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Esta é uma história de companheirismo, comunhão e parceria (quiçá um pouco de parasitismo), testemunhando uma jornada quase etérea de duas crianças pela sua sobrevivência. Enquanto isso, você e seu companheiro vão atravessando um mundo cheio de desafios, e coisas que pareceriam ínfimas para qualquer ser humano se tornam obstáculos hercúleos para dois bonequinhos de lã.

A ColdWood Interactive traz ao mundo a continuação do clássico cult imediato Unravel. Ampliando e aprimorando a receita do primeiro jogo, Unravel Two é uma combinação muito bem balanceada de plataforma 2D com a resolução de puzzles. Isso sem falar nos personagens, que possuem um nível de fofura acima do possível da minha mente compreender. Devo colocar aqui que não joguei o primeiro jogo da série, então não sei o que a experiência do primeiro poderia impactar nesta. Feito o aviso, minhas pesquisas apontam que a história deste jogo é independente do primeiro e, de fato, não percebi nenhuma conexão prévia. Com isso, tá liberado jogar só esse, tigrada!

Um laço de amizade

Por mais que o foco absoluto do jogo não seja contar sua história, e sim focar na jogabilidade, o roteiro amarra muito bem sua narrativa entre os momentos de gameplay, sem nunca ficar cansativo ou fora de lugar – muito pelo contrário! Na pele (ou pelo, ou sei lá o que) dos personagens, nós vivemos nossa própria jornada enquanto acompanhamos também a história de duas crianças lutando pela sua sobrevivência.

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Viva uma experiência de ser dois seres trabalhando juntos em uníssono.

Por esta história que acompanhamos ser meio misteriosa, contada sem diálogos ou sem maiores detalhes, nós temos uma abertura grande para compor nossa própria visão sobre o que está acontecendo. Algumas vezes precisamos preencher as lacunas de uma narrativa por ela ser incompleta, mas em Unravel Two não é o caso. A impressão que se tem é que a história contada foi muito bem trabalhada para permitir uma participação maior de quem a vivencia.

Para quem já viu imagens, vídeos ou jogou o primeiro Unravel, o carisma dos personagens é facilmente perceptível. O que é, pelo menos para mim, muito curioso, visto que os personagens não falam e suas interações com o mundo são bem mais sutis que o habitual dos protagonistas de jogos.

Posso dizer seguramente que Unravel Two é o jogo mais bonito que já experienciei. Não só pela grande qualidade gráfica na reprodução de um mundo realista, dando os devidos detalhes aos modelos humanos, dos personagens, plantas, pedras, no fogo, os incríveis animais e a embasbacante água presente no jogo.

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Uma experiência de viver uma proximidade a natureza que habitualmente não temos.

Não falo isso somente por ser uma reprodução da realidade em grande fidelidade, mas sim por todo o trabalho estupendo de direção de arte. A escolha dos cenários é muito boa e imprevisível. Os locais que visitamos são muito bonitos, muito diversos – por mais que se possa passar uma grande quantidade de tempo em um ambiente, não gera cansaço ou desânimo.

Além disso, os detalhes nas animações dos inimigos ou dos obstáculos presentes no jogo foram o tipo de coisa que me fizeram parar de prestar atenção no que eu precisava fazer, porque fiquei maravilhado por estar presenciando aquilo. E, devo admitir, esse tipo de espanto aconteceu várias vezes. Não foram poucas as vezes que morri ou falhei em algum puzzle por estar distraído pela beleza impressionante do que estava vendo.

Em um nó que não desata

Em Unravel Two os dois personagens estão unidos por um fio de lã, uma conexão permanente entre esses dois seres que acaba sendo a base da mecânica dos puzzles do jogo. É válido adicionar que, por mais que seja possível jogar sozinho, o jogo foi construído (e é o ideal) que seja experienciado em dupla, com o cooperativo local.

Sabendo que necessitava de uma companhia, chamei a minha parceira para compartilhar essa experiência comigo. No caso, vocês podem perceber no vídeo que somos eu e minha namorada jogando. O que dá mais um ponto para Unravel é que ela não possui quase nenhuma experiência com jogos, mas pôde aprender e vivenciar Unravel Two completamente em minha companhia, sem que eu tivesse que a carregar pelos desafios. Ponto para o jogo, ponto para ela.

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Pode ser um mundo fofo, mas não deixa de ter seus perigos.

Tomei um tempo para descrever a situação de ter alguém sem experiência com jogos sendo parte do review de Unravel para poder ressaltar outro ponto positivo e, na minha opinião, bem raro: a excelente curva de aprendizagem tanto dos desafios quanto dos puzzles.

Por mais que sejam poucos os momentos realmente complicados do jogo, ele oferece uma grande variedade de desafios, tanto nos puzzles quanto nas partes de plataforma, mesclando muito bem quando cada um deles aparece e em que ordem. Isso faz com que ele possa ser desafiador, divertido, rápido e bem-pensado. Seria interessante ter mais de uma maneira de resolver cada situação, mas em nenhum momento essa linearidade se torna um problema.

Em resumo, Unravel Two é uma obra-prima. Uma recomendação para todos os públicos. Algo que deveria ser experienciado por todos. Um jogo que traz ótimas sensações, uma jogabilidade divertida e bem construída. Excelente nos puzzles, excelente nas plataformas. Pra ser ainda mais claro com vocês, passei tanto tempo jogando quanto passei tentando achar algum defeito nele. Por fim, não consegui.

SCHiM

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