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A tradicional fórmula de criar o seu personagem e transformá-lo em herói para salvar o mundo não é novidade para a Bioware, a produtora que nos deu clássicos do RPG como Baldur’s Gate, Neverwinter Nights, Knights of The Old Republic e Mass effect. Agora é a vez de Dragon Age: Origins, game que acrescenta novidades à fórmula e oferece contos de origens distintas para os personagens, em torno de um universo mais maduro.

A história do jogo é rica o suficiente para render dezenas de horas apenas fazendo as missões principais. Se você optar por fazer a maioria das missões secundárias, o game consegue facilmente oferecer cerca de 80 horas de jogatina. Todas as missões descobertas e cumpridas são registradas no seu Codex, que funciona como um diário do seu personagem, com dados sobre a geografia, povos, criaturas, magias e equipamentos lendários. Até as suas conversas com os personagens do game (NPCs) são registradas.

A trama conta sobre a ameaça que a terra de Ferelden sofre pela legião de criaturas chamadas de Darkspawn. Estas criaturas eram magos que, devido à obsessão pelo poder, foram amaldiçoados após usarem rituais arcanos proibidos. Liderados por um arqui-demônio, essa legião maldita emerge do subterrâneo a cada 100 anos com um exército gigante conhecido como Blight (praga).

Review - Dragon Age: Origins

Os Darkspawn teriam sido bem sucedidos em seus planos de destruição se não fosse pela ordem dos Grey Wardens, formada por humanos, anões e elfos, que tem como objetivo combater grandes ameaças. O problema agora é que os sinais da volta do Darkspawn se tornam mais fortes e as fileiras dos Grey Wardens se tornam menores a cada ano que se passa. Pra piorar, a terra de Ferelden virou palco de disputas internas e guerras civis. Cabe a você, como um recém recrutado da Grey Warden, tentar unir os diferentes povos contra a ameaça maior.

A criação de personagens segue o básico de sempre. Há três raças (Humanos, Elfos e Anões) e três classes básicas (Guerreiro, Ladino e Mago). Estas classes ganham especializações conforme o jogo progride. Por exemplo: Guerreiros podem ser tornar Templários ou Berserks, e Ladinos tem a opção de virar Rangers ou Bardos, entre outras opções. Escolhido a raça e a classe, você determina os talentos e habilidades do personagem e encerra a customização escolhendo a história de fundo (ser um elfo selvagem, um anão de origem nobre, etc). Esta última opção afeta a forma como o mundo o trata e reage a você, dando até algumas motivações diferentes para cada personagem. Por exemplo: quando você escolhe ser um humano nobre, nessa origem a introdução vem com uma história de traição e assassinato que faz com que, durante todo o jogo, seu personagem tenha também uma missão de vingança pessoal. O único problema é que estas histórias de origem às vezes parecem perder muito a importância. Um exemplo: o cidadão de Ferelden tem em geral um grande preconceito contra Elfos. Mas mesmo sendo o seu personagem um elfo, que tem como objetivo unir povos contra uma ameaça maior, o problema racial acaba ficando em segundo plano.

Todas essas combinações que o jogo oferece resultam em uma gama imensa de possibilidades de tipos de personagens que você pode criar, aliado a uma coisa rara em RPGs desse tipo que é a ausência do chamado “level cap” (limite de nível que o personagem pode atingir). Sem esse freio, o seu personagem pode evoluir com total liberdade, sendo possível ter um mago com vários poderes elementais ou um guerreiro que despedaça armaduras a cada golpe de espada, por exemplo. O processo em ganhar mais capacidades pode ser um pouco lento para alguns, mas é sempre recompensador.

Review - Dragon Age: Origins

Em Dragon Age: Origins, algumas de suas decisões durante as missões (principais ou secundárias) podem alterar o modo como o jogo se desenvolve. Por exemplo: em certo momento da história, você será atacado por um grupo de assassinos. Após derrotá-los, você deverá decidir o que fazer com o líder deles. Você pode matá-lo em vingança, libertá-lo, ou aceitá-lo como membro do seu grupo e usar as suas habilidades a seu favor. Mas fique atento, pois suas decisões afetam não só a história e o ambiente ao seu redor, mas também seu relacionamento com o seu grupo. Cada membro do seu grupo tem sua própria personalidade e cada decisão da sua parte pode inspirar ou deixar descontente cada um deles. Se um membro ficar descontente demais, ele deixará o grupo e nunca mais poderá ser encontrado. Mas se você conseguir entrar em sintonia e agradar o suficiente algum membro do seu grupo, seja tomando boas decisões ou dando certos presentes, esse vai ganhar bônus especiais e poderá ensinar certas especializações de classe para o seu personagem. O nível de simpatia dos personagens por alguns membros do seu grupo pode crescer e virar atração física, resultando em relacionamentos amorosos com a possibilidade de relação entre duas pessoas do mesmo sexo.

Agora falando sobre o sistema de combate, o ataque pode ser feito de três maneiras diferentes: combate em tempo real, pausar o jogo e definir as suas ações taticamente ou criar preferências para os membros do grupo. No combate em tempo real, a dificuldade se mostra maior por conta das batalhas entre inimigos em maior número e a possibilidade de causar dano em seu próprio grupo acidentalmente.

Fazendo uso das preferências dos personagens (configuradas no menu Tactics), você pode definir que seu mago solte uma bola de fogo se estiver sendo atacado por mais de três inimigos ou ser curado assim que estiver com a energia abaixo de 50%, por exemplo. O problema é que muitas vezes elas não funcionam corretamente: membros do grupo frequentemente vão usar ataques errados ou atacar inimigos que eles deveriam ignorar ou correr sobre armadilhas que eles deveriam desarmar. A melhor opção de combate é pausar, calcular suas ações, despausar, ver o que acontece e fazer tudo de novo até um dos grupos caírem mortos. Essa estratégia sempre funcionou em Baldur’s Gate e Neverwinter Nights e funciona muito bem aqui.

Review - Dragon Age: Origins

A apresentação de Dragon Age: Origins é muito boa, mas não chega a impressionar. Alguns modelos de personagens e texturas de cenários são datadas, deixando de causar o impacto visual que se espera de um titulo de peso como este. Não chega a ser ruim, mas poderia ser um pouco melhor para o “sucessor espiritual de Baldur’s gate”, como a própria Bioware definiu.

Ao longo do jogo você será apresentado a uma quantidade massiva de diálogos com diferentes personagens, cada um com seu próprio sotaque e performance, sendo alguns bons e outros sofríveis. Ao menos as atuações dos membros do seu grupo são excelentes, sempre com ótimas linhas de diálogo. A trilha sonora é outro ponto forte do game, com músicas ambientadas no estilo épico de filmes de fantasia.

Incrivelmente profundo e expansivo, Dragon Age: Origins é um daqueles títulos que vai devorar dezenas de horas da sua vida e ainda deixar um gostinho de “quero mais”. O fato de a Bioware incluir um DLC (conteúdo para download) no dia do lançamento, que adiciona um personagem novo para o seu grupo e uma nova missão, prova o comprometimento deles com a atualização desse mundo. Esse é o tipo de jogo que os fãs de RPG de fantasia medieval estavam esperando, com um mundo totalmente novo e um fator replay colossal.

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