, Xbox, Switch 2
Testado no: PS5


