Com o retorno de City Hunter aos consoles modernos, depois da adaptação feita pela Netflix, o nome de Ryo Saeba finalmente volta a aparecer nas telas, mas não como um remake de tirar o fôlego, e sim como um port respeitoso de um jogo de 1990 que, desde sempre, carregava uma reputação de cult.
Esse novo remaster, desenvolvido pela Red Art Games e publicado pela Sunsoft em parceria com a Clouded Leopard Entertainment, traz a versão original do PC Engine com um pacote de extras e recursos modernos, e cumpre o papel de documento histórico da franquia, mas sem superar a estrutura repetitiva e o design de fases confuso que já marcavam o jogo nas prateleiras daquela geração.
O herói de Shinjuku voltou
A história de City Hunter tem seu foco no famoso mercenário de Shinjuku, Ryo Saeba, justamente o personagem que, na versão de Tsukasa Hojo, se tornou ícone do detetive pervertido e perigosamente eficiente. O jogo se baseia na primeira temporada do anime, construindo uma narrativa original em que Ryo é envolvido em uma conspiração de uma megacorporação que ameaça o mundo, obrigando o protagonista a invadir prédios, reunir provas e enfrentar chefes em cada uma das quatro missões que compõem a campanha.

O enredo é simples, funcional e fiel ao espírito da obra, misturando ação, comédia com piadinhas de duplo sentido e um ar de investigação urbana, com o traço pervertido de Ryo até sendo usado como mecânica de recuperação de vida, transformando o tom de humor característico em algo integrado, ainda que não profundamente explorado, à própria jogabilidade. Narrativamente, o jogo não exige que o jogador conheça o mangá ou o anime, mas também não oferece um roteiro marcante, ficando mais no campo do fanservice para quem acompanha a franquia.
Em termos de mecânicas e jogabilidade, City Hunter é um side‑scroller de ação tradicional, com Ryo avançando por corredores de prédios, atirando em inimigos, abrindo portas e coletando itens para desbloquear a progressão. A estrutura é bastante simples, podendo escolher emtre invadir o edifício da organização criminosa, encontrar as provas necessárias e enfrentar o chefe no topo, até que a quarta e derradeira missão seja liberada, funcionando como clímax da campanha.

Os inimigos variam entre mafiosos armados, lançadores de chamas, adversários que pulam e utilizam bombas, e chefes com padrões de ataque específicos, mas a repetição da lógica de fases acaba dissolvendo essa variedade, pois o jogador logo percebe que grande parte do desafio não vem de combate estratégico, mas de simplesmente descobrir qual porta leva adiante. Não há mapa, pouca distinção visual entre portas que podem ou não ser abertas e nenhuma orientação clara, o que transforma cada fase em um labirinto de tentativa e erro, onde o grande obstáculo é o próprio design de fases, e não a habilidade de atirar ou reagir com precisão.
Um clássico de 1990, mas só para os fãs?
Entre as novidades do relançamento, o jogo entrega alguns ajustes que tentam suavizar a experiência inicial, mas sem alterar o núcleo do que foi feito em 1990. O modo Enhanced traz pequenas melhorias técnicas, com ajustes no comportamento dos inimigos e na fluidez geral, enquanto o modo Hard reorganiza padrões de ataque e posicionamento para elevar o desafio, porém sem mudar a sensação de lutas infinitas em corredores.

Há também opções de tela mais modernas, como modo 4:3, Pixel Perfect, widescreen e filtros CRT, além de recursos como save states e rewind, que ajudam a diminuir a frustração causada pelo respawn pouco planejado, em que alguns inimigos aparecem imediatamente na saída de salas, atiram de fora da tela ou causam dano em situações pouco controláveis, que podia funcionar em 1990 como forma de prolongar a duração do jogo, mas hoje acaba ficando datado. Vale ressaltar também que mesmo com diversos idiomas, infelizmente não temos uma versão em PT-BR, o que pode frustrar parte do público brasileiro.
Na direção de arte, City Hunter mantém o visual de 16‑bit típico do PC Engine, com sprites de Ryo e dos inimigos bem definidos, mas relativamente simples, e cenários de prédios que não exploram muito o visual, permanecendo repetitivos e pouco diferenciados de fase para fase. A estética é competente diante das limitações da época, mas não impressiona pelo charme nostálgico.

A trilha sonora original é agradável, levando em conta o original, com temas de batalha e de exploração que acompanham o ritmo das fases, mas o grande destaque sonoro do novo relançamento é o acréscimo do icônico tema de encerramento do anime (Get Wild, do TM Network), para ser selecionado no jukebox do jogo. Como extra, os desenvolvedores incluíram uma galeria de imagens, scans do manual original e uma versão 3D do cartão original do jogo para PC Engine, reforçando o apelo direcionado aos fãs.
A Sunsoft conseguiu fazer com que City Hunter retornasse num remaster respeitoso, tecnicamente competente, que preserva o jogo original de 1990, mas sem se preocupar com as limitações do original e sua geração. O retorno de Ryo Saeba aos consoles é uma celebração para os fãs de Tsukasa Hojo, que finalmente têm acesso a essa raridade, mas talvez para o jogador comum seja uma experiência muito breve e repetitiva. No entanto, o trabalho da Red Art Games vale pela curiosidade, nostalgia e preservação histórica.
Prós:
🔺Fiel à versão original para PC Engine
🔺Novo acesso ao clássico pela primeira vez fora do Japão
🔺Boas adições com foco em qualidade de vida
🔺Trilha sonora com Get Wild
Contras:
🔻Jogo muito repetitivo e frustrante
🔻Game Design datado e pouco intuitivo
🔻Ausência de versão em português
🔻Duração muito curta e baixo fator replay
Ficha Técnica:
Lançamento: 25/02/2026
Desenvolvedora: Red Art Games
Distribuidora: Sunsoft
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series
Testado no: PS5


