Um planeta hostil, envolto em muitos mistérios, que se transforma a todo instante e ainda conta com um eclipse solar que acaba com o humor de todos por aqui: é isso que encontramos à primeira vista em Saros. Sua estrutura e enigmas não escondem de onde vêm e talvez nem queiram. Na verdade, essa nova história surge quase como um convite amigável após os desafios infernais de Returnal.

Desde o primeiro momento, Saros, o novo jogo da Housemarque, se apresenta como uma evolução direta do que vimos na jornada de Selene Vassos. Combate rápido, um espetáculo de tiroteios frenéticos, estrutura roguelite (em vez de roguelike), revelações que surgem aos poucos e um mundo que insiste em se reinventar a cada tentativa. Tudo isso acompanhado de visuais e trilha sonora de cair o queixo.

O sol eterno de Saros

Saros apresenta uma ficção científica que se passa no planeta Carcosa. Neste lugar, a Soltari, uma empresa de extração de minérios, mantém uma base com equipes responsáveis por realizar o árduo trabalho. Arjun Devraj é um executor, membro da equipe Echelon IV. Seu trabalho é garantir que nada atrapalhe as extrações, o que significa que nenhum habitante do planeta deve impedi-lo de cumprir seu objetivo.

Porém, antes desta equipe chegar, outros colonos estiveram ali e desapareceram misteriosamente, deixando rastros de que o local não é apenas lar de criaturas hostis. O próprio terreno parece sofrer uma espécie de metamorfose e, além disso, o sol exerce efeitos drásticos sobre o planeta. Mesmo sem orientação da Soltari, a equipe busca respostas para encontrar os colonos. Mas essa jornada sob a influência do eclipse pode trazer mais perguntas do que respostas e levar toda a expedição a uma verdadeira loucura.

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É dentro desse contexto que acompanhamos Arjun, nosso protagonista preso em ciclos de morte e retorno. O mais interessante é observar o quão confuso ele se torna ao notar esses ciclos se repetindo. Aos poucos, suas memórias se misturam com suas ações, complementando o enigma e evidenciando o quanto ele pode se perder em uma espécie de loucura ao buscar respostas pessoais.

Na prática, Saros nos leva a um shooter em terceira pessoa com elementos de bullet hell dentro de um roguelite que tenta ser mais convidativo. Se comparado ao título anterior da Housemarque, a principal mudança está na forma como o jogo lida com a morte. Se antes cada falha representava um recomeço quase absoluto, aqui ela passa a funcionar como continuidade, fazendo parte da construção da narrativa e do próprio mistério.

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O planeta Carcosa é grandioso. De cara, é impossível não se impressionar com os visuais e todos os detalhes. Honestamente, não é algo totalmente diferente, mas ao mesmo tempo é tão inédito e cheio de simbologias que surpreende. Graças ao DualSense e suas vibrações táteis, você consegue sentir o terreno e os movimentos de Arjun, tornando a experiência ainda mais envolvente e instigante.

Apesar de não ser dividido exatamente por fases, há uma separação por áreas que, aos poucos, deixam clara sua estrutura. Mesmo que cada jogada seja diferente, alguns momentos importantes se mantêm. Na primeira área, por exemplo, é necessário progredir até um mini-chefe, ativar o Eclipse, enfrentar outro inimigo corrompido e, por fim, derrotar o chefe principal. As demais áreas variam esse roteiro, mas não fogem muito dessa lógica.

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O que realmente transforma a experiência são as mudanças do terreno. Há diversos puzzles, coletáveis em áudio, texto e hologramas, além de artefatos para aprimorar atributos e armamentos. Tudo muda quando o eclipse chega: os inimigos ficam mais agressivos e os artefatos podem surgir corrompidos. Mesmo oferecendo vantagens, também trazem efeitos negativos, às vezes até reduzindo sua barra de vida. Isso exige estratégia constante na preparação para avançar.

Carregando suas melhores armas

Arjun pode carregar apenas uma arma por vez. Embora existam diferentes opções espalhadas pelo mapa, é necessário escolher bem. Há modelos com tiros inteligentes, ricochetes, lasers e outras variações, que ainda podem ser aprimoradas com artefatos. Os combates lembram o ritmo de Doom, enquanto os projéteis remetem ao estilo visual de Nier.

Além da arma principal, há a proeminência, um poder que surge como um feixe de luz no braço de Arjun. Trata-se de uma arma poderosa, porém limitada, que pode ser evoluída. Para carregá-la, é necessário absorver projéteis inimigos com o escudo, uma mecânica interessante que conecta defesa e ataque.

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Os inimigos são variados e exigem adaptação constante. Mesmo ao entender seus padrões, as mudanças do ambiente obrigam o jogador a se reajustar. Quando corrompidos pelo eclipse, os combates ficam ainda mais intensos e claramente, mais divertidos. É aqui que dash e escudo mostram todo seu potencial.

Os puzzles seguem essa mesma lógica, muitas vezes exigindo precisão e agilidade. Apesar disso, tanto combate quanto exploração são extremamente satisfatórios. As runs são equilibradas, oferecendo respiro e reforçando a sensação de progresso, principalmente com os coletáveis que expandem a história.

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O jogo exige estratégia. Nem sempre esquivar é suficiente, muitas vezes será necessário defender para carregar seus poderes. As cores dos projéteis ajudam a identificar o momento certo para cada ação. Alguns obstáculos também podem ser destruídos com a proeminência, o que adiciona outra camada tática. Além disso, esse poder também permite eliminar corrupções causadas em seus atributos e até fisicamente pelo eclipse. No fim, Saros oferece diversas formas de alcançar um bom desempenho, e descobrir cada uma dessas possibilidades é parte da diversão.

Uma morte inevitável

Ao morrer e sim, você vai morrer. Arjun retorna à base em meio ao mistério. O lado positivo é que as Lucenitas (que são os recursos extraídos para a Soltari) e os coletáveis de história são mantidos. Esses registros ajudam a avançar na missão e interagir com outros membros da equipe, mesmo que você tenha falhado várias vezes na mesma área.

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Isso cria uma sensação constante de progresso, inclusive algumas cenas misteriosas aparecem a cada derrota, o que também ajuda a reduzir a frustração da perda. Pelo contrário: dá vontade de tentar mais uma vez. O ritmo é envolvente e viciante, aquele clássico “só mais uma tentativa”.

Para evoluir, a Soltari oferece recompensas em troca de Lucenitas e outros itens que você coletar. Existe um amplo sistema de aprimoramentos que fortalece o personagem. Assim, a morte se torna parte do crescimento e faz jus as frases de chamada do jogo: você retorna mais forte.

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Os upgrades incluem aumento de resistência, possibilidade de armas e atributos melhores, itens iniciais e até uma segunda chance, característica que pode incomodar jogadores mais puristas, mas funciona bem como opção, sem eliminar o desafio. É interessante que em certo ponto você pode ser impedido de evoluir até que derrote um chefão, isso entra como requisito para desbloquear novos aprimoramentos.

Um roguelite ainda mais acessível?

Em certo ponto, o jogo também permite personalizar a experiência das runs, ajustando, por exemplo, quantidade de inimigos e variedade de itens. É um convite claro para jogar do seu jeito. As opções de acessibilidade também incluem ajustes visuais para os projéteis inimigos, facilitando a leitura em combate e ainda diversas assistências como mira e queda.

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Durante as runs, novas áreas vão sendo desbloqueadas com habilidades como ganchos, plataformas de salto e sistemas de deslocamento em forma de raio que até me lembraram de Super Mario Odyssey. Isso garante variedade, novas surpresas e incentiva o replay.

Uma história cheia de simbologias

Saros constroi sua narrativa muito além da superfície. Apesar da missão em um planeta hostil, existe uma camada mais íntima que se revela aos poucos, especialmente em momentos contemplativos, como as cenas na praia. Elas não funcionam apenas como lembranças, mas como fragmentos de algo que Arjun não conseguiu deixar para trás.

Existe um contraste constante entre o caos e esses momentos mais calmos e é justamente nele que o jogo sugere que há algo mal resolvido, não só no planeta, mas dentro do protagonista. Sem respostas diretas, Saros trabalha a repetição como mecânica e também como tema, isso é um de seus maiores acertos. A jornada parece movida por algo além da missão: uma busca silenciosa ligada à culpa, à perda e à dificuldade de seguir em frente.

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Existe uma tendência de comparar Saros diretamente com Returnal, o que faz sentido à primeira vista. Mas, ao aprofundar, essa leitura se mostra limitada. Saros não é uma réplica, ele reorganiza ideias. Sua narrativa é menos fragmentada e mais emocionalmente direcionada, focando menos no mistério e mais no conflito interno do personagem (o que também acaba sendo um tanto misterioso).

Da mesma forma, algumas leituras mais superficiais acabam reduzindo a história a elementos isolados dos personagens, ignorando o que o jogo constroi ao longo da jornada. Saros não discute relações de forma literal, novamente, ele explora temas como perda, repetição e dificuldade de seguir em frente. Quando observado por esse ângulo, o que parece simples ganha força, revelando uma narrativa que depende mais da sensibilidade do jogador do que de explicações diretas.

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Somando tudo isso: mecânicas, exploração, narrativa e combates luminosos que lembram um espetáculo constante de fogos de artifício, vemos um jogo que equilibra muito bem uma jogatina extremamente ágil e empolgante com uma história que pede sensibilidade. Assim, fica difícil negar: viver esse ciclo em Saros é extremamente divertido e vale cada tentativa.

95 %


Prós:

🔺O combate é frenético, ágil e extremamente divertido
🔺A progressão constante incentiva novas tentativas
🔺A narrativa é simbólica e bem construída
🔺Faz um belo uso de áudio, trilha e feedback tátil
🔺Tem variedade de builds, artefatos e estratégias
🔺 A estrutura é acessível, mas sem comprometer o desafio

Contras:

🔻Estrutura das áreas pode soar repetitiva com o tempo
🔻Algumas acessibilidades podem incomodar jogadores mais hardcore

Ficha Técnica:

Lançamento: 30/04/2026
Desenvolvedora: Housemarque
Distribuidora: Sony Interactive Entertainment
Plataformas: PS5

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