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Quando anunciaram o seriado de Halo com diversas mudanças em relação ao material original, confesso que ficar com o pé atrás seria pouco para o que senti. Se pudesse definir em base disso, eu diria que estava com o corpo inteiro para trás do projeto. Tudo que vi nos jogos até aqui não seriam facilmente adaptados, tampouco a trama que envolve Master Chief, Cortana, os Covenant e todos os elementos que compõem todo esse universo.

Porém, no terceiro episódio da produção da Paramount+, pude sentir com toda a certeza da minha alma que eles estão conseguindo não apenas adaptar os eventos dos jogos, mas dar um sentido bem profundo para tudo. Se você espera por um show que vá te largar nas mãos de John enquanto atira em tudo, recomendo voltar para os games. Aqui o que encontramos é um enredo bem-amarrado de como eles se encaixam dentro da mitologia que foi criada pela antiga Bungie e mantida pela 343 Industries.

O capítulo, além de aprofundar a relação entre as figuras que foram apresentadas até aqui, também dá início ao longo relacionamento que Master Chief gerou com Cortana. Como estou acostumado com os títulos do videogame, onde há um bom relacionamento entre ambos, assistir a reação de ambos onde tudo começou foi, no mínimo, divertido. Porém, tem bem mais coisas que foram transmitidas e que o público deveria se atentar para compreender o que rolará nos próximos.

Há cenas profundas que adicionam mais camadas

Cortana dá um tempero para Halo

Com a chegada de Cortana ao seriado, temos um belo impacto entre as diretrizes da inteligência artificial e a mente confusa do Spartan. Enquanto ele tenta se descobrir e manter seus ideais, a figura surge em sua vida e a primeira reação de ambos é um estranhamento complexo. A função dela em Halo é manter ele sob controle, algo que percebe logo de cara que será praticamente impossível. E isso, para máquinas, deve ser o verdadeiro inferno.

Já John, quando vê que há uma companhia que está ao seu lado por todo o tempo e se intromete em seus assuntos, odeia o procedimento. Passando para o lado pessoal, eu amei ver o desconforto de ambos em tela, demonstrando que o início da relação entre eles não foi nada fácil. Lembro de sempre ver ambos como um exemplo significativo de parceria e trabalho em equipe, então ter esse contraste em tela foi bem interessante e me fez rir em vários momentos. Mesmo que as cenas não tenham esse viés.

Há um elemento chamado “humor sério”, quando a intenção de determinados trechos não é fazer piadas ou gerar bobeiras, mas que acabam sendo cômicas de outras formas. Em um momento, quando Master Chief volta ao seu time para transmitir que retornou à liderança, Cortana logo surge e se apresenta na frente de todos eles. Ele, claramente, não gostou nada da situação e as expressões do ator Pablo Schreiber são demais ali. Ela não compreende bem o que rola e mantém o ritmo da conversa. Você vê que ambos estão sofrendo, mas dará risadas do quanto aquela situação parece engraçada no contexto dos dois.

A presença de Cortana incomoda e é muito divertida

Este recurso é importantíssimo, considerando a ideia geral de Halo. Não existe espaço para você rir ou ter aquele clima clássico da Marvel, onde tudo é razão para algum personagem fazer uma graça. Os principais membros do elenco estão em uma estação espacial no meio de uma guerra, os Spartans são soldados sem sentimentos, há uma grande revolta na galáxia contra a UNSC e por aí vai.

Tudo parece sério e urgente. A inteligência artificial não mudou isso, mas a forma como ela não se encaixa ao herói e vice-versa trazem uma leveza que é divertida ao seu próprio jeito. É a nata do relacionamento de dois seres que acham que não precisam um do outro, mas são obrigados a estarem juntos.

Quando chegamos neste ponto, eu acho um acerto importantíssimo de terem feito uma sequência de episódios que aprofundem isso e até agradeço pela ausência de ação. Vamos lá, pelo nome da série você já sabe como ela terminará: um grande confronto entre espécies, tiros para tudo que é lado, naves explodindo no céu e tudo mais. Não é spoiler para nenhum fã isso. É a essência do game. Se no meio disso estão inserindo aquilo que os jogos não conseguiram, isso complementa ainda mais o conhecimento deste meio e é sim relevante para dar contexto ao conflito.

Sabemos que isso tudo terminará em guerra

Há semelhanças, mas o caminho será diferente

Como parte deste contexto em Halo, vemos mais também da personagem Makee. Até aqui não tínhamos conhecimento algum de como ela foi parar na mão dos Covenant e quais são suas motivações para seguir contra a humanidade, porém um curto flashback já te atualiza de tudo que necessita saber. Seguindo em direção ao Master Chief, qual ela chama de “demônio”, o impacto entre ambos parece inevitável. Principalmente por ela não ser tão indefesa quanto aparentava nos primeiros capítulos.

Se antes eu achava que eles acabariam sendo aliados em Halo, agora já não tenho tanta certeza sobre isso. O interesse dela no herói não me parece que será de compreensão, mas sim de dominação. Ainda assim, acredito que ela vai se deparar não apenas com as habilidades de combate do Spartan, mas também com o poder intelectual de Cortana para impedir seus planos de se concretizarem. Pode escrever aí como uma profecia, essa dupla vai arrasar tanto na série quanto já vimos nos videogames.

De resto, parece que as peças estão se movendo de forma mais abstrata do que eu esperava. Tenho a grande impressão de que a Dra.Halsey tem o seu próprio lado dentro disso, não pendendo nem para Master Chief ou para a UNSC. O que ela faz tem cara de vilania, mas para mim isso se assemelha mais à uma criança curiosa que tem o poder de fazer tudo que é possível para descobrir o que tem por trás das coisas. Usando os dois lados para completar seus planos, a única coisa que ela não está considerando é que “a curiosidade matou o gato”.

Halsey e sua filha têm um papel muito importante a cumprir

Além dela, a UNSC já está vendo as ações da cientista como algo perigoso e tentam desviar da grande dependência que possuem. Só que, neste sentido, eles entram em um campo mais perigoso ao usar a filha dela para fugir do seu controle sobre os departamentos. Vamos combinar, as duas têm suas diferenças e há um grande conflito familiar ali também, mas não acho que isso tudo será encerrado sem um bom diálogo entre elas que pode ou não resolver as coisas. Há uma chance delas se conciliarem, o que não seria de agrado aos seus superiores.

Estou vendo tudo como um grande quadro branco que está sendo pintado conforme assistimos aos episódios. Há alguns dias estive pensando nisso, faz tempo que não assisto a algo que me desse esta sensação de incerteza. Eu sei onde os jogos vão parar e vejo as similaridades de algumas de suas tramas. Porém, o terceiro episódio mostra que isso pode seguir para um caminho completamente diferente e continua com uma qualidade excelente. Onde isso vai parar? Não faço a menor ideia, mas está bom demais assistir e espero que mantenham isso adiante.

Halo está sendo exibido através da Paramount+, todas as quintas-feiras a partir das 5h.

*Este texto é uma colaboração entre o NERDIZMO e o GAMERVIEW

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