O conceito de mortalidade tem sido constantemente desafiado na ficção científica, e esse debate ganha novos contornos quando a própria consciência pode ser transferida e descartada. ReBlade: Death Spiral é uma aposta de narrativa cyberpunk na qual a morte não é o fim, mas sim o começo de mais uma etapa — um ciclo que só estará completo após derrotarmos aqueles que tramam o fim definitivo da nossa existência.
Em ReBlade: Death Spiral, o jogador controla uma ciborgue marcada para a destruição e o descarte iminente. No entanto, sua vontade de viver se prova maior do que a conformidade com o próprio destino. Por conta disso, a protagonista se revolta e parte em busca de respostas para a sua mortalidade cibernética, mesmo sabendo que essa jornada em ReBlade: Death Spiral estará recheada de obstáculos mortais.
Ao seguir essa heroína sem nome por um universo que mistura lendas orientais com o futuro tecnológico, percebemos como monstros e demônios do folclore chinês se adaptaram ao inevitável: fundiram sua carne ao cromo e a próteses biomecânicas, tornando-se algo ainda mais aterrador. Resta ao jogador enfrentar essas criaturas em combates rápidos e alucinantes no estilo Metal Gear Rising.

A proposta de ReBlade: Death Spiral até o momento se mostra direta e acessível, com poucas mecânicas verdadeiramente complexas, mas entregando um combate equilibrado e divertido. Utilizando principalmente os botões RB e RT do controle do Xbox para ataques rápidos e fortes, respectivamente, o jogador enfrenta diversos tipos de inimigos humanoides e seres baseados no folclore chinês.
O sistema de câmera do jogo remete à perspectiva isométrica, posicionando-se um pouco acima da personagem, sem chegar a ser uma visão totalmente superior. Diferentemente do título usado como comparação, em ReBlade: Death Spiral nossa heroína não precisa direcionar a defesa para o mesmo lado do ataque inimigo. Para se proteger, basta pressionar o botão A no momento exato, o que abre margem para contra-atacar ou até mesmo defletir projéteis de volta aos adversários.
A estrutura de ReBlade: Death Spiral funciona por meio de áreas exploradas em rotas de combate. Trata-se de arenas com um número predeterminado de inimigos, além de segredos e baús com itens que concedem melhorias no hub acessado durante os intervalos entre as mortes da protagonista. Para além dos cenários de batalha, o jogo traz ferreiros e lojas que surgem aleatoriamente durante a seleção de caminhos.

Esses estabelecimentos vendem itens de melhoria para a base ou minerais que podem ser utilizados no ferreiro do jogo. Além disso, há novas armas à venda que alteram atributos passivos da personagem e modificam a habilidade ativa acionada ao segurar o botão de ataque forte. Em ReBlade: Death Spiral, tais habilidades causam um dano considerável e podem até mesmo deixar os oponentes estagnados.
Alcançar esse estado de estagnação é algo que o jogador deve buscar constantemente em ReBlade: Death Spiral, pois ele abre brecha para um ataque devastador capaz de eliminar inimigos comuns instantaneamente ou drenar uma grande fatia da vida dos chefes. Para isso, o título exige aparos perfeitos e o domínio dessa mecânica para sobreviver contra adversários mais fortes, capazes de derrubar a ciborgue em pouquíssimos acertos.
Apesar da premissa interessante e do ritmo acelerado, admito que esta prévia de ReBlade: Death Spiral não me cativou por completo com o que apresentou até agora. Embora a jogabilidade seja divertida e desafiadora em certos momentos, ainda há aquela sensação de combate flutuante e de pouco impacto nos golpes. Além disso, o fato de a narrativa permanecer excessivamente vaga dificultou minha conexão com a aventura da ciborgue sem nome. Resta torcer para que os ajustes no corpo de cromo de nossa heroína cheguem afiados na versão final de ReBlade: Death Spiral.


