Desde o seu lançamento, The Last of Us foi fonte de inspiração para vários jogos com a temática de paternidade. Death Stranding seguiu no encalço como um grande sucessor da fórmula, onde vimos Sam e B.B. cruzando a América. Não querendo ficar de fora, a Capcom trouxe Pragmata, um jogo que, desde seu trailer inicial, vinha deixando os jogadores curiosos sobre qual seria a história a ser contada.
Algumas ideias foram retrabalhadas em relação ao primeiro trailer lançado, porém a ideia central se manteve a mesma. Este é o primeiro trabalho de Yonghee Cho como diretor interino, que já é conhecido por outras excelentes participações como diretor de arte ou modelista em títulos como Nier: Automata, Bayonetta 2, Resident Evil 3 Remake e um dos meus favoritos, Metal Gear Rising: Revengeance. Terá Pragmata roubado o holofote de Cho em seus trabalhos anteriores?
A solidão está sempre acompanhada
Pragmata abre com a chegada de Hugh, James, Nicholas e Ken à base lunar da Delphi, a empresa responsável por um dos avanços tecnológicos mais importantes da humanidade: o Lunafilamento, ou LNA. Esta tecnologia revolucionária, descoberta após anos de estudo do mineral chamado Lunum, encontrado na Lua, permitiu à humanidade dar um grande salto tecnológico.

Hugh e sua equipe são enviados à Lua para descobrir porque o local parou de se comunicar com a Terra, realizar reparos necessários e reportar para a empresa toda e qualquer suposta alteração no local. No entanto, o local aparentemente está abandonado e extremamente danificado. Com a ajuda de um bot criado instantaneamente em um replicador de Lunafilamento, eles pedem para serem levados adiante, passando pelos escombros.
Enquanto o bot abre caminho, um abalo sísmico atinge o local e joga todos no subsolo, onde são separados uns dos outros. Hugh está prestes a morrer por avarias em seu traje espacial, porém uma garotinha aparece e o salva. A jovem misteriosa consegue manipular o LNA e repara o traje de Hugh. Mas ele não está seguro: o bot que estava com eles logo é manipulado pela inteligência artificial principal da estação lunar, chamada IDUS (Sistema Inteligente de Direção Unificada).
Sua carapaça externa de Lunum se mostra resistente às balas de Hugh, porém a jovem consegue facilmente hackear a máquina, expondo sua musculatura e sistemas, permitindo a Hugh se livrar do obstáculo rapidamente. Seus parceiros gritam pelo comunicador antes de serem todos mortos. Hugh está sozinho e, aparentemente, não há mais nenhum outro humano no local. Agora ao seu lado está uma maravilha da tecnologia: uma Pragmata.

Os primeiros passos da infância
O nome da nossa jovem companheira é D-I-0336-7. Por ser um nome muito longo e complicado, Hugh a chama de Diana. Ao lado dela, Hugh irá descobrir o que ocorreu na estação lunar, além de saber mais sobre si mesmo e alguns dos segredos da vida que jamais pensou em experimentar. Diana também irá aprender muito com seu novo amigo e guardião, seja sobre o que é ser humano, sobre o que é ser uma criança e, o mais importante, sobre o que é estar vivo de verdade.
O primeiro passo de Hugh é chegar ao local chamado de Berço. É onde ele e Diana podem descansar e aprimorar seus equipamentos gastando filamentos de Lunum e recursos de melhoria. Com Lunafilamentos, Hugh pode criar armas e módulos para os hackings da jovem Pragmata, além de melhorar seu traje e seus sensores. Mas com o passar do tempo, além dos Lunafilamentos, ele precisará de núcleos de Lunum puro. Os recursos de melhoria aprimoram o traje, os pontos de vida, a arma principal e o dano e velocidade dos hackings de Diana.
Inicialmente o Berço é bem vazio, mas com o avanço na história Hugh e Diana encontram os LNMs, que são fragmentos de locais e móveis da Terra, criados para fazer com que as pessoas na Lua se sintam mais próximas de casa. Com estes LNMs, a jovem Pragmata lentamente começa a entender e agir cada vez mais como uma criança da Terra, experimentando coisas como brinquedos, acampamentos e até mesmo o que seria seu maior sonho: o oceano.

O Berço se torna mais avançado com o passar do jogo quando Cabin, um mascote da empresa, surge. Ele apresenta à Hugh uma cabine de treinamento que, além de deixá-lo mais hábil, permite que ele ganhe fichas de bingo que podem ser trocadas por trajes, informações, módulos de hack, nódulos de upgrade e documentos secretos que contam a história através de um terceiro em Pragmata.
Se tornando uma máquina de guerra
Os bots humanoides são os primeiros inimigos que enfrentamos em nossa aventura lunar, mas estão longe de serem os únicos. Não foram apenas os movimentos erráticos dos zumbis da série Resident Evil que serviram de inspiração; os bots são verdadeiras armas que utilizam o corpo humanoide como base, mas transformam isso em um verdadeiro show de evolução e horrores.
A mecânica de gameplay combina esse fator de terror do vale da estranheza com um sistema que exige foco, atenção e desempenho do jogador. Em Pragmata, apenas mirar e atirar não vai salvá-lo. O jogador precisa estar razoavelmente próximo do inimigo, o que irá abrir uma tela de hacking. Nesta tela você deve mover o cursor através de símbolos que parecem portas até acionar o comando. Isso fará com que o exoesqueleto dos bots se abra, causando muito mais dano à eles.

O jogador, no Berço, pode criar diferentes nodos de hack, que aparecem pelos inúmeros e sinuosos labirintos de hacking, cada qual causando um efeito diferente, seja eletrocutar os inimigos, confundi-los (fazendo-os lutar entre si), diminuir ainda mais a defesa ou superaquecer. Este último é representado por uma barra abaixo da vida dos bots; quando cheia, eles caem e permitem que Hugh execute um tiro crítico, um disparo mais próximo e mais potente, capaz de destruir até mesmo bots fortes em um só disparo.
Com o passar do tempo, Diana também desbloqueia nodos especiais que podem causar dano, aquecer e eletrocutar, além de poder usar sua força de Pragmata ao máximo quando enche a barra de hacking. Quando esta barra está cheia, ela pode disparar um poderoso ataque em área que imobiliza e abre todos os exoesqueletos dos inimigos, permitindo que Hugh use suas diferentes armas para derrotá-los rapidamente.
Avançando pelo conhecido jamais visto
Ao longo de sua jornada ao lado de Diana, Hugh irá ver cenários alienígenas e familiares. Um exemplo disso é a cidade semelhante a Nova York, mostrada no primeiro trailer de Pragmata há cinco anos. O lado alienígena da coisa, no entanto, está na interminável onda de bots que IDUS. envia para matar Hugh e no quão descontrolado o Lunafilamento começa a se mostrar pela base lunar. Com o passar do jogo, é possível ver até mesmo a bizarra variante do elemento, chamada de Necrofilamento.

Esta vertente bizarra pode infectar alguns bots, sendo necessário que Diana os purifique, adicionando uma nova camada de proteção e desafio para o jogador. Afinal, caso tente hackear um bot infectado, eles criam nodos roxos que atrasam o processo. Além de bots, o Lunafilamento e o Necrofilamento podem criar barreiras que impedem que o jogador encontre segredos, como baús de recursos, LNMs espalhados pelo mapa e nodos de armadura de Hugh, que garantem pequenos buffs.
Enquanto explora o local com Diana, Hugh encontra uma segunda Pragmata que irá auxiliá-los e, com o passar da narrativa, descobrirá que nem tudo é o que parece ser na Lua. Aqui entra um dos poucos pontos negativos de Pragmata, que é sua narrativa um tanto quanto apressada. Certos elementos da história deveriam ter tido um tempo maior para florescer e desabrochar em narrativas mais profundas e complexas.
Pragmata se divide em cinco grandes áreas, cheias de desafios, puzzles e inimigos, mas que podem ser vencidas rapidamente. Tal qual sua companheira de empresa, a série Resident Evil, Pragmata é curto, por assim dizer, mas não tão bem elaborado em narrativa quanto a série dos cadáveres reanimados. Isso, no entanto, não quer dizer que a história seja ruim, mas que é mais uma história de um pai e uma filha se conhecendo do que uma verdadeira trama sobre IAs malignas e ameaças espaciais.

Inimigos sem fim?
Hugh mesmo com sua armadura futurista e resistente, não é imortal; por isso é preciso abusar do sistema de dash e esquivas, utilizando seus propulsores. Mas cuidado, saltar, desviar e flutuar com os propulsores gasta seu combustível e isso pode o deixar vulnerável a ataques. Os níveis de Pragmata são bem longos e não há itens de cura comuns, apenas unidades que Hugh carrega consigo. Mais cilindros podem ser encontrados pelos níveis e ganhos em cartelas de rifa, porém eles não são recarregados até que voltemos para o Berço.
Com isso, Pragmata oferece a cada transição de área uma escada que leva de volta ao Berço e serve como ponto de partida quando o jogador retorna. Porém, sempre que acessa o Berço e retorna ao nível, todos os inimigos já derrotados também retornam. Ou seja, é uma boa tática para farmar Lunafilamentos em momentos de dificuldade.
Pragmata é desafiador, porém razoavelmente curto, mas o jogo compensa o jogador de três formas após a finalização. Primeiramente há o Novo Jogo+, que permite voltar com todos os itens já melhorados. Há também uma nova dificuldade, chamada Lunática, que torna os inimigos mais resistentes e violentos, além de aumentar seu contingente: um verdadeiro desafio.

A última recompensa é o conteúdo extra chamado Sinal Desconhecido. Esse capítulo transporta Hugh e Diana para um misterioso local chamado Câmara Oculta. Aqui há dez cápsulas semelhantes às de treino, sendo liberadas apenas após certas condições serem completadas, gerando um novo mapa do jogo original com versões corrompidas de inimigos e chefes. Após desbloquear as câmaras, é possível jogar os desafios delas e ganhar novas recompensas, tais como novas roupas e a arma mais poderosa do jogo.
Lindo, rápido e leve
Mesmo tendo uma máquina potente, ainda não tenho uma placa da série 50, e admito que acreditei que minha 4060 fosse arregar para Pragmata. A resposta, no entanto, foi outra: o jogo rodou perfeitamente o tempo todo. Até mesmo em momentos amplos como as ruas de Nova York ou a chegada à torre coberta de partículas, Pragmata sequer esquentou meu computador.
O jogo traz um ray tracing impecável e cenários extremamente detalhados. Os mapas são amplos e permitem vasta exploração, seja em locais como a estufa, com sua praia ensolarada e densa floresta, ou nos túneis subterrâneos claustrofóbicos das minas de Lunum. É, sem dúvida, um diferencial para a experiência poder ver os reflexos de luz pelo mapa, seja em superfícies de lunarium ou nas poças d’água.

Pragmata é um dos jogos que mais gostei do começo ao fim, batendo de frente com outros favoritos que tenho. Com o tempo, percebemos que algumas experiências deixam de ser o que poderiam ter sido, e Pragmata traz uma execução que, se tivesse sido aplicada em outros games do passado, os teria tornado muito melhores.
É uma ideia nova e interessante, com designs de personagens excelentes, uma construção de mundo fantástica e um visual único. Há muitas referências visuais nos designs dos personagens e inimigos, como o chefe Louva-a-Deus, muito parecido com os insetos de Starving Anonymous. Há ainda vários outros segredos e referências a serem descobertas no brilho pálido da lua que ilumina Pragmata.
Prós:
🔺Narrativa tocante e envolvente que segura o jogador
🔺Mecânica de gameplay inovadora e desafiadora que mantém o jogador focado
🔺Alto valor de replay e uma boa quantidade de conteúdo pós jogo
Contras:
🔻História um pouco acelerada, que não desenvolve muitos elementos
Ficha Técnica:
Lançamento: 17/04/2026
Desenvolvedora: Capcom Co., Ltd
Distribuidora: Capcom Co., Ltd
Plataformas: PS5, PC, Nintendo Switch 2, Xbos Series
Testado no: PC


