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Myst foi um destes jogos clássicos de computador que marcou os anos 90, quando CD-ROM era novidade. O game de exploração e quebra-cabeças da Cyan fez bastante sucesso na época, vendendo milhões de cópias e rendendo continuações. Este novo remake do Myst original, porém, não é novidade: chegou exclusivamente ao Oculus Quest em dezembro de 2020, refeito do zero na Unreal Engine.

A versão 2021 adiciona suporte ao Valve Index e HTC Vive e permite ser jogado sem óculos de realidade virtual, além de trazer gráficos mais detalhados e até ray tracing (veja no trailer abaixo). Há também uma opção inédita para embaralhar os quebra-cabeças (perfeito para desafiar quem já terminou o game antes) e a atualização mais recente trouxe os vídeos clássicos de volta – a pedido da comunidade.

Como eu não tenho VR – e comprar um está fora de cogitação – vou descrever a experiência que a maioria dos jogadores brasileiros terá: a da tela plana. Brincadeiras à parte, é gratificante revisitar a ilha de Myst, navegando entre eras através de livros interligados. Um game bastante desafiador, que na época fez muita gente recorrer à ajuda de revistas de videogame para saber como avançar na história.

Remake definitivo?

Myst foi lançado originalmente em 1993 e tinha como características imagens 3D pré-renderizadas, movimentação entre telas estáticas com o clique do mouse e vídeos (FMV) com atuação de atores canastrões. Em 1999, rolou a versão aprimorada Myst Masterpiece Edition, com gráficos aprimorados e a adição de uma opção para mostrar dicas.

Logo no ano seguinte, em 2000, saiu o primeiro remake: realMyst. Graças à nova engine, o jogo apresenta movimentação livre com teclado e mouse, gráficos 3D em tempo real, e até efeitos visuais como iluminação e clima. O jogo recebeu também melhorias no som e até uma nova era para explorar.

Myst é tão amado que cá estamos falando dele 28 anos depois.

Em 2014, foi a vez de realMyst ganhar seu Masterpiece Edition. Feito em Unity, o jogo é basicamente o mesmo exceto pelas novidades gráficas: desfoque de movimento, profundidade de campo, árvores que balançam ao vento, ciclo de dia e noite, dentre outros exemplos. E aqui concluo a linha do tempo deste primeiro jogo da franquia, que aparentemente recebeu seu remake definitivo.

Viajando entre eras

Nessa aventura, o protagonista (sem nome) descobre um livro intitulado Myst e, ao tocar na última página, é levado para a misteriosa ilha. Explorando o lugar, o jogador descobre um pouco sobre os estudos de Atrus, através de suas anotações. Em sua biblioteca, outra descoberta: em um livro azul e outro vermelho estão aprisionados os irmãos Sirrus e Achenar, filhos de Atrus com Catherine. Ambos querem se libertar, mas o conflito entre eles coloca em dúvida quem está falando a verdade sobre o destino do pai.

Para descobrir o que está acontecendo, é preciso explorar bastante, viajar por eras através de livros interligados, resolver os quebra-cabeças e encontrar páginas perdidas para conseguir ouvir as mensagens de Sirrus e Achenar por completo, sem interferências. E desta forma decidir o que fazer ao final do game, que entrega desfechos diferentes. Um jogo curto para os padrões de hoje, mas que o manterá fritando o cérebro por horas com seus quebra-cabeças.

Quebra-cabeças como esse dão um show de criatividade.

O remake de Myst pode até parecer desnecessário, mas o novo visual realmente vende o peixe. Quem é fã notará as diferenças neste quesito, principalmente com a adição do ray tracing. O jogo ficou muito mais vivo, com iluminação natural. Pena que em outros detalhes o game deixa a desejar, como a modelagem 3D de Sirrus, Achenar e Atrus, feias de doer. Não é a toa que adicionaram os vídeos clássicos de volta, pra ativar no menu de opções.

Embora o game apresente estes personagens em 3D, a dublagem se manteve a original – o que eu particularmente não gosto. Sei que os fãs provavelmente iriam contra essa ideia, mas eu não me importaria de ver um novo cast de atores no jogo, fazendo uma dublagem profissional. Outra coisa que me irritou foi a sobreposição das legendas, feita de forma grotesca por cima das anotações e livros. Pelo menos tem tradução pt-br.

Além da sobreposição tosca das legendas, tem erros de tradução.

Pra jogar tomando chá de camomila

Myst não é pra qualquer um, mas a satisfação ao solucionar seus quebra-cabeças é imensa. De fazer você se sentir um gênio, igual acontece em Portal 2, por exemplo. O game te desafia tanto que há uma câmera para tirar fotos como lembretes, para consultar em um álbum quando precisar. Mas calma que nem todos os quebra-cabeças do jogo são casca-grossa assim.

Há um certo equilíbrio para manter o jogador em progresso. O que posso dizer, sem dar spoilers, é que boa parte das charadas exige apenas atenção aos detalhes, como símbolos e sons. E não precisa memorizar tudo, já que a câmera tá aí pra te salvar. Em prol da diversão, encare este game do jeito certo: sem a ajuda do YouTube. Ao menos tente, pois sei que em algum momento Myst te deixará bem estressado.

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