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Final Fantasy XII é um destes jogos que transforma uma franquia. Na época em que foi lançado para o PlayStation 2, em 2006, o título introduziu uma série de novidades importantes como um mundo aberto para explorar, controle total da câmera e um sistema de combate mais solto, além do sistema de gambits, de licenças e as caçadas como missões paralelas. Afinal, não seria um Final Fantasy se não fosse um RPG experimental.

Embora a confusão com Final Fantasy X-2 seja comum, é fácil de identificar a diferença: Final Fantasy XII parece um MMORPG singleplayer. E é tão bom e viciante que não demoraria pra receber uma remasterização completa após o sucesso de vendas com Final Fantasy X/X-2 HD Remaster. Final Fantasy XII: The Zodiac Age chegou primeiro ao PlayStation 4 em 2017, depois para PC em 2018. Agora é a vez dos donos de Xbox One e Nintendo Switch curtirem esta obra-prima da Square Enix.

Um trabalho virtuoso

Ninguém liga muito pra isso, mas faço questão de ovacionar o trabalho da Virtuos. O subtítulo acima não foi em vão: a empresa co-produziu remasterizações e realizou ports muito bem feitos para os consoles da atual geração, como Dark Souls Remastered e Starlink: Battle for Atlas, além do já citado Final Fantasy X/X-2 HD Remaster. O trabalho com Final Fantasy XII: The Zodiac Age é impecável e isso fica ainda mais evidente na versão de Switch, que roda com desempenho acima da média.

Imagem do jogo Final Fantasy XII: The Zodiac Age
Altas aventuras em Ivalice, mundo compartilhado por Vagrant Story.

A remasterização inclui texturas em alta definição, personagens mais detalhados, melhorias na iluminação, FMVs em 1080p e trilha sonora reorquestrada, com músicas inéditas. Exceto pela versão de PC e Xbox One X, que roda cravado nos 60 FPS, as demais versões rodam em 30 FPS em batalha e 60 FPS nos menus. Além da boa performance os loadings ficaram mais rápidos, apesar da versão de PS4 perder para as demais.

No port de Switch foi necessário reduzir a qualidade das texturas e o efeito de anti serrilhamento, justamente para não comprometer o desempenho. Fica mais bonito na TV do que no modo portátil, porém em ambos ocorre o efeito de borrão nos movimentos para disfarçar o downgrade. Aliás, fizeram milagre reduzindo o tamanho do game para 12.6 GB (contra 40.77 GB do PS4). E nenhum conteúdo foi sacrificado no processo: continua oferecendo três opções de trilha sonora (original, reorquestrada e OST), dois áudios (inglês e japonês), New Game+, bestiário completo, etc.

Girando a roda das profissões

Caso nunca tenha jogado Final Fantasy XII, o The Zodiac Age do título refere-se ao “International Zodiac Job System”, lançado exclusivamente no Japão em 2007. Um sistema de profissões baseados nos 12 signos zodiacais, introduzidos para balancear a dificuldade do game e ampliar as possibilidades. Na versão original cada signo possui um tabuleiro de licença, sendo que o jogador pode escolher apenas uma profissão e seguir com ela até o final. Nesta nova versão, de Xbox One e Switch, o jogador pode escolher duas profissões e resetar a qualquer momento. Mas para ter acesso à segunda profissão é necessário entrar no Trial Mode e vencer o primeiro desafio de 10 fases, derrotando o chefão Belias.

Imagem do jogo Final Fantasy XII: The Zodiac Age
Quero ser um White Mage com ascendente em Red Battlemage.

Fazendo um resumo geral das mecânicas, cada profissão possui seu próprio tabuleiro de licença que funciona como uma árvore de progressão. Ao desbloquear as casas do tabuleiro, gastando pontos de licença, você abre outras casas e assim consegue níveis diferentes de armas, acessórios, magias e melhorias, como aumentar seu HP. Ter duas profissões aumentam as possibilidades de criar um estilo próprio pra cada personagem. Se não gostar, é só desfazer e testar outras combinações.

No geral o gameplay é bem simples: você anda livremente, controla a câmera (distância e ângulo), abre o menu principal com um botão e o de ação com outro botão. O menu principal traz os status, equipamentos, licenças, inventário, mapa do mundo, etc. O botão de ação é usado para interagir com NPCs, portas, baús de tesouro e abrir o menu de combate quando estiver no campo de batalha. O confronto ocorre em tempo real traçando uma linha com o alvo, que alterna entre azul e vermelho para informar quando você ou o inimigo for atacar. O ataque, seja físico ou de magia, ocorre ao carregar um medidor. Você pode tentar escapar do ataque inimigo enquanto a barra estiver carregando, mas não costuma ser fácil. Esta mesma linha muda pra verde quando rola uma ação de suporte, como usar um item de recuperação.

Imagem do jogo Final Fantasy XII: The Zodiac Age
Estratégia infalível: enquanto um bate, o outro rouba.

Agora ficou perfeito

Após um breve tutorial, o jogador assume as botas do protagonista Vaan. Conforme avança na história outros personagens ingressam sua party, como a orelhuda e charmosa Fran, que rouba a atenção tanto no jogo como na arte conceitual de Yoshitaka Amano. A trama se desenrola sob a ótica de Vaan, mas você pode mudar o líder da party a qualquer momento, jogando com qualquer um destes personagens. E é aqui que entra o tal do sistema de Gambits: um conjunto de ações que definem o comportamento da inteligência artificial dos personagens. É como se fosse um modo automático personalizável, indispensável durante os confrontos com os inimigos e chefões mais difíceis. Originalmente havia apenas um conjunto, dando um trabalho danado pra mudar os gambits. Na nova versão há três conjuntos, para montar e alternar entre eles.

Legal, né? Mas há uma pegadinha: assim como as duas profissões, apenas a versão de Xbox One e Switch possui três conjuntos de gambits, que até agora não chegou às versões de PC e PS4. Por fim, a aceleração do tempo durante o gameplay foi ampliado de 2x para 4x, perfeito para colher os frutos da exploração e grinding (subir de level) sem perder muito tempo com isso. O auto save também ajuda bastante, evitando bater perna ao morrer de bobeira.

Imagem do jogo Final Fantasy XII: The Zodiac Age
À distância e com espingarda não tem erro. Eu acho.

Vale citar algumas outras mudanças que vieram com The Zodiac Age: danos de ataques e magias foram rebalanceados; o limit break agora possui seu próprio medidor; os Espers, os summons do game, podem ser convocados por mais tempo e passaram a utilizar itens do seu inventário; e 700 tesouros foram adicionados (2 deles sendo super poderosos, mas invisíveis), totalizando mais de 16.000.

Retomando o Trial Mode, citado anteriormente, ele funciona da seguinte forma: você carrega seu save trazendo seus personagens (e status) para desafios que ocorrem de 10 em 10 fases, com ótimas recompensas. Ao total são 100 fases, com alguns super chefes. Portanto boa sorte ao enfrentar o Esper Zodiark (335.000 de HP) e os chefões Omega Mark XII (1 milhão de HP) e Yiazmat (50 milhões de HP). Pelo menos a opção de acelerar o gameplay te poupará horas de jogatina e suor.

Qual a melhor versão de Final Fantasy XII: The Zodiac Age? Com certeza a de PC, que traz mais opções como o New Game+, New Game-, mods criados pela comunidade, 60 FPS cravado e o visual mais bonitão. Mas em termos de “versão definitiva”, sem dúvida meu voto vai para o Switch. Embora consuma a bateria mais rápido no modo portátil, é o console perfeito para jogar esta obra prima em qualquer lugar.

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