Mais um ano de eleição se aproxima e, nos constantes minutos do dia a dia, vemos o quão importante é estarmos atualizados politicamente para que erros do passado não se repliquem. Subversive Memories é uma prova de que o nosso país possui uma riquíssima biblioteca histórica e de crenças ainda não exploradas a fundo. O jogo se passa nos anos da ditadura militar brasileira, durante o mandato de Emílio Garrastazu Médici.

Subversive Memories foi criado por apenas um desenvolvedor, que se apresenta como Akira, fundador da Southward Studios, o autor traz uma envolvente história que mistura elementos do primeiro Resident Evil, dos primeiros Alone in the Dark e um pouco de Silent Hill. Tudo isso em uma experiência que me lembrou muito o filme 1978, que trata de eventos paranormais durante a ditadura argentina.

Uma busca contínua pela escuridão

O início de Subversive Memories lembra uma versão mais cadenciada de Resident Evil 2, com nossa heroína acordando em uma rua bloqueada por veículos, incluindo o seu, que está em chamas. Restando apenas o caminho à frente, ela entra em um galpão e encontra uma lanterna. Ali, Renata, a protagonista, é colocada diante de algo que fará parte das próximas horas do seu dia.

Subversive Memories

Uma única vela acesa dentro do galpão permite que ela interaja com visões de algo que ocorreu no local, memórias de alguém que morreu ali. Sem entender direito o que acabara de ocorrer, Renata se arma com a lanterna e, mais à frente, descobrirá que esse objeto será o que a protegerá de uma morte excruciante, logo após perceber que está em uma estranha instalação militar.

Inimigos invisíveis ocupam o local em Subversive Memories. A única evidência de suas existências é que, mesmo invisíveis, esses espíritos inquietos projetam sombras. Armada de sua lanterna, capaz de emitir poderosos flashes, Renata pode derrotar estas criaturas do outro lado. Ao entrar no prédio da instalação militar, o jogador é apresentado a um flashback de horas antes, onde Renata, na casa que herdou de seus avós, revive algumas memórias.

Entre os itens que ainda precisa organizar está o diário de sua avó, uma senhora com forte crença espírita. Após interagir com este diário e ir até o galpão de seu avô, o qual ela sempre via trancado e que assim permanece, o telefone da casa toca. Ao atender, a luz da TV se apaga, a cadeira de balanço de sua avó começa a mexer sozinha e ela é instruída a ir até a base onde se encontra agora.

Subversive Memories

Terror no nosso jardim

Subversive Memories então nos permite explorar essa instalação livremente em um sistema de exploração extremamente semelhante ao de Resident Evil, Alone in the Dark ou Dino Crisis, sempre em busca de chaves e elementos de quebra-cabeças. Porém, há um item que não parece ser importante quando o encontramos: as cartas do jogo do bicho.

Estas cartas, aparentemente inúteis, na verdade serão muito importantes para os curiosos que estiverem aptos a negociar com demônios, que aparecem em uma cena tirada praticamente de Twin Peaks, mas não irei divulgar mais nada para não dar spoilers maiores da história. Subversive Memories, mesmo com seus gráficos antiquados, é tão eficaz quanto SIGNALIS na capacidade de gerar medo através de sua ambientação e excelente sonoplastia. Admito que tomei bons sustos em certos momentos por não reparar nas sombras ou sons.

O jogador usará a lanterna para disparar contra as sombras da instalação. Inicialmente, as sombras serão humanas, mas, com o passar do tempo, diferentes formas surgirão, seja pela quantidade de sofrimento infligido àquela alma ou se a criatura for uma fusão de seres. A lanterna possui baterias que podem ser trocadas, mas, caso o jogador esteja sem munição, ela sempre recarrega no máximo 10% de sua carga a cada dez segundos, permitindo que o jogador sempre tenha pelo menos um disparo disponível.

Subversive Memories

Além disso, há analgésicos para cura, mas o mais importante dos itens são, sem dúvida alguma, as velas de sete dias encontradas pelo local, que podem ser acesas em determinados pontos onde encontramos sombras de espíritos inquietos. Quando acendemos estas velas, podemos ver mais da história destes espíritos, desta instalação militar e dos horrores que ali ocorreram. Subversive Memories não teve receio de explorar algumas das torturas sofridas pelos combatentes revolucionários brasileiros.

Retornando aos passados

Como dito anteriormente, o jogo empresta bastante, visual e mecanicamente, de jogos clássicos em sua engenharia. A diferença é que aqui não temos a câmera estática, com a mesma operando de maneira horizontal ou vertical através dos cenários que exploramos com Renata. Subversive Memories pode ser jogado com teclado e mouse ou controles, e admito que o último é o mais confortável dos dois em Subversive Memories.

Os puzzles são bem desafiadores e o jogo exige uma grande quantidade de backtracking para se conseguir o final perfeito. Eu mesmo finalizei o jogo duas vezes, o que gerou um saldo de 5 horas para se completar totalmente a história vendo o final verdadeiro. O único ponto fraco do jogo é o combate, que não gera tanta tensão, mas o ambiente te deixa mais ansioso e apavorado com o possível encontro com uma das criaturas.

Subversive Memories

O verdadeiro horror está na escrita e não falo isso de forma pejorativa, afinal a história é muito bem contada. O período de 1964 a 1985 é uma mancha terrível na história nacional, no qual inúmeras pessoas e até mesmo famílias inteiras foram mortas por meio de torturas e execuções endossadas pelo governo norte-americano para evitar a disseminação dos ideais socialistas no país.

Em algumas cenas de Subversive Memories, o jogador poderá ver algumas das torturas aplicadas aos presos pela ditadura, tais como o pau de arara, a cadeira do dragão (com direito a cabo desencapado na boca) e afogamentos. Akira não explorou torturas mais severas, mas é interessante observar na narrativa a reação de soldados e outros personagens nesses momentos que mostram que Renata está muito mais envolvida com esta instalação militar do que se esperava!

Trazendo o fictício para a realidade

Subversive Memories é uma carta de amor aos jogos que nos marcaram no passado e uma forma de protesto e lembrança às inúmeras vidas perdidas durante esta terrível mancha que fez o Brasil sangrar. O jogo é muito bem embasado e traz diversas referências a eventos ocorridos no mundo naquela época; um grande exemplo disso é a presença dos cravos pelo jogo.

Subversive Memories

A Revolução dos Cravos em Portugal foi extremamente importante para o levante nacional no Brasil, que tirou a extrema-direita do controle do país e devolveu ao cidadão brasileiro seus direitos, acabando com o medo de ser ou ter sua família torturada por lutar pelo que é certo. Por isso, um projeto como este é essencial nos dias de hoje: para nos lembrar do que pode ocorrer novamente caso as pessoas erradas assumam o poder.

Subversive Memories é, sem dúvida alguma, uma experiência que todos deveriam vivenciar, tanto pela incrível atmosfera quanto pela excelente história a ser descoberta. Renata com sua lanterna lança uma poderosa luz nos segredos que gostariam de se manter escondidos, afinal de contas, esquecer-se de sua própria história é o primeiro passo para deixar que as sombras do passado apaguem o nosso presente.

95 %


Prós:

🔺Excelente narrativa que funde elementos reais e fictícios
🔺Ambientação muito bem criada, com excelente tensão ambiental
🔺Conteúdos bem aprofundados sobre a história que deseja contar

Contras:

🔻Combate pouco interessante
🔻Gostaria que a história fosse maior

Ficha Técnica:

Lançamento: 08/04/2026
Desenvolvedora: Southward Studio
Distribuidora: Southward Studio
Plataformas: PC

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