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Histórias de terror com elementos provindos da mitologia nórdica já não são nenhuma novidade. Exemplos mais recentes incluem o ótimo game Hellblade e o filme The Ritual, que trazem narrativas focadas em personagens atormentados, seja pela doença ou pelo luto, mas enquadradas dentro de um contexto mais fantasioso.

Lançado originalmente em 2016 para o PC e só agora chegando aos consoles, Through the Woods consegue capturar um pouco de interesse por trazer a mesma mistura descrita acima, com a história inicialmente curiosa de uma mãe que busca pelo filho desaparecido em uma floresta repleta de coisas fora do comum. Infelizmente o que começa como uma jornada perturbadora logo se torna em algo que pode ser definido basicamente como genérico.

Caminhos da floresta

Como dito antes, a história do jogo intriga pelo menos de início, mas por mais que sugestões interessantes surjam ao longo do caminho, nada acaba tendo a força necessária para tornar o enredo marcante de verdade. Há também uma confusão no tom do jogo, que começa sombrio e depois faz uma curva fechada para o cafona, diluindo o medo e a intimidação que o mistério inicial trazia. A duração curtíssima de 2 a 3 horas também não ajuda, impedindo o game de desenvolver suas ideias a fundo.

Imagem do jogo Through the Woods
Que a força esteja com o jogador…

Já a ambientação, em um mundo no qual a mitologia nórdica é realidade, é na verdade o ponto mais forte de Through the Woods. É ela que torna os itens e textos colecionáveis mais intrigantes, além de ser a porta de entrada para criaturas diversas que ao menos marcam em suas breves aparições. Ainda mais interessante é ver esses elementos fantásticos em uma escala menor do que, digamos, a de God of War. Porém algo impede o game de surtir o efeito que tanto gostaria: suas limitações técnicas.

A começar pelos gráficos, esses são inegavelmente datados, causando uma péssima primeira impressão com cenas animadas que poderiam muito bem ser substituídas por diálogos in game. Percebe-se também que a iluminação foi pensada especialmente para os momentos noturnos, e começar e fechar o jogo com longas seções diurnas acaba por expor grandes limitações técnicas nos momentos que deviam, acima de tudo, marcar uma impressão positiva.

Outro problema perceptível desde o início são os controles rígidos. A jogabilidade de Through the Woods é simples, consistindo em andar para lá e para cá numa perspectiva “acima do ombro”, mas coisas básicas como agachar ou virar a personagem não fluem tão bem quanto se espera de um game do tipo, ainda mais nos dias de hoje. Em outro momento, a única solução de um quebra-cabeça está num pequeno post-it, que diferentemente de outros textos no jogo, não pode ser ampliado, obrigando o jogador a forçar a vista e, com sorte, enxergar a resposta. Junte isso à performance que engasga frequentemente e temos um pacote decepcionante.

Imagem do jogo Through the Woods
Que pena, não vejo nenhum garoto que leia runas por perto.

São os poucos bons momentos de tensão que evidenciam o quanto Through the Woods deixa a desejar no que propõe. O primeiro encontro com um troll ou uma criatura cega de gritos estridentes conseguem gerar bons calafrios, assim como o confronto com dois lobos famintos traz à tona elementos de combate (ou defesa), insinuando uma experiência muito melhor que a entregue. Ao final de tudo, nada é devidamente recompensado – seja o amor materno da protagonista ou o interesse do jogador.

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