Antes de falarmos de Microlandia, comecemos com uma máxima: se um jogo é considerado um clássico, é porque ele fez algo certo. Contudo, o teste do tempo é brutal, e algo que nos divertia no passado pode, hoje, passar longe de despertar as mesmas sensações. Quem nunca passou horas configurando um emulador para jogar aquele jogo que fez parte da infância, somente para jogar por 10 minutos e ver que a experiência foi muito aquém da esperada? Pessoalmente, tive essa mesma sensação há pouco tempo, quando comprei SimCity 4 para relembrar os tempos áureos dos city-builders. Como vocês podem imaginar, desinstalei o jogo tão rápido que consegui até um reembolso. Talvez nós estejamos mal acostumados com os avanços no quesito qualidade de vida – ou, partindo de uma visão mais melancólica, talvez ficamos velhos e incapazes de apreciar as mesmas coisas que apreciamos enquanto jovens. 

A nostalgia é uma faca de dois legumes. Por um lado, ela nos transporta para um tempo mais simples, em que atingíamos a diversão com muito pouco esforço. Por outro lado, quando somos tentados a reviver esse efeito, percebemos algumas falhas que tornam a busca por esse sentimento feliz quase impossível. Pensando nisso, há um mercado para jogos que oferecem uma experiência retrô, que remete a essa época, mas com todos os avanços que facilitam a vida do jogador embutidos. É nesse cenário que Microlandia se encaixa, com o visual e a simplicidade de jogos como SimCity 2000, porém sem o stress e as peculiaridades que tornam os jogos antigos praticamente injogáveis. 

Simples, mas complexo

Microlandia é um city-builder simples. Se você é daqueles que administram o dinheiro público pior que político corrupto, aqui, na maior parte do tempo, você não terá problemas. A simplicidade não está apenas no gráfico, mas também nas mecânicas. É um jogo bem fácil de aprender e que passa longe do emaranhado de informações de outros títulos. Bem, isso tudo na teoria, porque na prática basta algo sair nos trilhos para criar um efeito bola de neve gigantesco. A complexidade não está nas mecânicas, mas sim na simulação que se passa por trás da tela.

Microlandia

A clássica mecânica de dividir as zonas em industriais, comerciais e residenciais foi simplificada. Em Microlandia, você só tem dois tipos de zonas: as comerciais e as residenciais. A indústria está embutida na parte comercial, e você ainda precisa colocar as fábricas poluentes na periferia da cidade. Note que eu usei o termo zona para se referir a essa mecânica, mas não há zoneamento em Microlandia. Em vez de designar uma área, você escolhe um tipo de prédio e o adiciona dentro da cidade. Na teoria, dá para misturar bem a parte residencial com a comercial. Inclusive, há a possibilidade de construir prédios que possuem tanto apartamentos residenciais quanto comerciais no térreo – uma particularidade que existe em jogos mais modernos, como Cities Skylines.

Fora o comércio e as residências, os serviços públicos também se fazem presentes. Hospitais, escolas, delegacias de polícia e outros serviços também existem, e são construídos do mesmo modo que os edifícios comerciais e residenciais. Microlandia deixa de lado o aspecto mais técnico, referente à infraestrutura (energia, distribuição de água, coleta de lixo, etc). É uma concessão que contribui para simplificar a jogabilidade, mas que pode incomodar jogadores que buscam um pouco mais de realismo.

Microlandia

Um trabalho de amor

Com toda essa simplicidade em cena, Microlandia acaba se tornando um jogo para se consumir em doses homeopáticas. Em poucas horas você terá visto boa parte do jogo, e provavelmente não se sentirá motivado a continuar. No estágio atual de desenvolvimento, o jogo conta com poucas opções de prédios, o que dá um ar homogêneo à cidade. A escolha de eliminar o elemento de zoneamento é a grande culpada por isso. Em outros jogos do gênero, a questão da variedade de edifícios é resolvida pelo próprio jogo, já que você, na condição de jogador, tem apenas o poder de escolher a área e de ser surpreendido pelos novos empreendimentos que surgem. 

Algo que foge do padrão simples de Microlândia é a simulação econômica. Não espere a profundidade de um Citystate ou Tropico; espere uma simulação competente e com pequenas nuances que destoam do tom casual. Dito isso, entender a economia do jogo não é um bicho de sete cabeças – na verdade, você pode ignorar boa parte disso e partir somente para a construção de cidades, deixando a simulação econômica fazer o papel dela. É possível ver o rendimento das lojas, o impacto dos impostos e também realizar uma espécie de censo.

Microlandia

Um ponto negativo é a falta de uma opção para acelerar o tempo. Você é obrigado a jogar na velocidade padrão o tempo inteiro, e o ritmo constante atrapalha os jogadores mais ansiosos, que precisam esperar um tempo extra até conseguirem juntar o dinheiro ou os pontos necessários para construir algo. As construções também não são imediatas, necessitando de um tempo de espera até que ela seja concluída e, após isso, preenchida com trabalhadores ou habitantes. 

Apesar dos problemas, Microlandia se vende como um city-builder de escopo simples, porém com simulações complexas acerca da parte socioeconômica. A simulação é baseada em dados reais, a fim de garantir uma experiência realista e que traz insights sobre o gerenciamento de cidades, bem como os desafios para o futuro. Entretanto, esse fator não parece influenciar tanto na jogabilidade, e todos os elementos de realismo podem ser ignorados facilmente. Os parâmetros de simulação foram disponibilizados pelos próprios desenvolvedores, e qualquer um pode olhar e entender como as coisas funcionam, bem como as fontes utilizadas. 

Microlandia é um projeto desenvolvido com uma visão bem clara. Ele sabe muito bem o que faz, mas a execução ainda não está 100%. Me parece um caso de um jogo que, apesar do lançamento da versão 1.0, ainda está em acesso antecipado. Falta conteúdo, mas isso não parece ser um problema para o futuro, já que os desenvolvedores são ativos e lançam atualizações constantes. Em duas semanas, contei um total de 10 atualizações – incluindo uma grande atualização referente aos turistas. Os desenvolvedores garantiram que não haverá um segundo título da franquia, nem DLCs, nem microtransações: todo conteúdo novo chegará em forma de atualização gratuita. Com uma garantia dessas e com um preço tão baixo, não há motivo para não apoiar o projeto e imaginar que, no futuro, ele poderá se tornar tão profundo em sua proposta quanto títulos similares do gênero.

72 %


Prós:

🔺Simulação socioeconômica com dados reais
🔺Atualizações constantes
🔺Simplicidade

Contras:

🔻Ritmo lento
🔻Poucas opções de construção
🔻Bem, simplicidade…

Ficha Técnica:

Lançamento: 03/12/2025
Desenvolvedora: Information Superhighway Games
Distribuidora: Information Superhighway Games
Plataformas: PC

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