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Figment redefiniu meu amor por jogos, pois consegue ser muito divertido enquanto trata sobre temas complexos como depressão e saúde mental. O título indie da desenvolvedora Bedtime mostra como estes problemas são realmente perigosos, mas que é possível combatê-los com coragem e otimismo.

Esse é um jogo musical, de ação e aventura, ambientado nos recantos da mente, que são representados por um visual maravilhosamente único e surreal. Nosso personagem é um ser rabugento chamado Dusty e, ao lado do passarinho otimista Piper, precisam resolver diversos quebra-cabeças e enfrentar os pesadelos para restaurar a confiança dos habitantes e fazer a mente funcionar normalmente.

Nos bastidores da mente humana

Antes mesmo de conhecer sua premissa, o jogo já prendeu minha atenção por conta do visual. Figment tem artes feitas à mão que parecem uma mistura de desenhos complexos com outros feitos por crianças. Isso torna o universo do jogo único, pois cada cenário surpreende por suas cores, pelos desenhos curiosos e personagens carismáticos. Tudo ganha vida quando interagimos e é impossível não reparar em cada detalhe do cenário. De longe foi o jogo que mais fiz capturas de tela no Switch.

Imagem do jogo Figment
Dusty parece gentil, mas, na verdade, é mal-humorado e rabugento.

Figment o coloca em uma mente que por longo tempo esteve quieta e tranquila. Porém algo mudou e novos pensamentos se tornaram criaturas de pesadelos que estão espalhando medo por onde quer que passem. Dusty, a antiga voz de coragem desta mente, não dá a mínima para o que está acontecendo, até que seu livro de recortes foi roubado por um dos pesadelos e somente por este motivo decide partir nesta jornada ao lado de Piper para recuperar seu livro.

A mente possui três áreas principais, sendo que em cada uma delas há várias fases interligadas. Tudo está uma bagunça e os habitantes estão com medo, pois há criaturas por todos os lados. Dusty encontra sua antiga espada e com ela você deverá enfrentar várias destas criaturas. O combate é simples e divertido, com possibilidades de atacar e esquivar, mas requer atenção já que os inimigos atacam de maneiras diferentes. Não é difícil derrotá-los, basta saber o momento certo para atacar.

Imagem do jogo Figment
Estes instrumentos não são apenas enfeites, eles compõem parte da trilha sonora das fases.

Em meio à desordem mental, há diversos quebra-cabeças para serem resolvidos, como caixas que precisam ser posicionadas em locais corretos, combinação de cores ou botões pressionados em sequências corretas. Alguns precisam de itens que estão espalhados pelo cenário, como manivelas ou baterias, e isso faz com que atravessemos várias vezes pelos cenários levando os objetos para vários locais. Isso pode ser divertido para alguns e chato para os menos pacientes, mas no geral os puzzles não são difíceis de solucionar.

Há ainda quebra-cabeças que são interligados entre fases, onde é necessário buscar algum item ou solucionar um desafio secundário em outra fase para depois retornar ao puzzle anterior. Isso, inclusive, estende a duração do jogo e aumentam a complexidade dos desafios. Além disto, temos também colecionáveis escondidos através de mais enigmas que contam mais sobre o dono desta mente. Você pode tentar pegá-los enquanto está na fase ou retornar em outro momento caso não encontre os itens necessários para desbloqueá-lo. Após coletá-los, eles ficam reunidos na área central do jogo; para revê-los você precisará ir até o local, não havendo opção para visualização através do menu.

Os pesadelos são os chefões de cada uma das principais áreas da mente: são criaturas que representam o medo da doença, medo de aranhas e a depressão. Para vencê-los não basta golpeá-los com a espada, é necessário solucionar os quebra-cabeças interagindo com os objetos e usá-los como armas para destruir o inimigo.

Imagem do jogo Figment
A vibração dos Joy-cons proporciona um efeito incrível neste puzzle.

Músicas para os nossos ouvidos

Logo no início de Figment, em um dos primeiros combates quando um dos pesadelos envia diversas criaturas para atacar Dusty, aconteceu algo inesperado: enquanto eu golpeava os tentáculos, ao fundo do cenário, o chefão começou a cantar e então eu não sabia se prestava atenção no combate ou na música. Os toques vieram tão de repente com um ritmo intenso que elevou a sensação de perigo naquele momento, além da letra que reforçava a personalidade da criatura.

Cada Pesadelo possui suas próprias canções e elas têm diversas funções como reforçar as características da criatura e o medo que elas causam, elevar a sensação de perigo e ainda – através dos versos – vemos algumas dicas sobre como resolver o desafio para derrotá-lo. E não se preocupe: o jogo está legendado em português, dá para acompanhar as dicas tranquilamente.

O universo de Figment está rodeado de instrumentos musicais interativos, os quais você ouve conforme se aproxima e pode interromper a música por um momento se golpeá-los. Claro que isso não acrescenta em nada no jogo, mas são detalhes que deixam a experiência instigante. Há também instrumentos para puzzles onde precisamos criar pequenas composições musicais. Essa atmosfera sonora é tão boa que acaba fixando na cabeça do jogador. Pra quem quiser ouvir, a Bedtime lançou a trilha sonora completa no YouTube.

Imagem do jogo Figment
Os habitantes podem ajudar na soluções dos desafios.

A experiência no Switch é extremamente satisfatória. Os gráficos são bons tanto no portátil quanto no modo Dock, os comandos são simples e funcionam bem nos Joy-cons, só as telas de carregamento que demoram um bocado pra concluir (como de costume no console).

Figment pode ser pouco desafiador em alguns momentos, mas oferece uma aventura surpreendente do começo ao fim. Ver a história sendo apresentada através das metáforas com as representações visuais e sonoras é maravilhoso. O mais interessante e talvez o maior triunfo deste título é perceber como as mensagens são apresentadas com bastante diversão, otimismo e de maneira que qualquer um possa compreender.

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