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Sendo direto e reto, o mercado de jogos japoneses envolvendo garotinhas adolescentes é muito tóxico. Para os otakus e os acostumados a esse universo, isso já é normal de se ver, mas sabemos o quanto as demais pessoas olham torto para esses games. Não é para menos, é cada coisa que aparece que o alerta já fica ligado antes de você sequer ver do que se trata. Nadando contra essa maré, Atelier Ryza: Ever Darkness & The Secret Hideout é um belo contraste a esse tipo de título, trazendo enredo e jogabilidade ótimos.

Sendo o vigésimo primeiro jogo de uma série que se iniciou em 1997, no PlayStation, não se preocupe pela enorme quantidade de versões anteriores. Com uma história nova, num ambiente novo e com muita aventura, a Gust Corporation e a  Koei Tecmo trouxeram um jogo muito bem-consolidado e com várias mecânicas que poderão agradar a qualquer apaixonado por JRPG com bastante humildade.

Nada de fim do mundo por aqui

Atelier Ryza: Ever Darkness & The Secret Hideout não começa com uma história megalomaníaca ou ameaças gigantescas. Conhecemos Reisalin Stout, ou Ryza para os íntimos, que junto aos amigos Lent e Tao quer viver aventuras e descobrir o que há em volta da ilha que vivem. Simples assim. Acontece que eles não possuem treinamento algum para isso e tomam a maior surra, correndo um grave risco de perderem a vida.

Aí entra na história o par de viajantes, Empel e Lila. Em um instante, exterminam a ameaça e mostram suas grandiosas habilidades, com Empel na alquimia e Lila no combate. A partir disso, Ryza se empolga para aprender alquimia e poder fazer mais em prol da proteção dos amigos, enquanto os outros dois também vão atrás dos viajantes para impulsionarem seu conhecimento e habilidades.

Imagem do jogo Atelier Ryza
Ryza é uma personagem cheia de energia e sonhos.

Gostaria de ressaltar aqui o quanto a interação dos personagens é importante nesse game. Tanto entre eles quanto com toda a vila ao redor, cada um parece estar cheio de personalidade e atitude. O enredo, que começa minimalista, dá um espaço gigantesco para aproveitamento de cada um e em como seus atos afetam os demais. Em momento algum existe algo que não tenha uma forte motivação ou que não se encaixe com a história, entregando a você algo muito verdadeiro e que vai gerar risos ou preocupações.

Porém nada disso existiria sem uma mecânica que entretivesse e prendesse você ao Atelier Ryza. Os combates seguem a linha de RPG de turnos em tempo real, com uma escala de velocidade entre os personagens. E essa não é a cereja do bolo. Implicando o sistema AP, conforme você atinge os inimigos com golpes comuns, mais pontos garantem que consiga soltar um especial. Isso sem contar os golpes em conjunto e os famosos movimentos que aceleram, atrasam ou até param a velocidade dos oponentes.

Imagem do jogo Atelier Ryza
O sistema de combate é cheio de elementos complexos.

Neste mesmo sistema de AP, atingindo 10 pontos você alcança um nível onde pode desferir dois golpes comuns por turno. A princípio, os inimigos serão iguais e sem variedade alguma, porém com o avanço serão descobertos novos monstros e chefões que desafiarão ainda mais a sua habilidade e perspicácia. Mas vou afirmar para você, as lutas não são a parte mais importante daqui, o que faz você questionar o RPG.

FullRyza Alchemist

O foco principal de Atelier Ryza é a alquimia. A protagonista tem de buscar materiais, ajudar os moradores da vila com suas habilidades, montar armas, criar itens de cura e de ataque e isso exige um vasto conhecimento. Conforme vai avançando e subindo de nível, mais materiais surgem ou são conquistados e isso abre um leque imenso de novas obras a serem feitas. Um destaque que faço aqui é que cada item de coleta, seja machado, foice, martelo, entre outros, desbloqueia coisas diferentes, então num mesmo local você pode ter uma variedade imensa de novas possibilidades.

Baseado nesse centro, tudo no jogo gira em torno deste sistema. Suas expedições e missões, em sua esmagadora maioria, são para reunir novos componentes para criar itens que ajudarão a própria Ryza e os demais a progredir. Pode parecer até meio bobo, mas o sistema de criação é bem complexo e aprender a utilizá-lo com maestria tomará parte do seu tempo e do seu inventário. Quanto mais evoluir nisso, mais fácil será a sua progressão.

Imagem do jogo Atelier Ryza
A alquimia é bem diferente do que vemos em certos animes.

Porém a progressão pode ser algo bem demorado e vai desafiar até os mais pacientes. O tutorial, que te apresenta as mecânicas básicas e o que você precisará saber para continuar, leva no mínimo 5 a 6h de jogo. E não estou sendo exagerado. Cada trecho da história te arrasta a um novo método ou uma nova abordagem, o que te faz se sentir bastante entediado. Explorando as áreas e treinando para subir de nível, essa quantidade de horas passa fácil das oito horas.

A quantidade de diálogos e cutscenes em Atelier Ryza também pode incomodar alguns jogadores. Em alguns momentos isso é bacana, como nas viagens marinhas onde os personagens conversam entre si algo que aconteceu no enredo. Porém há vários momentos que você deseja jogar ou tem trechos que facilmente poderiam ser deixados nas suas mãos, mas que cortam para uma cena a parte. Óbvio que essa reclamação é o cerne das dificuldades dos JRPGs nas últimas gerações, mas poderiam ser facilmente contornáveis.

Imagem do jogo Atelier Ryza
A quantidade de diálogos e cutscenes desmotivam.

Com os ingredientes certos

Por outro lado, graficamente, o jogo agrada bastante, trazendo uma animação de qualidade e com tudo muito colorido. Você está numa ilha, com uma diferença grande de pessoas, com protagonistas cheios de vida e isso se reflete no mundo ao redor. Em certos momentos você se sente num belo anime que te permite explorar seu mundo livremente e tentar desvendar os seus mistérios.

Outro grande acerto é a sua sonoplastia. Todos os personagens são dublados e com falas muito bem sincronizadas, oferecendo um aprofundamento ainda maior no que rola na tela. A trilha sonora também é outro show, com uma abertura que mostra exatamente o que sentirá jogando, com músicas que alternam a cada localidade distinta e tudo isso combinando de forma alinhada.

Imagem do jogo Atelier Ryza
O jogo é um grande JRPG e merece ser apreciado por todos.

Atelier Ryza: Ever Darkness & The Secret Hideout não é um título ambicioso ou que pretende figurar entre os melhores RPGs da geração, mas devia estar entre eles. Com sua simplicidade, embasada numa mecânica complexa e que não possui defeito algum, tanto os protagonistas, os monstros e as histórias vão te cativar para esse universo e trazer uma experiência bacana para você.

Apesar do tutorial prolongado e dos vários cortes, é um título que merece uma chance e jogar não te fará se arrepender de forma alguma. Tanto para os apaixonados pelo gênero quanto para quem busca um game para relaxar e esquecer um pouco da vida aí fora, o jogo é um belo respiro entre a megalomania e excentricidades dos AAA, e te joga num lugar onde poderá reaprender a dar valor às coisas do dia-a-dia e suas relações.

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