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Desde que joguei Dragon’s Crown, me apaixonei pelos trabalhos da Vanillaware e devo dizer que é um dos poucos estúdios da indústria com um currículo praticamente perfeito. O fato de não terem lançado tantos jogos ao longo dos seus 22 anos de existência também ajuda, então aqui temos um exemplo claríssimo de que quantidade não é sinônimo de qualidade. Unicorn Overlord, seu título mais recente, reforça o compromisso da empresa com a produção de games que chegam para marcar.

Uma das qualidades que mais me impressionam no estúdio é sua versatilidade. Dragon’s Crown, por exemplo, é um beat ‘em up que homenageia perfeitamente os RPGs de ação da franquia D&D. Já Unicorn Overlord mistura RPG com estratégia em tempo real, colocando o jogador em uma grande guerra medieval que só poderá ser vencida pelas mentes mais ávidas e calculistas. Esse é um daqueles jogos que, quando se começa a jogar, demora um bom tempo até querermos parar.

Em busca do trono perdido

A trama do jogo traz todo o bom e velho clichê envolvendo as monarquias da era medieval, girando em torno do já famoso desejo de vingança por parte de um príncipe que teve o trono roubado de si. O protagonista da vez é Alain, um jovem que viu sua mãe – a rainha – perder sua posição para um tirano conhecido como General Valmore. Para garantir sua própria sobrevivência, o garoto acaba vivendo em exílio até atingir a maioridade, partindo em uma jornada de vingança para restaurar o reinado da sua família.

O objetivo principal do jogo é formar um exército de rebeldes para destituir o reinado de terror do Império Zenoiran, que nesse meio tempo já conquistou todo o continente de Fevrith. A história é meio boba e carregada de clichês, o que acaba tirando bastante o interesse de quem já está acostumado com esse gênero de “RPGs medievais”. Na maior parte do jogo, alguns personagens secundários carregam o enredo nas costas – mas no geral, é o tipo de game que entortamos o nariz sempre que começa uma cutscene.

O jogo até coloca algumas escolhas no meio do caminho para deixar as coisas mais interessantes, mas nenhuma delas altera o rumo da história. Sendo assim, o que torna Unicorn Overlord atrativo não é a sua trama, mas sim o gameplay. Se você chegou a jogar Ogre Battle no passado, é um título que remete bastante a esse clássico absoluto que inspirou outros jogos de peso, como Final Fantasy Tactics (meu preferido do gênero). A diferença é que o novo game da Vanillaware constrói uma identidade própria encima deste mesmo conceito, mesclando perfeitamente a proposta tática com mecânicas de estratégia.

A campanha de Unicorn Overlord é muito vasta e pode passar facilmente de 100 horas de gameplay, para quem for corajoso de fazer cada coisinha que estiver disponível. Conforme vamos recrutando novos soldados, temos a liberdade de conquistar um território maior e restaurar cidades e vilarejos que foram destruídos pela tirania do Imperador. Essas atividades paralelas nos recompensam com mais pontos para aprimorar nosso exército, então tudo que o jogo oferece acaba sendo extremamente instigante e recompensador.

Montando seu exército

O exército de Alain pode ser composto por soldados das mais variadas classes, sendo algumas já padronizadas em RPGs e outras inéditas. Cada uma possui suas vantagens e desvantagens, então cabe exclusivamente ao jogador definir quais são as melhores opções em cada combate. Nosso papel é escolher seis unidades de guerreiros para compor um grupo, além de especificar qual será a linha de frente e quais ficarão na retaguarda.

Uma vez que seu “mini-exército” estiver definido, partimos em uma jornada de expansão que assume um estilo mais voltado para a estratégia em tempo real. Aqui enxergamos o mapa-múndi e todas as unidades que estão dispostas pelas estradas; quando nosso grupo finalmente se encontra com um grupo inimigo, uma batalha se inicia. Novamente, temos mais uma mudança drástica de estilo, dessa vez assumindo o famoso 2D artístico do estúdio responsável.

As batalhas aqui são automáticas, ou seja, não temos a liberdade de controlar os soldados que estão em combate – no máximo, usar algum item ou magia que cure ou melhore seus atributos. Caso suas unidades levem vantagem sob os oponentes, a vitória está mais que garantida, já que o jogo utiliza um sistema de probabilidade para definir o vencedor. É até possível acompanhar uma barrinha que indica qual lado tem as melhores chances de levar a melhor.

Existem diversos fatores que influenciam no combate, não se limitando somente às classes ou ao nível do grupo inimigo. O terreno da batalha também é um fator fundamental, podendo dar vantagem para ataques aéreos ou prejudicar soldados que estão andando a pé, por exemplo. Além disso, todas as missões possuem limite de tempo, o que eu particularmente não gostei, já que acaba colocando uma pressão desnecessária no jogador. Tudo isso pesa no progresso, mais uma vez reforçando que a escolha das unidades certas é crucial neste jogo.

Essa é a parte mais legal de Unicorn Overlord: montar e customizar o seu exército. São tantas classes com possibilidades diferentes que é praticamente impossível definir todos os tipos de combinações. Além disso, cada soldado disponível também pode ser equipado com equipamentos diversos, o que modifica seus atributos e pode deixá-los mais eficazes. Quem dominar essa mecânica de mesclar suas tropas com astúcia vai tirar o jogo de letra.

Ao estilo Vanillaware

O visual do jogo dispensa comentários, para mim sendo um dos seus pontos mais fortes. No mapa-múndi e na gestão de personagens, temos algo mais voltado para um pixel art bem caprichado, no mesmo estilo de alguns dos títulos mais recentes da Square Enix, como Octopath Traveler e Triangle Strategy. Contudo, são nas batalhas em 2D que todo o seu charme é liberado, trazendo sprites desenhadas a mão e cenários riquíssimos em detalhes.

A variedade de cenários nos combates é realmente alta e cada um deles traz uma porção de particularidades, sendo um verdadeiro deleite para os olhos. O mesmo vale para os personagens, que seguem aquele padrão “robusto porém delicado” da Vanillaware. As animações dos guerreiros possuem menos frames do que estamos acostumados, um fator que pode gerar certa estranheza nos desavisados, mas que ainda permanece dentro da identidade visual criada pelo estúdio.

Acho que nem preciso mais me prolongar para convencer a todos de que Unicorn Overlord é um excelente jogo e mais um grande RPG lançado neste início de 2024. A história deixa a desejar, mas o gameplay consegue nos ganhar facilmente, viciando de uma forma que nem mesmo a repetição quebra o clima. Nem preciso dizer que é um título obrigatório para os fãs do gênero, não é mesmo?  

92 %


Prós:

🔺 Gameplay altamente viciante
🔺 Sistema de classes profundo e extremamente variado
🔺 Incentiva o jogador a pensar fora da caixinha e elaborar novas abordagens
🔺 Visual encantador e rico em detalhes, no melhor estilo Vanillaware

Contras:

🔻 A história é boba e repleta de clichês
🔻 As escolhas da campanha não alteram o rumo da história
🔻 O limite de tempo nas missões é algo descartável

Ficha Técnica:

Lançamento: 08/03/2024
Desenvolvedora: Vanillaware
Distribuidora: Sega/Atlus
Plataformas: PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series, Switch
Testado no: PS5

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