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Morrer sob a pena de sofrer eternamente nos confins do Submundo já é ruim o bastante, mas não tão ruim quanto ter que carregar esse fardo em vida – principalmente quando você é um deus! Hades, o novo jogo da Supergiant Games que promete mesclar tudo que vimos de melhor em seus títulos anteriores, aborda essa questão de uma maneira genial e incrivelmente única, ainda que se prenda aos eternos clichês da mitologia grega.

Grande parte do sucesso deste título se dá ao ótimo relacionamento que a Supergiant criou com a comunidade. O game passou quase dois anos em acesso antecipado e nesse período os desenvolvedores fizeram bom uso de todo feedback possível. O resultado foi um jogo incrível que se tornou facilmente um dos meus lançamentos preferidos de 2020. Vindo dos criadores de títulos tão marcantes como Bastion, Transistor e Pyre, eu sinceramente não esperava menos.

Casos de família

O jogo já começa nos enganando muito bem ao nos dar a impressão de estar controlando o Senhor do Submundo em pessoa – afinal, é o nome dele que está no título! Porém, após jogarmos nossa primeira fuga através do inferno de Hades, descobrimos que na verdade estamos no controle de seu filho rebelde, Zagreus, o Príncipe do Submundo.

Nesta perspectiva, Hades faz o papel do pai ausente que só se importa com seu trabalho e não dá a mínima para a família. Zagreus, um rapaz cheio de traumas, cansou de viver sob o domínio do pai e resolveu fugir do Submundo… mas é claro que não é tão fácil assim. Mesmo com suas habilidades sobre-humanas e a ajuda de outros deuses do Olimpo, Zagreus terá que enfrentar os inúmeros desafios impostos por seu pai e estar disposto a morrer incontáveis vezes para, enfim, ganhar sua liberdade.

Hades é um roguelite de ação intensa que não foge muito do que o gênero já oferece em tantos outros títulos, mas que ainda assim consegue se destacar graças ao trabalho minucioso da equipe de desenvolvedores, que caprichou em cada aspecto possível.

Não deixe de fazer carinho no Cerberus!

Ainda que um roguelite seja um jogo baseado em repetição, geralmente sem foco em história, o game possui um enredo fragmentado que é contado entre uma morte e outra, um chefe ali e outro aqui. Na verdade, tudo isso serve apenas para enriquecer ainda mais a personalidade daqueles personagens e intensificar suas relações. A dublagem é ótima e cada voz casa perfeitamente com o papel, o que torna os diálogos bem mais interessantes.

Para alcançar nosso objetivo, será necessário desbravar várias regiões famosas na mitologia grega. Cada uma delas está carregadas de criaturas que, sob as ordens de Hades, vão fazer de tudo para te matar. Na transição entre uma área e outra, enfrentaremos batalhas épicas contra outras figuras mitológicas – mas sempre que morrer, esteja preparado para começar tudo do zero!

Nascido para morrer

Como todo roguelite, morrer não só retoma o jogo do início como também muda completamente a dungeon. Essa mudança é irrelevante, pois as alterações ficam apenas nas recompensas que vamos conseguir em cada sala. A área que começamos e os tipos de inimigos serão sempre os mesmos. Ainda assim, cada morte apenas intensifica o seu desejo de continuar jogando; é como se o próprio Hades estivesse zombando da sua falta de habilidade e você precisa provar que é capaz!

Os deuses do Olimpo aparecem para nos dar uma mãozinha.

As dungeons possuem caminhos variados, onde podemos escolher qual trilhar de acordo com a recompensa que julgarmos mais útil. Ao longo de nossas fugas, teremos a oportunidade de usufruir de algumas bênçãos dos deuses do Olimpo, essas que garantem benefícios variados como um ataque mais forte, mais resistência e coisas do tipo. O mais legal é que cada deus oferece uma benção de acordo com seus poderes, então isso não só influencia na estética do ataque como também no tipo de desvantagem que vai causar aos inimigos.

Zagreus possui um ataque padrão, um ataque em área e outro à distância. Todos eles podem ser aprimorados individualmente conforme avançamos nas dungeons, mas ao morrer você perde tudo. Felizmente, com as lágrimas e as joias que coletamos, podemos comprar upgrades definitivos para nosso personagem e outros benefícios que podem aparecer aleatoriamente pelas dungeons, como uma sala sem inimigos, por exemplo, onde podemos recuperar HP e relaxar antes de voltar para a matança.

O combate do jogo é um misto de alegria com frustração. Ele é muito rápido e gratificante, sendo o principal fator que torna o game tão viciante. Além disso, a variedade de poderes que podem ser obtidos, assim como armas, é muito boa e torna o jogo ainda mais dinâmico. Porém, assim como é fácil sair chacinando geral, também é muito fácil morrer em Hades, mesmo estando super forte. O menor deslize pode acabar com sua barra de HP e uma campanha inteira será jogada fora.

Me sentindo o próprio Capitão América.

Ao menos o jogo compensa um pouco a dor e o sofrimento de perder todo o seu progresso. Além das armas e dos upgrades que podemos desbloquear, é possível presentear as figuras mitológicas que estão na casa de Hades e dessa forma receber algumas relíquias como recompensa. Cada uma delas garante algum benefício diferente, tornando sua próxima jogada menos árdua.

Lindo de morrer 

O visual segue o padrão dos demais títulos da Supergiant Games, mas em Hades eles conseguiram se superar e, para mim, já é o jogo mais bonito deles. Tudo é de um detalhamento impressionante, com destaque para as animações dos personagens e inimigos, que são muito fluidas. A trilha musical também não faz feio e traz muito heavy metal mesclado com aquelas músicas típicas de mitologia grega. Basta imaginar a trilha musical de God of War com muitos riffs de guitarra e baixo.

Bonito é pouco!

Eu até poderia citar os poucos defeitos que o jogo apresenta, mas todos se limitam somente ao desempenho dele (ao menos se tratando da versão de Switch) e não é nada que estrague sua experiência. Existem eventuais quedas de fps quando há muitos inimigos na tela e um bugzinho em que ficamos presos dentro de coisas do cenário, como caixas ou pilares. O bug não compromete o progresso, pois é possível se libertar, mas é algo bem comum de acontecer.

Sem mais, Hades é um jogão com conteúdo basicamente infinito. Sua dificuldade vai garantir que você não o termine tão rápido, então pode ir se preparando para passar horas a fio tentando escapar do Submundo. Independente de ganhar ou perder, esse é aquele tipo de jogo para jogar, rejogar e continuar jogando.

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