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Quando a noite cai, é quando eles podem usar de forma máxima suas habilidades. Andarilhos da noite, bebedores de sangue e o terror que levou Bram Stoker ao renome, vampiros, estes sanguessugas com poderes incríveis chegaram aos PCs e Xbox do mundo todo em Redfall.

Produzido pela Arkane Studios, Redfall é um FPS em equipe onde os jogadores controlam heróis que vivem na homônima cidade. Tomada pelas forças vampirescas, a cidade se tornou um campo de guerra entre humanos, militares, servos dos vampiros e os próprios príncipes e princesas da noite que vagam pela cidade, mas, será que ele irá resistir a estaca de prata das notas e avaliações?

Magia ou ciência?

Em Redfall os vampiros não surgem por meio de uma maldição ou um antidiluviano surgindo próximo a cidade, mas sim, através de testes clínicos com uma jovem que é levada até a cidade com o pretexto de ajuda. Ao se ver traída pela empresa Aevum Laboratories, tudo que resta a ela é sofrer na mão de seus captores até que drenem a última gota de seu sangue.

Redfall
Isso que dá beber sangue de cachaceiro, queimação das fortes

O tempo passa e cada vez mais pessoas começam a desaparecer, inicialmente em trilhas e lugares isolados, no entanto, logo a população entende o que está acontecendo e o pânico toma conta da pequena cidade. Pessoas correm e fogem por suas vidas, enquanto outros, resolvem lutar, afinal fugir já não é mais uma escolha quando o jogo começa.

O jogador pode escolher entre quatro destes heróis que acabaram se vendo presos em Redfall. Jacob Boyer uma espécie de ladino, Layla que possuí poderes sobrenaturais, Remi, que é capaz de usar explosivos e curar seus aliados e por último Devinder, um caçador profissional de criptídeos.

Seja em equipe, ou, sozinhos estes heróis irão partir de frente contra as forças armadas do complexo militar Bellwether Security e os cultistas e seus mestres vampirescos. Uma guerra de três vias, entre sobreviventes, os militares e os andarilhos da noite sedentos por sangue e seus mestres que farão de tudo para dominar não só a ilha, mas, o mundo.

Redfall
Com o canhão de luz negra eu limpei esse vale inteiro nos primeiros niveis!

Buscando objetivos e caçando vampiros

Durante a narrativa de Redfall a história se ramifica e se expande de maneira muito satisfatória, com a primeira missão sendo o resgate do corpo de bombeiros e os sobreviventes que estão lá. Matando os cultistas em volta do local e o vampiro no subsolo, conseguimos garantir o local como uma base não só para nós, mas, como outros refugiados.

A partir daqui podemos comprar curativos com o Dr. Terrence Hunt, armas com Anna Creelman e seu marido Joe e a reverenda Eva Crescente. Após isto as missões se ramificam por diversos caminhos, um para que a história prossiga sozinha e outros onde pode-se fazer missões particulares para estes NPCs em troca de experiência, itens e dinheiro.

Com o que as missões avançam, vamos conhecendo novos personagens, novos tipos de inimigos e novas áreas do grande mapa aberto de Redfall. Além das missões do corpo de bombeiros a outras missões a serem encontradas no mundo aberto, principalmente quando encontramos refúgios, que podem salvar a vida pessoas em busca de um local para se esconder.

Rerfall
Mesmo não sendo tão marcante, o jogo tem seus momentos pesados

Nos refúgios há sempre uma missão para ser feita e garantir o controle daquele local pela mãos dos humanos e uma onde deve-se lutar contra o vampiro chefe da região. No papel, parece ser algo difícil e desafiador, mas, infelizmente é aqui que Redfall começa a mostrar que suas presas não são tão afiadas quanto se espera.

Isso era para ser uma ameaça?

Redfall infelizmente sofre de um problema semelhante ao de Borderlands 3 no início, é totalmente a favor do lado do jogador. Logo no inicio recebemos a primeira de nossas armas com estaca, um fuzil que para os níveis iniciais do jogo é uma mini “AWP”, dependendo de onde o tiro pegar, é caixão e vela preta!

Com o passar do tempo, isso não muda no entanto e o jogador pode passar por lugares que deveriam ser desafiadores, na maior moleza, principalmente se estiver com um canhão de luz ultra violeta, ou, um lançador de estacas. Não se engane, eu acho que são armas incríveis para um jogo com essa temática, mas, são apresentadas de maneira tão “meh”, que perdem todo o impacto que poderia causar de verdade!

Redfall
As vezes não tem como não usar a viagem rápida ao invés de ir e voltar

Redfall sofre muito de timing e recompensa/desafio, o que para mim é uma surpresa, já que os jogos da Arkane são muito bem balanceados no passing e recompensa de suas histórias. Porém em Redfall tudo isso vai pela janela e somos apresentados a armas da maneira mais sem graça do mundo, pegando elas em loots espalhados pela cidade.

Outro grande crime é a forma em que o jogo se desenvolve no combate, trazendo arvores de habilidades para os personagens, armas com níveis e infelizmente um dos sistemas de stealth que mais odeio. Em Redfall como outros FPS, para se matar um oponente despercebido, dá-se uma cotovelada em sua bunda enquanto agachado, o famoso golpe do “Cutuvelo No Cóccix”.

Muito bom, parece que estou no oftalmologista

O jogador recebe experiência ao se livrar de inimigos e completando missões, sempre que sobe de nível, pode gastar estes pontos em novas habilidades. Cada personagem possui um skill set diferente, Jacob age como um assassino, usando sua sniper magica e um corvo que pode pressentir inimigos e marca-los no mapa, enquanto, Layla usa habilidades como criar elevadores, criar escudos e invocar seu ex-namorado vampiro.

Redfall
Quem vigia os vigias?

Remi foi a personagem com quem mais joguei e mais me interessei, ela é capaz de curar aliados, usar um robô para atacar e distrair vampiros e usar cargas de C4 para explodir os sanguessugas. Já Devinder pode criar arcos de eletricidade, holofotes de luz negra ou ultra violeta e se teleportar com a ajuda de um dispositivo.

Tudo isso ajuda muito estes jovens a lutarem contra as forças da noite e resolver os mistérios da cidade e acreditem, existem certos momentos em que Redfall consegue ser bem imersivo, principalmente quando se invade uma casa e não sabemos quantos vampiros ou armadilhas há por ali.

Tudo isso no entanto vai água abaixo quando se nota o gráfico do jogo e a I.A dos inimigos no entanto. As texturas simplesmente explodem, principalmente nas florestas e bosques, capazes de deixar o jogador fique perdido muitas vezes, além dos drops de FPS e congelamentos. Algo que não era para estar ocorrendo, uma vez que minha máquina deu conta de The Finals com toda sua destruição no máximo sem “gargalar”.

Redfall
Parece que alguém vai virar um adorno de parede

Vampiros bronzeados

Algo que vi algumas pessoas reclamarem foi o fato do jogo perder a suspensão de descrédito por apresentar vampiros rondando em plena luz do sol. Para isto há uma explicação que é a fonte da qual o jogo bebe, uma vez que vampiros podem ou não, ser derrotados pela luz do sol.

O próprio percursor dos grandes contos de vampiros, escreveu o Conde como alguém capaz de perambular pela luz do dia seja na Transilvania ou em Londres. Muitos tipos de narrativa mostram vampiros capazes de perambular durante o período diurno, tal qual Drácula, Hellsing e até mesmo o sistema de RPG Vampiro: A Máscara.

Tudo depende da narrativa e como ela se aplica, aqui por exemplo podemos fazer um paralelo com Hellsing, uma vez que os vampiros foram criados de forma científica, através do estudo do corpo de alguém afligido por esta condição. Com vampiros de sangue mais fino ou menos puro sendo capazes de perambular durante o dia.

Redfall
O bestiário e arquivos do jogo ajudam bastante a entender o mundo do jogo

Em Redfall porem há vampiros mais poderosos, como os vampiros chefes de territórios e os “Deuses Vampiros”, que são os verdadeiros responsáveis pela trama, com poderes incríveis. Além de haver portas que transportam o jogador para outras realidades infestadas de vampiros, um verdadeiro desafio!

Aprendemos com a falha, não com o sucesso…

faço das palavras de Abraham Van Helsing no romance de Bram Stoker as minhas. Redfall é um projeto excelente, com um grande potencial, mas, como outros títulos que apresentavam tanto, como No Man’s Sky, Fallout 76 e Sea of Thieves, acabaram dando de cara com a dura parede da realidade e ficaram no mais do mesmo.

A Arkane é um excelente estúdio e pode dar a volta por cima das criticas atuais de Redfall e espero que seja este o caso, uma vez que no estado atual, Redfall está mais para um garoto que compra na galeria do rock e joga Bloodlines, do que um verdadeiro vampiro!

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