Em um mar de jogos indie que tentam surfar na onda do terror psicológico ou da exploração subaquática, como Barotrauma, A Tale of Silent Depths chega como um daqueles títulos que não gritam por atenção, mas te puxam lentamente para o fundo. Desenvolvido por um pequeno estúdio brasileiro, o jogo nos coloca em um cenário opressivo de oceanos silenciosos e ruínas esquecidas, onde cada mergulho parece carregar mais peso do que o anterior. 

Se você é daqueles que curte uma atmosfera densa, cheia de mistério e com uma sensação constante de que algo está te observando nas profundezas, então você pode ser o público alvo dos desenvolvedores. A Tale of Silent Depths aposta na exploração, em um combate por turnos e em elementos roguelike

Mergulhando nas Profundezas Brasileiras

Em um cenário onde a maioria dos jogos brasileiros ainda prefere apostar em pixel art colorido ou mecânicas leves, A Tale of Silent Depths chega com uma proposta bem mais ambiciosa e sombria. O título mergulha de cabeça num terror psicológico subaquático, apostando pesado em atmosfera, solidão e mistério. E isso, por si só, já merece respeito. O fundo do oceano, um lugar tão pouco explorado e objeto de tamanha fascinação, se transforma em um universo à parte, com seus personagens, facções e perigos.

A Tale of Silent Depths te joga em um oceano silencioso, cheio de ruínas antigas e segredos que parecem querer te puxar cada vez mais para o fundo. A sensação de isolamento é forte, o visual tem uma identidade própria e a trilha sonora minimalista ajuda a criar aquela tensão incômoda que fica no peito. Não é um jogo que facilita as coisas pro jogador, e isso é algo que chama atenção num mercado saturado de experiências mais “fáceis”. Você, como comandante, deve explorar cada parte do oceano, descobrindo histórias, personagens e caçando briga com piratas ou outros perigos.

Claro que tem suas arestas, mas o fato de um estúdio brasileiro estar arriscando uma experiência tão particular e pesada já é motivo pra torcer. A ambientação merece um destaque. Os personagens possuem interações bem brasileiras, e o universo do jogo é um ponto positivo. 

As Arestas do Abismo

A Tale of Silent Depths ainda carrega algumas marcas típicas de um jogo indie brasileiro em fase inicial de vida. O ritmo pode parecer um pouco lento em certos momentos, especialmente se você espera ação constante. A exploração procedural do oceano é interessante, mas às vezes dá a sensação de que os ambientes se repetem mais do que o ideal, o que pode desgastar um pouco a imersão durante sessões mais longas. Por vezes, você terá que andar muito para ir até um ponto da história, e esse caminho não terá nada além de água e alguns recursos a serem coletados.

Alguns pequenos problemas técnicos também aparecem, como certas travadas ocasionais e tempos de carregamento que demoram mais do que deveriam. A interface poderia ser um pouco mais intuitiva em alguns menus, e o equilíbrio entre exploração, combate tático e gerenciamento de recursos ainda tem espaço para ser afinado. O combate em turnos é uma ideia interessante, mas há espaço para melhorias. Não espere uma profundidade nível XCOM ou títulos parecidos. A proposta é muito mais simples, e as batalhas são baseadas em armas, drones e pontos de energia. 

Dito isso, nada aqui chega a quebrar a experiência de forma grave. São defeitos compreensíveis para um estúdio pequeno apostando alto em uma proposta tão específica e ambiciosa. Com atualizações (e o histórico de devs independentes brasileiros mostra que eles costumam dar suporte), esses pontos devem melhorar bastante. No fim das contas, são arestas que devem ser aparadas em atualizações.

Vale o Mergulho?

No final das contas, A Tale of Silent Depths é uma daquelas experiências que deixam marca justamente por ter personalidade. Nem tudo funciona perfeitamente. O ritmo pede paciência, a repetição dos biomas aparece em momentos mais longos e alguns detalhes técnicos ainda merecem polimento, mas o que o jogo entrega de atmosfera, imersão e ambição compensa boa parte dessas arestas.

Para um estúdio brasileiro apostando em um turn-based tático roguelike subaquático tão particular, o resultado é admirável. Eles criaram um mundo silencioso, opressor e cheio de mistério que poucos se arriscam a explorar. Se você curte jogos que valorizam exploração, construção estratégica e uma boa dose de tensão psicológica, vale dar uma chance, especialmente sabendo que o jogo está recebendo atualizações constantes.

75 %


Prós:

🔺Atmosfera e imersão
🔺Proposta ambiciosa e identidade própria

Contras:

🔻Ritmo lento
🔻Mapa repetitivo

Ficha Técnica:

Lançamento: 14/05/2026
Desenvolvedora: Crit42 Studio
Distribuidora: Crit42 Studio
Plataformas: PC

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