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Eu estava com saudades de jogos como F.E.A.R. Quando vi o trailer de Trepang2, fiquei bastante animado com a possibilidade de jogar um FPS semelhante, com muita ação em câmera lenta. O indie da Trepang Studios, distribuído pela Team17, faz uma bela homenagem à franquia da Monolith Productions e outros clássicos do gênero, embora tropece em detalhes técnicos que atrapalham a experiência.

Na trama, o protagonista “106” não se lembra de nada e precisa escapar do complexo da Horizon Corporation, onde está encarcerado por muito tempo. Após fugir e ser resgatado pela Força Tarefa 27, uma nova missão lhe é confiada: se vingar da Horizon e seu diretor, Anton Lazar, que está promovendo pesquisas científicas nada ortodoxas que podem colocar o mundo em perigo.

Como habilidade, você pode desacelerar o tempo para ganhar vantagem de mira em meio ao tiroteio, bem como esquivar escorregando, dar voadora, fazer um inimigo atordoado de escudo humano, usar duas armas ao mesmo tempo, dentre outros exemplos. O gameplay funciona super bem, só não espere nenhuma novidade. O diferencial ocorre apenas com algumas armas modernas, já que a história se passa na década de 2030.

Trepang2
Sangue é o que não faltará durante o espetáculo em câmera lenta

Um indie amparado por criações antigas

Trepang2 é um experimento cujo DNA possui 80% de F.E.A.R. e o restante vem de jogos como Crysis, Wolfenstein, Call of Duty e Doom Eternal. No aspecto F.E.A.R. temos o efeito slow-mo, a violência dos combates e as criaturas sobrenaturais. A influência de Crysis vem com o famoso “Cloak Engaged”, habilidade que permite ficar invisível temporariamente. Lembra Wolfenstein por permitir carregar duas armas iguais. Já o lado Call of Duty fica evidente com os upgrades das armas e as caixas de suprimentos que funcionam como loja. E Doom Eternal cede sua influência na trilha carregada de metal.

O problema é que logo a primeira missão, a mais importante para manter o jogador empolgado e querer seguir em frente, é justamente a mais fraca. Um labirinto de escritórios e corredores sem sentido, com ambientação nada criativa e iluminação dura, mal aproveitada. E olha que o jogo foi feito na Unreal Engine 4, heim! Por ironia, Trepang2 roda com problemas frequentes de performance, sofrendo várias quedas de frames até com uma GeForce RTX 3060. E não adianta ligar o DLSS. Testei todas as possibilidades e não consegui fazer o jogo rodar liso 100% do tempo.

É estranho que isso aconteça, ainda mais se comparado ao F.E.A.R. original, um jogo de 2005 que já possuia efeitos visuais incríveis, inclusive na iluminação. Mas, sinceramente, eu não ligaria tanto para os detalhes visuais se o level design fosse caprichado. A ambientação das missões é, na maior parte do tempo, sem inspiração e com repetição de assets. Porém nada supera a sensação de estar andando em labirintos o tempo todo, com o jogador tentando achar o objetivo – que nem sempre fica claro. E há momentos em que você é obrigado a matar todos os inimigos em uma área para que uma porta seja destrancada.

Trepang2
Trepang2 traz alguns chefões, incluindo esse monstro aí

Começa fraco, mas depois melhora

Passado a primeira missão da campanha, as coisas começam a ganhar força em termos de diversão. O jogo segue simples, mas apresentando coisas novas como inimigos diferentes e mais armas. Você pode concluir apenas as missões principais da campanha ou intercalar com missões secundárias disponíveis no mapa da base, que trazem objetivos como hackear terminais e alvos específicos para abater, que funcionam como sub-chefes e dão mais de trabalho para eliminá-los.

Por falar na base, nela você encontra um simulador de combate que oferece 15 mapas diferentes para escolher e enfrentar 20 ondas de inimigos em sequência, com pausas para comprar coisas na caixa de suprimentos. Uma boa forma de treinar suas habilidades para encarar os níveis mais altos do jogo. Só não se empolgue com as recompensas. De cosméticos então, nem perca o seu tempo: são camisas, calças, luvas e sapatos que mudam pouco entre si e mal dá pra notar durante a jogatina.

Para entender melhor a trama de Trepang2, você precisará coletar dados em PCs, celulares e documentos. O que eu não esperava era a boa escalada de tensão e acontecimentos, mudando o rumo de tudo no final do game. Rola ocultismo e outras doideras ligadas à Horizon, causando uma certa euforia no jogador. A breve introdução de horror não funciona bem, mas eu definitivamente não conseguia parar de jogar, envolvido pelo combate visceral e a trilha sonora pesada.

Trepang2
O jogo fica ainda mais frenético ao carregar duas armas ao mesmo tempo

O esforço de um time pequeno

É notável o empenho da pequena equipe da Trepang Studios para desenvolver este game. Basicamente quatro pessoas fixas e vários freelancers contribuíram para o projeto ser concluído. O jogo é competente em sua proposta mas poderia ser bem melhor em vários aspectos técnicos, inclusive apostando em uma campanha mais sólida e cinematográfica. Ainda assim, Trepang2 consegue entregar uma boa experiência no combate, com uma inteligência artificial que não deixa nada a desejar.

A campanha dura umas 5 horas, o suficiente para agradar. Isso se você jogar no Hard, pois as outras dificuldades apelam demais. A mais difícil, Rage Mode, literalmente coloca olhos na nuca dos inimigos, além de conceder mira praticamente perfeita. Os speedrunners piram!

Imagem de The Thaumaturge

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