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Sine Mora saiu em 2012 e foi uma das grandes surpresas daquela época em que os analistas apontavam a iminência do fim dos consoles, a ascenção de Angry Birds a um status de novo Mario Bros. e a chegada do Ouya como o grande redentor da indústria de jogos. Se as previsões daquele ano estavam todas erradas, o mesmo não pode ser dito sobre as impressões de Sine Mora: o game foi bem recebido naquela época, e continua sendo excelente neste relançamento que trouxe poucas novidades, mas custa barato (R$ 39 na versão de Xbox One, utilizada nesta análise) e tem algumas novidades que agradarão até mesmo quem já cansou de jogar o Sine Mora original.

Aliás, antes de falar do jogo em si, vou resumir o que há de novo: basicamente, agora dá para selecionar um modo de proporção de tela em 16:9 (além do tradicional 21:9, que continua disponível; mais sobre isso nos parágrafos abaixo), há um modo de campanha cooperativa e um de versus, e foi adicionada a dublagem dos diálogos em inglês, mas ainda dá para jogar com a dublagem original em húngaro (e a língua é influência do estúdio Digital Reality, sediado na Hungria e que ajudou a Grasshopper na produção).

Na essência, é um shoot’em up clássico e em rolagem lateral, aquele gênero tão admirado, mas que teve poucos lançamentos nos últimos tempos (Raiden V me veio à cabela agora, apesar de ser em rolagem vertical) mas com um design dieselpunk único e intrigante, meio paleofuturista e cheio de chefões lindos feitos de lata e movidos a combustível fóssil. Os cenários são vastos e, antes de cada batalha com um subchefe, a câmera gira em torno do avião e mostra como as fases são enormes e ricas em detalhes. É tudo muito lindo de se ver, mesmo sendo um game da geração passada e que, graficamente, recebeu apenas alguns retoques no anti-aliasing e na nitidez das cenas.

Se antes já era bonito, agora ficou melhor ainda

Vamos xingar em húngaro sim

A trama envolve um grupo de pilotos de aviões de guerra (que, interessantemente, possuem a habilidade de mexer com o tempo) movidos por vingança em uma luta contra um ditador que pretende tomar o controle de um lugar tal que é longínquo e habitado por criaturas que não são nem gente, nem animais, mas que falam húngaro fluentemente. Prestando atenção nas legendas ou jogando com a dublagem em inglês, você descobre que eles são muito bons em falar palavrões e xingamentos também.

Se a história confunde, o lado bom é que a parte de ação não decepciona nem um pouco. Sine Mora tem um lance da energia do seu avião ser baseada em tempo, então não há barra de vida: encostando em algo ou sendo atingido, você perde não só alguns segundos, como também um item de poder de fogo, que diminui a eficácia dos tiros primários – e são nove níveis no total. Eles ficam pairando pelo cenário e dá para pegar de volta, mas boa sorte ao tentar fazer isso com a tela cheia de tiros e inimigos para todo lado.

Só faltou a Lady Gaga pendurada

E o game é cheio dos artifícios típicos dos “bullet hell shooters”, aquela vertente de títulos que preenchem a tela com tiros e deixam o jogador sem ter muito para onde fugir. Tem aquela velha situação de vir um míssil (um com sorte, porque geralmente vêm mais que isso) na sua direção e, ao acabar com ele, ele libera pelo menos uma dezena de tiros que continuam indo na sua direção.

Por falar em tela cheia, vale um parágrafo para a proporção dela. O padrão do Sine Mora original era de widescreen anamórfico (21:9, em que a largura da tela é 2,39 vezes maior que a altura), padrão na indústria do cinema e que deixa barras pretas em cima e em baixo da tela da sua tela 16:9. Frescura? Pode ser, porque você sente que a seu televisor grandão faz a tela do jogo parecer menor do que é. Na versão original, eu sempre considerei que essa proporção de tela dava um toque a mais de dramaticidade, e a minha opinião não mudou com a opção de tela em 16:9 que este relançamento oferece.

O que este modo faz, basicamente, é cortar as laterais da tela (a mesma tática de “pan and scan” utilizada em filmes de cinema lançados em VHS na época das TVs 4:3) para a imagem caber na tela em 16:9. Sim, jogando nesse modo o game preenche a tela inteira, mas você perde detalhes da tela. Vai de cada um, e opções são sempre bem vindas.

Não há descanso: a chuva de tiros não pára

O tempo está ao seu lado. Ou não…

Sine Mora tem inimigos relativamente difíceis e os chefes são particularmente chatos nesse aspecto (apesar de visualmente estonteantes), mas a dificuldade fica ainda mais brutal pelo fato do game te dar apenas nove vidas (no modo Normal) e, depois que elas acabam, é game over na hora: não dá para retomar o último save e não dá para voltar ao início do último capítulo. A única opção é começar tudo de novo.

E o tempo em cada uma das sete fases é escasso. Cada inimigo abatido dá alguns segundos extras, mas cada vez que seu avião for atingido, o tempo diminuirá. É não ser atingido, para o tempo não acabar, e fazer de tudo para detonar com os inimigos, para o tempo não acabar também. O sistema é possivelmente a manobra mais genial e a maior inovação já feita desde que o mundo conheceu o gênero de shoot’em up.

No Story Mode ainda é possível utilizar uma habilidade que faz o tempo correr mais devagar – um bullet time, na verdade. O artifício é limitado e deve ser guardado para batalhas com os chefes ou nos momentos mais difíceis, quando realmente não dá para ver saída no meio de tanto tiro rolando ao mesmo tempo. No Arcade Mode, uma outra habilidade permite retroceder no tempo caso seu avião seja abatido. Mas vale lembrar que nada disso faz o jogo ficar mais fácil. É coisa para guardar para quando for necessário mesmo, pois são recursos bem escassos.

Apesar de secundário, o cenário de fundo também foi melhorado

De resto, há o modo Boss Battle, que permite enfrentar de novo os chefes que já foram abatidos, enquanto que o Arcade Mode deixa escolher personagens e armas antes de entrar nas fases que já foram liberadas. No Score Attack, o objetivo é óbvio, mas divertido, já que vai ser preciso muita luta e sangue frio para conseguir uma pontuação no mínimo razoável (e ver as pontuações do topo do ranking só faz você achar que não sabe jogar mesmo).

Este relançamento ainda trouxe um modo de campanha cooperativa, que é interessante pelo fato do segundo jogador não jogar com um avião igual o seu, mas com uma espécie de “drone bolota” que pode atirar em qualquer direção, como se fosse mesmo um ajudante do seu avião.

Há ainda um modo versus de dois jogadores, com três opções que são na verdade minigames simples – dois em que os jogadores controlam a bolota e se enfrentam em um espaço delimitado, e outro que é uma espécie de corrida, em que os dois jogadores não conseguem se acertar, mas precisam, por conta própria, se livrar dos oponentes em uma rolagem lateral mais rápida que a do modo campanha. Nenhum dos modos deve render mais do que alguns minutos de diversão, mas a intenção foi boa. De qualquer forma, se você tiver algum amigo (algumas pessoas não têm), o mais recomendado é cair de cabeça no modo cooperativo.

Sine Mora Ex é pra quem curte dificuldade extrema

Pode mandar bala

Os gráficos, a ambientação, a bela trilha sonora assinada por Akira Yamaoka (eternizado pelo trabalho na franquia Silent Hill), o design e o ousado sistema de tempo em vez de barra de energia já haviam impressionado muita gente em 2012, e esse relançamento só reforça a qualidade da produção da Grasshopper e da Digital Reality. É tudo muito bem feito, e a jogabilidade não parece nem um pouco datada.

A campanha é curta mesmo, mas o verdadeiro desafio está em encarar os modos Arcade e Time Attack. Quanto mais você fica perambulando neles, mais viciantes eles ficam. Rola todo aquele aprendizado do tipo “desta vez eu vou conseguir fazer diferente” e chega uma hora que você realmente decorou a ordem das coisas e já descobriu como fazer seu avião ter menos chances de ser abatido.A sensação é que é impossível tirar rank A em todas as fases, mas é justamente isso que vai fazer os mais masoquistas não largarem o game tão cedo. Eu, que curto levar uma surra, ainda vou passar muito tempo jogando Sine Mora.

SCHiM

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