Quem nunca quis largar tudo para ir viver no mundo digital? Eram bons os tempos de The Sims, não é mesmo? Atualmente, não faltam opções quando se trata de viver uma vida assim. Nos Switchs, por exemplo, temos Animal Crossing: New Horizons, o recém-chegado Pokémon Pokopia e agora, Tomodachi Life: Living the Dream chegou para se juntar à brincadeira. Sabemos que não são jogos iguais, até possuem uma vibe semelhante, mas com características completamente únicas.
Tomodachi Life: Living the Dream resgata os Miis, aqueles famosos avatares da Nintendo, e os coloca em uma ilha inteiramente sua para criar uma cidade. Este é o novo jogo desta icônica simulação de vida da Nintendo. Os carismáticos personagens roubam a cena, e toda a estética reforça o quão único e aleatório esse universo consegue ser, mesmo dentro de uma ideia bastante explorada.
Crie seu próprio universo
Como era de se esperar, de início Tomodachi Life: Living the Dream permite criar um Mii do jeito que você preferir. Se quiser algo prático e no tom de surpresa, pode usar o menu de prompts para escolher características e ver o que o jogo gera para você. Mas, se sentir falta de detalhes, há uma lista extensa de opções para edição. Por não ser uma versão produzida exatamente para o Switch 2, não é possível usar a câmera para capturar o rosto e gerar um Mii automaticamente, como vimos no título do Nintendo 3DS.
Na construção do personagem já dá para notar o tom cômico do jogo. A estética dos Miis até tenta se aproximar de nós ou de pessoas conhecidas, mas quase sempre resulta em versões caricatas e engraçadas. Isso fica ainda melhor quando editamos os timbres de voz, há opções pré-definidas e customizáveis, permitindo encontrar algo que lembre a pessoa real, com um ritmo que torna as falas mais compreensíveis, mesmo em inglês.

Outro detalhe que chama atenção é a possibilidade de escrever como palavras ou nomes são pronunciados. É realmente divertido tentar “burlar” o inglês para fazer os residentes usarem gírias, apelidos ou nomes que soem mais naturais em português, mas o resultado é hilário. Durante a experiência, não vou negar: esses momentos me prenderam por bastante tempo, sempre rendendo boas risadas.
Com seu Mii finalizado, o mundo começa a ganhar forma conforme suas necessidades. Os balões acima da cabeça indicam pedidos: fome gera um mercado, roupas novas fazem surgir uma loja, necessidade de interação pede novos Miis. Isso mostra como o jogo evolui rapidamente logo no início, ajudando a dar ritmo à experiência, ainda que, em alguns momentos, pareça limitar um pouco as suas escolhas.
Aliás, você atua como uma espécie de “Deus” nessa ilha, cuidando de cada personagem. Atender seus desejos é o que move o jogo. Inicialmente, fiquei receoso com a liberdade de personalização de casas e paisagens, mas o que é apresentado por eles, funciona quase como um grande tutorial integrado à experiência. Com o tempo, novas opções vão sendo liberadas gradualmente.

As possibilidades de Tomodachi Life: Living the Dream
É possível mover construções e paisagens com facilidade, aqui não tem nenhum guaxinim tentando enriquecer às suas custas. No modo construção, o mapa vira uma grande maquete com uma grade que delimita os espaços. Apesar da liberdade, essa grade pode ser limitante e incomodar quem busca posicionamento mais preciso, gerando pequenas frustrações para os mais perfeccionistas.
Também é possível alterar terrenos, cores e iluminação. E se nada agradar, dá para criar seus próprios designs, abrindo um leque praticamente infinito para a criatividade. É possível desenhar alimentos, roupas, objetos, interiores, exteriores e até terrenos. Um exemplo simples: meu Mii pediu um pedaço de bolo, desenhei e pronto, missão cumprida.

Mais uma vez, vale ressaltar que o jogo foi pensado para o Switch 1. Apesar de funcionar bem no Switch 2, há limitações claras: não espere uso de mouse ou melhorias mais profundas na interação com desenho e movimentação de objetos. É uma pena, já que essa adaptação poderia ter vindo mais refinada.
Devo confessar: Marbule é o nome do meu pequeno paraíso. Nele, inseri Miis baseados na minha família, o que tornou as situações ainda mais relevantes, muitas vezes refletindo o comportamento real de cada um. O jogo também permite definir grau de parentesco, evitando situações desconfortáveis, já que relacionamentos entre personagens fazem parte da dinâmica, fica a dica.
Criando diferentes relações
É interessante notar que a Nintendo buscou ser mais inclusiva, trazendo opções como Miis não-binários e permitindo diferentes tipos de relacionamentos. Ainda assim, sinto que faltaram opções para representar pessoas com deficiência. Em um jogo que simula interações sociais e a vida cotidiana, incluir elementos como cadeiras de rodas, próteses ou aparelhos auditivos não seria apenas um detalhe estético, mas uma forma de ampliar a representatividade dentro desse universo. Isso faria muito sentido com a proposta do jogo e enriqueceria ainda mais essa simulação de vida.

Conforme mais personagens surgem, as situações começam a acontecer e o que parecia cozy rapidamente vira um verdadeiro palco de humor. Já vi Miis tropeçando, congelados, com soluços e em todos esses casos, sua “mão divina” pode ajudar. Também é possível ver sonhos, apresentações e situações completamente absurdas, como tratar dores de cabeça quebrando objetos dentro do crânio. É estranho e muito engraçado.
Apesar disso, há ressalvas. Muitas dessas situações se repetem com frequência, o que pode diminuir o impacto com o tempo. Em vários momentos, eu apenas resolvia rapidamente os problemas, o que poderia até ser automatizado. Os minigames seguem a mesma linha: divertidos, mas repetitivos.

O jogo se torna um ciclo entre editar a ilha e acompanhar a vida alheia dos personagens (ótimo para ficar por dentro da fofoca). Nesse meio tempo, é preciso manter o cuidado constante: alimentar, incentivar interações, atender pedidos e participar de atividades diversas como quizzes, boliche e outros minigames.
Realizando desejos
Tudo isso gera recompensas em forma de moedas, utilizadas na fonte dos desejos. Ao evoluí-la, novos itens são desbloqueados nas lojas, desde roupas até opções de personalização. Além disso, é possível coletar o dinheiro acumulado diariamente nesta fonte.
Os Miis também evoluem, ganhando níveis e permitindo escolher presentes que ajudam a moldar suas personalidades. Cada personagem possui uma ficha com gostos, relações e preferências, o que exige atenção para não errar nas escolhas e mantê-los felizes.

Além disso, há o jornal da ilha, que transmite novidades como uma espécie de plantão da Globo, e permite revisar acontecimentos ao retornar ao jogo (quando tiver o prédio do jornal inaugurado). Esse é só um pequeno recorte do que Tomodachi Life: Living the Dream oferece. Na prática, há uma grande quantidade de atividades que podem facilmente consumir horas.
Vale mencionar que é possível ter até 70 Miis na ilha, o que é, honestamente, caótico. Gerenciar tudo isso pode ser um desafio, mas também faz parte do charme do jogo e com certeza, vai render inúmeras situações divertidas.
Quanto mais Miis, melhor!
Testei o jogo em ambos os Switchs. No OLED, o serrilhado é mais perceptível no portátil, enquanto no Switch 2 o visual e o carregamento são melhores. No geral, o desempenho é sólido em ambas as versões. Não cometi a loucura de alcançar os 70 personagens perambulando pela ilha, mas fiquei curioso para saber o resultado disso em tela.

Mesmo sem um visual extremamente avançado, o jogo é bonito e tem charme. A mistura entre elementos 3D e objetos estilizados cria uma estética única. As interações com os personagens, especialmente com suas mãos gigantes, lembram desenhos como Bob Esponja, reforçando o humor visual e o no sense.
A barreira do idioma pode ser um problema: o jogo não possui legendas em português, o que impacta diretamente a compreensão de diálogos, joguinhos e piadas. Quem sabe isso venha em atualizações, e se vier, torço para que seja na qualidade que temos visto nos últimos jogos da Nintendo com piadas e gírias comuns da nossa língua.

Apesar do apelo social, Tomodachi Life: Living the Dream é essencialmente uma experiência solo. Há conexão local para troca de Miis e itens, mas nada muito robusto. Diferente de Animal Crossing: New Horizons, não há interação online estruturada.
Isso cria uma certa contradição: um jogo sobre relações sociais que mantém o jogador e seus possíveis 70 moradores isolados. Funciona, mas deixa aquela sensação de oportunidade perdida. E essa é mais uma das coisas que entram na lista de desejo, quem sabe o jogo ganhe suporte como temos visto nas ilhas Crosseiras.

Quem precisa de BBB quando pode criar seu próprio programa? Aqui, ninguém sai e a fofoca só aumenta. Porém, ao menos por enquanto, só participam desta ilha aqueles que você criar ou bebês nascidos ali. Ainda assim, a experiência de Tomodachi Life: Living the Dream é extremamente viciante e fácil de se perder por muitas horas.
Prós:
🔺É extremamente viciante e cômico
🔺Os Miis são fáceis de construir e editar
🔺A construção da ilha é acessível
🔺Tem grande variedade de personalização
🔺Te dá liberdade para desenhar objetos
Contras:
🔻Não aproveita os recursos do Switch 2
🔻Falta multiplayer online
🔻Tem situações repetitivas
🔻Falta de localização em português
Ficha Técnica:
Lançamento: 16/04/2026
Desenvolvedora: Nintendo
Distribuidora: Nintendo
Plataformas: Switch, Switch 2
Testado no: Switch 2


