Para aqueles que acreditam que viver uma aventura épica contra as forças do mal é algo simples, com um começo e fim, saibam que estão muito enganados: afinal, o mal não é algo finito. Dark Scrolls, um jogo sobre o qual já falamos antes aqui, finalmente chegou com todo o seu conteúdo disponível para ser explorado e saboreado.

Produzido pela Doinksoft e distribuído pela Devolver Digital, é de se esperar que Dark Scrolls tenha todo aquele potencial que os títulos sob a asa da empresa costumam apresentar. Ainda assim, jogando o produto completo agora, após ter testado a sua versão beta em março, admito que pouca coisa realmente mudou entre as versões e muitas melhorias que eu esperava ver ficaram apenas na promessa.

A vingança é um prato que se come em grupo

Trazendo uma grande mistura entre clássicos como Castlevania e joias modernas como Dead Cells e Infernax, Dark Scrolls coloca o jogador em um arco de “vingança” onde o bruxo Esmeraldo, o bárbaro Bruto ou a ladina Colomba devem traçar um caminho cheio de perigos, enquanto marcham ao encontro daquele que um dia já fora um companheiro e amigo.

Dark Scrolls

Após lutarem contra o antigo tirano daquela terra — um poderoso, porém meio abobalhado dragão de três cabeças —, nossos heróis esperavam poder descansar e regozijar-se da fortuna e dos tesouros deixados pela criatura. Porém, o líder do nosso grupo tinha outros planos em mente, tomando para si o famigerado “Pergaminho Negro” que dá nome ao jogo e desintegrando seus antigos aliados em uma rajada de energia.

Não se sabe como, ou o porquê, mas os três não aceitaram isso de forma tão calma. Eles voltaram à vida e agora irão, mais uma vez, cruzar as terras pelas quais já se aventuraram — seja sozinhos ou em grupo — para uma nova missão que pode levá-los a enfrentar seu antigo colega, ou talvez algo até mais perturbador e poderoso. Ao longo desta nova jornada, haverá novos aliados que irão se juntar à equipe para ocupar o espaço deixado pelo traidor e ajudar nossos heróis a verem novamente o bem e a beleza da amizade.

A narrativa de Dark Scrolls é bem simples e divertida, lembrando bastante a dos jogos nos quais se inspira, mas sem ser tão aprofundada. Os personagens que controlamos não possuem diálogos ou opções de interação que possam gerar conversas profundas ou desbloquear segredos. Eles são meros arquétipos de suas classes e servem apenas para transmitir a ideia visual do que representam — o que, acredito eu, deixou a narrativa um tanto quanto morna e pouco engajante.

Dark Scrolls

Um mundo divertidamente caótico

O jogo abre com o jogador escolhendo qual personagem vai querer controlar nesta run, sendo um dos três originais ou algum dos novos membros que podem ser desbloqueados ao longo da campanha. De início, há o bruxo Esmeraldo, o bárbaro Bruto e a ladina Colomba. Esmeraldo dispara esferas mágicas que, após um tempo de disparo contínuo, geram uma saturação mágica em sua mão, permitindo que ele solte uma chuva de projéteis pela tela, além de poder executar um segundo salto como uma flecha e gerar orbes protetivos com seu especial.

Bruto é o grandalhão bobo do grupo, sempre com seu machado. Ele faz chover machados duplos em seus inimigos com seu especial e, quando não está jogando armas para cima, usa seu salto duplo para cair com tudo em cima dos adversários e derrotá-los com uma clássica “bundada”. Colomba, por outro lado, dispara facas em seu ataque normal; em seu salto duplo, lança mais lâminas para baixo a fim de ganhar espaço; e, em seu especial, fica invisível e intangível por quatro segundos. Ao atacar enquanto está invisível, ela causa um dano imenso aos inimigos.

Além dos personagens iniciais, como dito, há vários novos aliados a serem descobertos. Temos o cão Biscoitinho, que late para assustar e derrotar as ameaças; Nezumi, o rato saxofonista que dispara notas musicais; Quinn, a arqueira cupido que usa suas flechas para manter os inimigos a distância e voa pela tela com suas asas; Chefe, que dispara bifes pelo cenário (uma pena que não podemos usá-los para recuperar vida); e, por último, Saturno, o alienígena que usa uma poderosa metralhadora para abrir buracos em seus oponentes.

Dark Scrolls

Estes personagens extras, mesmo entrando para o grupo, não parecem realmente ter peso na narrativa pelo que pude ver até então. Dark Scrolls possui esse problema: apresenta elementos divertidos e excelentes, mas todos eles têm essa característica de “não estarem totalmente lá” ainda, como se algo faltasse. Tanto a narrativa quanto o worldbuilding e a integração de personagens sofrem com este ponto negativo, passando a impressão de estarem apenas quase completos.

Sinta todo meu poder!

O modo single-player é bem caótico e frenético, com o jogo enviando inimigo atrás de inimigo pela fase. Dark Scrolls funciona em um sistema de rolagem de tela onde o jogador avança da esquerda para a direita, tal como a grande maioria dos jogos de plataforma. Porém, quem dita a velocidade e o ritmo é o próprio jogo, que rola a tela sozinho, revelando o nível e os desafios que esperam o jogador.

Cada nível possui um arquétipo de inimigos. Na floresta, por exemplo, os inimigos são sapos, aranhas e zumbis; nas minas, enfrentamos mineradores, morcegos, cogumelos carnívoros e criaturas esbugalhadas. Além disso, cada fase segue uma estrutura predefinida: os jogadores enfrentam alguns monstros até chegarem a um desafio de horda; depois disso, encaram mais um trecho do mapa até alcançarem uma loja, onde gastam as moedas ganhas em habilidades; por fim, após mais um pouco de avanço, ocorre a luta contra o chefão do nível.

Dark Scrolls

Estas melhorias compõem a parte roguelite de Dark Scrolls. Sempre que o jogador morre, há uma contagem da distância percorrida, dos inimigos derrotados e das missões secundárias completadas com cada personagem. Para cada barra de pontuação preenchida, ganha-se um cristal. Esses cristais podem ser trocados em certas quantidades por personagens e novos atributos (como espinhos, chamas, trovões, velocidade de ataque e de movimento), que passam a ficar disponíveis para compra nas lojas das fases.

Enquanto ataca os inimigos, após certo tempo, os personagens ganham uma estrela. Ao coletarem cinco estrelas, eles podem utilizar seus ataques especiais. Porém, Dark Scrolls possui um sistema em que o jogador atrela os atributos comprados na loja a esses níveis de estrelas. Caso compre o elemento “fogo” e o vincule à quarta estrela, por exemplo, os ataques do personagem ganharão esse atributo flamejante assim que a estrela for alcançada durante a fase.

Sai da frente, que atrás vem gente

Dark Scrolls possui multiplayer local e online, e admito que ambos são bem divertidos, ainda que o jogo mantenha aquela energia de que “está faltando algo”. Os jogadores partem rumo a essa jornada de vingança podendo escolher dentro do leque de personagens que já possuem, lutando lado a lado contra uma enxurrada de inimigos — e quando digo lado a lado, é no sentido mais literal possível.

Dark Scrolls

O jogo possui body block, ou seja, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Se vocês saltarem ou estiverem disputando a mesma plataforma, alguém vai ter que ceder, cair ou sair da frente. Isso gera momentos muito divertidos, mas admito que também pode ser bem frustrante; afinal, em lutas contra chefes, um posicionamento errado do colega pode acabar arruinando tudo.

A plataforma também não possui um sistema de bate-papo interno por voz ou texto, apenas a capacidade de comunicação por emojis — então se prepare para um spam infinito de carinhas durante as partidas. No modo multiplayer online, cada jogador tem acesso apenas ao seu próprio mundo; ou seja, as mudanças e os upgrades da sua base não serão vistos ou transmitidos para o colega de equipe (embora no co-op de sofá, naturalmente, fique tudo liberado na mesma tela).

As dinâmicas são interessantes, mas não a ponto de ofuscarem os pontos fracos de Dark Scrolls; algumas, na verdade, até acentuam essa problemática. Alguns personagens são extremamente desbalanceados e muito fortes, acabando por roubar o show e deixando outros totalmente esquecidos. Certas escolhas de melhorias no jogo os tornam ainda mais letais, aumentando a disparidade e fazendo com que o jogador sinta que não precisa experimentar o restante do elenco.

Dark Scrolls

Capa bonita, história mais ou menos

Dark Scrolls possui multiplayer local e online, e admito que ambos são bem divertidos, ainda que o jogo mantenha aquela energia de que “está faltando algo”. Os jogadores partem rumo a essa jornada de vingança podendo escolher dentro do leque de personagens que já possuem, lutando lado a lado contra uma enxurrada de inimigos — e quando digo lado a lado, é no sentido mais literal possível.

O jogo possui body block, ou seja, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Se vocês saltarem ou estiverem disputando a mesma plataforma, alguém vai ter que ceder, cair ou sair da frente. Isso gera momentos muito divertidos, mas admito que também pode ser bem frustrante; afinal, em lutas contra chefes, um posicionamento errado do colega pode acabar arruinando tudo.

A plataforma também não possui um sistema de bate-papo interno por voz ou texto, apenas a capacidade de comunicação por emojis — então se prepare para um spam infinito de carinhas durante as partidas. No modo multiplayer online, cada jogador tem acesso apenas ao seu próprio mundo; ou seja, as mudanças e os upgrades da sua base não serão vistos ou transmitidos para o colega de equipe (embora no co-op de sofá, naturalmente, fique tudo liberado na mesma tela).

Dark Scrolls

As dinâmicas são interessantes, mas não a ponto de ofuscarem os pontos fracos de Dark Scrolls; algumas, na verdade, até acentuam essa problemática. Alguns personagens são extremamente desbalanceados e muito fortes, acabando por roubar o show e deixando outros totalmente esquecidos. Certas escolhas de melhorias no jogo os tornam ainda mais letais, aumentando a disparidade e fazendo com que o jogador sinta que não precisa experimentar o restante do elenco.

60 %


Prós:

🔺Mundo divertido e personagens carismáticos
🔺Conceito simples e fácil de entender
🔺Multiplayer caótico que pode arrancar boas risadas

Contras:

🔻Narrativa e construção de mundo simples até demais, não há profundidade nenhuma
🔻Segredos e mecânicas escondidas, que podem frustrar o jogador
🔻Sensação de estranheza de estar sempre faltando algo

Ficha Técnica:

Lançamento: 22/06/2026
Desenvolvedora: Doinksoft
Distribuidora: Devolver Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC
Testado no: PC

Review – Realm of Ink

Review – Realm of Ink

Rafael CorreiaRafael Correia07/06/2026
Review – Lost Castle 2

Review – Lost Castle 2

Rafael NeryRafael Nery04/06/2026
Yoshi and the Mysterious Book_bg
Review – Yoshi and the Mysterious Book

Review – Yoshi and the Mysterious Book

Rafael CorreiaRafael Correia27/05/2026