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Sempre gostei de jogos difíceis e não é à toa que sou um fissurado em títulos soulslike, especialmente os da FromSoftware. Jogos roguelike também carregam uma bela dose de desafio e aqui poderia fazer uma lista enorme (saudações a Hades), mas Returnal, um dos pouco integrantes nesse gênero feito em 3D, eleva a brincadeira a um outro nível. Agora nós, PC gamers, podemos aproveitar o frenesi do título da Housemarque que está chegando aos computadores.

Returnal não só carrega elementos de um jogo roguelike, como também apresenta características de um “bullet hell”, que nada mais é que jogos de tiro (3D ou não), em que os inimigos disparam dezenas, por vezes centenas, de projéteis em sua direção, causando um belo caos. Esse, na verdade, é um dos maiores desafios de Returnal. Mas, tenho uma boa notícia: o mouse e o teclado tornam a experiência menos difícil e parece que o game foi feito mesmo para PC.

Returnal PC review
O modo foto de Returnal oferece diversas opções

Returnal é feito de escolhas

Como um roguelike, Returnal exige que o jogador faça escolhas o tempo todo. Essas escolhas estão atreladas a itens que você pegará, e são vários deles, como consumíveis, armas, buffs e mais. Cada um deles oferece vantagens e desvantagens, uns mais do que outros, por isso é necessário estar atento ao que aquele determinado item está oferecendo e o qual o preço que ele irá cobrar.

Além disso, os cenários de Returnal são aleatórios, gerados de forma procedural, como praticamente qualquer roguelike. Ou seja, como os desenvolvedores sabem que o jogador morrerá bastante, a cada nova tentativa, os ambientes estarão diferentes. E a escolha entra nesse sentido também, já que em diversos momentos vários caminhos estão disponíveis, embora o objetivo seja alcançado somente ao seguir o certo. Porém é possível cair em salas consideravelmente mais difíceis e ali pode ser o fim da sua run, ou ciclo, como é chamado em Returnal.

Combate e coop

Os combates são frenéticos! A princípio, o game pega leve para que você consiga entender como o jogo funciona. Depois de algumas tentativas, você vai se ver rodeado de inimigos diferentes, cada um com seu ataque, mas com todos eles disparando muitos, mas muitos projéteis mesmo em sua direção. E aí entra o balé do jogo. Selene, protagonista de Returnal, pula (alto), consegue dar dash no chão e no ar, além de outras habilidades que vêm com o progresso e isso torna o gameplay do game muito fluido.

Returnal PC review
Coop de Returnal acrescenta ainda mais ao fator replay

Returnal para PC chega com todas as atualizações da versão de PS5. O maior destaque é o coop. Eu consegui entrar na partida de outro jogador, já que quando um jogo ainda não foi lançado, coop ou qualquer coisa envolvendo multiplayer se torna mais difícil, já que são poucas pessoas jogando. A experiência foi muito boa e jogar Returnal com mais alguém é ainda mais interessante. Infelizmente não chegamos tão longe juntos. É, o game é difícil até em coop.

O gameplay de Returnal já é bem feito, com comandos precisos, já que estamos falando de um jogo rápido, além de ter sido projetado inicialmente para os controles. Porém a Housemarque não ficou devendo em otimizar os controles para mouse e teclado, que funcionam muito bem, com precisão cirúrgica. O PC gamer agradece.

Otimização, o fantasma do PC

Estamos falando da chegada de Returnal nos PCs, ampliando ainda mais o catálogo de jogos de PlayStation ao computadores. A Sony tem sido cuidadosa com otimização em seu jogos. Nem todos chegaram rodando “liso” como Days Gone, mas logo menos ficaram em excelente estado. Returnal segue mais ou menos esse ritmo.

Returnal PC review
Reflexos via rasterização não deixam muito a desejar frente ao ray tracing

O game é feito em Unreal Engine 4, um dos maiores vilões no PC por conta dos constantes engasgos feito pelo compilador de shader, algo que precisa ser executado com as APIs DirectX 12 e Vulkan. Você pode se perguntar: “mas não existem jogos em UE4 faz tempo?”, sim, e muitos deles. Porém pode dar uma pesquisada rápida e verá que quase todos eles apresentam os infames engasgos, aquelas travadas rápidas e que tiram toda a imersão (tô falando de você, The Callisto Protocol).

Existe um compilador de shader na primeira vez em que abrimos o jogo, e isso é bom, mas não resolve o problema das pequenas travadas. Enquanto jogava Returnal, o game recebeu duas atualizações somando cerca de 5 GB e, aparentemente, isso foi amenizado. Mas, convenhamos, você morre muito no jogo, cada vez que você tenta de novo, mesmo com mudanças nos cenários, novos shaders são carregados, então uma hora ou outra os travamentos devem parar.

Returnal PC review
A Torre de Sisifo é um desafio extra

Ainda assim, Returnal não exige tanto do hardware. Os efeitos de sombra e reflexos via ray tracing são acessíveis até para as GPUs modernas de entrada. Além disso, o game conta com os recursos (muito bem-vindos) NVIDIA DLSS e AMD FSR, ajudando a amenizar o peso dos gráficos, que não são nada de última geração, embora seja um título de PlayStation 5.

Algo em que os jogos da Sony tem acertado são os benchmark nativo dos jogos. Returnal oferece um bastante completo, com muitas informações e deveria servir como exemplo para outros estúdios. Ao rodar o benchmark, o jogo apresenta muitas informações completas do hardware e seu uso, além de mostrar quais efeitos estão passando na tela naquela exata cena. Nunca vi isso antes!

Custando R$ 250, Returnal chega aos PCs mostrando que seu gameplay casa perfeitamente com a plataforma.

Imagem de The Thaumaturge

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