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Antes que a franquia Yakuza atingisse sua popularidade atual e deixasse um legado de outros games inspirados em sua fórmula, os jogos da SEGA passaram por um período importante de formação na sétima geração de consoles com o que é conhecida como a trilogia PS3 da série, englobando Yakuza 3, 4 e 5. Compilando três games seminais a essa evolução, The Yakuza Remastered Collection reforça a importância de cada um deles ao processo.

O pacote inclui tanto mudanças conteudísticas nos jogos, principalmente em Yakuza 3 que está estendido e sem censuras, quanto representando uma nova chance de reaver o contato do público com alguns de seus títulos mais injustiçados, como Yakuza 5, que na demora de três anos da localização para o ocidente acabou ofuscado pela chegada então recente da oitava e atual geração de consoles, com uma leva de títulos que incluíam Batman: Arkham Knight e The Witcher 3.

O dragão retorna… de novo!

Começando a análise de The Yakuza Remastered Collection por Yakuza 3, deve-se dizer que este é o game que mais me deixava curioso quanto aos possíveis retoques que a SEGA efetuaria. Desde suas animações mais enrigecidas até a estrutura narrativa, o terceiro jogo da série soava como um elo perdido entre o que a franquia era em sua gênese no PS2, e o ela que veio a se tornar com a consolidação das fórmulas atuais em Yakuza 4.

Imagem de Yakuza 3 Remastered
Tio Kaz, meu herói.

O que não quer dizer, de forma alguma, que Yakuza 3 tenha envelhecido mal. Sendo o título que mais remete a Shenmue, série a qual a saga de Kazuma Kiryu era constantemente comparada, 3 se inicia com uma bela mudança de ritmo na vida de seu protagonista, apresentando pela primeira vez o ambiente do orfanato Morning Glory do qual cuida em período quase integral em Okinawa – e passará a visitar até o fim de sua saga em Yakuza 6.

Em termos de gameplay e fluidez, o combate e as mecânicas apresentadas em Yakuza 3 deixam a desejar frente a seus sucessores, mas a adoção de uma taxa de quadros mais elevada em 60 fps e a fórmula eficaz nele esboçada são o bastante para garantir a experiência como uma curiosidade muito feliz aos fãs, principalmente aqueles que deixaram passar a versão original – como eu, que fui introduzido à franquia apenas em 2010 com 4.

Além disso, é ótimo conhecer sua trama já com o contexto adicional fornecido por títulos como Yakuza 0 e Yakuza Kiwami, que ofereciam um aprofundamento da figura do mentor Kazama – que, sem spoilers, é crucial ao enredo de Yakuza 3. Some a isso uma abundância de minigames – alguns deles não encontrados nos jogos seguintes – e uma facilitação do encontro de side-quests, e terá uma experiência satisfatória, mesmo que imperfeita.

Imagem de Yakuza 3 Remastered
Um rosto familiar.

O pulo para Yakuza 4, então, sinaliza tanto as boas evoluções da série, quanto tendências que não necessariamente fazem uma diferença positiva. O foco dado separadamente aos quatro protagonistas, com suas histórias particulares apresentadas uma de cada vez até que se cruzem no fim, introduz a variedade nos estilos de combate e uma renovação nas tramas pessoais, mas também traz consigo a mania de se complicar demais nas idas e vindas dos enredos gerais envolvendo a máfia nipônica.

Este excesso até se tornou um dos principais pontos atrativos para muitos outros fãs e até não-fãs da franquia, que queriam experimentar por conta própria a robustez dos títulos – quanto mais, melhor -, porém pode justamente afastar outros jogadores da continuidade da trama geral da trilogia. Ainda assim, tendo jogado o título na geração passada, o esforço vale a pena pela quantidade de momentos marcantes apresentados – a trama de Saejima é cativante.

Novas e velhas tendências

Quanto aos estilos introduzidos de luta, estes variam conforme o jogador completa a seção específica a um personagem. Akiyama, o primeiro dos personagens jogáveis, passa a sensação de um “jack of all trades”, um meio-termo entre diferentes estilos sem exatamente apresentar uma característica única, enquanto o hercúleo Saejima, o ágil detetive Tanimura e o bom e velho Kiryu são mais diferentes entre si.

Imagem de Yakuza 4 Remastered
Uma mecânica que não começou em sua melhor forma.

Fora pela variação nas lutas e um aprofundamento no sistema de upgrades, Yakuza 4 ainda introduz novos espaços para o distrito de Kamurocho, como os rooftops e andaimes que ligam os diferentes edifícios, além de também incorporar sequências de quick-time events adicionais, tais como as fracas perseguições a pé – que o derivado Judgment apresentou aos montes, melhoradas. Dito isso, o jogo é facilmente o mais inconsistente do pacote, com altos e baixos.

Yakuza 5, por fim, é um caso vergonhoso de jogo que passou batido, não sendo de forma alguma perfeito mas inegavelmente audacioso em sua escala, flexibilidade de mecânicas e comparabilidade aos jogos AAA mais elaborados da época – o título saiu em 2012 no Japão, ano em que cults como Sleeping Dogs saíam no mercado ocidental. Pois bem, agora está de volta e na melhor forma possível, justificando para quem comprou The Yakuza Remastered Collection no dia 1 o tempo de espera para seu desbloqueio na coleção.

Apresentando não quatro, mas cinco personagens jogáveis em cinco ambientes de mundo aberto diferentes, Yakuza 5 não para por aí e traz a cada uma de suas “sub-campanhas” mecânicas orgânicas ao dia-a-dia dos protagonistas, constituindo basicamente um mega-pacote com cinco jogos inteiros e inéditos – além de longos! Variedade e escala não faltam aqui, chegando até mesmo a intimidar e cansar – a sequência que envolve Saejima em um presídio é absurdamente longa e detalhada, culminando em uma luta insana com um urso.

Imagem de Yakuza 5 Remastered
O único jogo da série em que Kiryu queima borracha.

No entanto, o feito mais louvável de Yakuza 5, ao menos em minha visão, é a tamanha sofisticação com que o combate é implementado, com animações muito mais fluidas e uma transição mais ágil entre exploração e confrontos com inimigos. Mais até do que o sucessor Yakuza 6, este talvez apresente os movimentos de finalização mais estilosos da série toda, alguns dos quais são desbloqueados pelas deliciosas Revelations – eventos dinâmicos no mundo através dos quais os personagens aprendem novos golpes.

Fechando com uma camada adicional de estilo em seus gráficos, utilizando de efeitos mais sofisticados de difusão e campo focal, sem falar na maior quantidade de diálogos falados in-game, o quinto jogo de Yakuza pode muito bem explodir as mentes daqueles que ainda não sabem o que esperar do título, dado que nem recebeu um lançamento físico sequer no ocidente – lembro, inclusive, de como o jogo surgiu na surdina na então precária PS Store no ano movimentado de 2015.

Compensando o tempo perdido

Àqueles que não tiveram as devidas oportunidades de experimentar os títulos Yakuza da sétima geração de consoles, The Yakuza Remastered Collection será um verdadeiro jam-pack, além de uma relíquia cuidadosamente escovada e restaurada para os gostos dos donos de consoles mais avançados – embora não haja melhorias no PS4 Pro, é ótimo que exista a opção de supersampling para telas 2K, suavizando ainda mais a já limpa imagem.

Imagem de Yakuza 5 Remastered
Um dragão nunca deixa de lutar.

O que torna o pacote em um “no-brainer”, contudo, é o fato destes três títulos contarem com uma performance constante em 60 quadros por segundo, tornando cada uma das lutas, de rua ou boss-fights, em deleites ainda maiores para aqueles que amam chutar bundas – e caras – virtuais. Talvez The Yakuza Remastered Collection não surpreenda os iniciados, mas pode fazer à franquia merecida justiça e capturar novos jogadores em sua teia de intrigas, conspirações e muitas – mas muitas – reuniões de “trabalho”.

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