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Há um pouco mais de sete anos, The Legend of Zelda: Breath of the Wild abria as portas para a “Geração Nintendo Switch” e revolucionava a indústria com todos os elementos contidos em sua experiência. De lá para cá, evoluímos nossos computadores e vimos o surgimento do PlayStation 5 e Xbox Series. Ainda assim, nenhum conseguiu replicar com perfeição a experiência trazida pela Nintendo – esta que resolveu ampliar a aposta com o lançamento de Tears of the Kingdom.

A verdade é que não apenas conseguiram subir um patamar acima com o capítulo inédito, como trouxeram o jogo definitivo para a sua plataforma. Me diverti demais com títulos como Mario Kart 8 Deluxe, a franquia Xenoblade Chronicles, Metroid Dread, Super Mario Odyssey e até mesmo com o “Bafo Selvagem”. No entanto, serei sincero e afirmo aqui para quem quiser ler: não há nada que te prepara para o impacto que é iniciar sua caminhada neste novo game. Nem mesmo quem está esperando algo grandioso.

Vamos ser honestos, muitos já viram diversos jogos de mundo aberto. Jogos com boas histórias – que existem aos montes, diga-se de passagem. Construções dentro dos games, com ferramentas próprias para demonstrar o verdadeiro sandbox. Visuais exuberantes, o que não é necessariamente a mesma coisa que gráficos realistas. Porém, junte tudo isso com uma execução invejável e podemos começar a conversar sobre o que Tears of the Kingdom representa e poderá ensinar à toda a indústria gaming.

Salto de fé em The Legend of Zelda

Antes de mais nada, vamos bater um papo sobre o que esperar de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom caso você tenha vindo diretamente de Breath of the Wild. E se não é o seu caso, é bom sentar e ler também. Acredite, vai edificar algumas ideias básicas sobre o que te espera nas primeiras horas de jogo e na aventura no geral.

O primeiro conselho é: esqueça tudo o que você viu na experiência anterior. Link não possui mais suas habilidades como “imã”, levantar pilares de gelo e pausar um objeto para impulsioná-lo. Na verdade, isso nem falta me fez nas mais de 50h que tive – quais vou ser sincero: ainda não estão finalizadas e nem espero encerrar tão cedo.

Pode ser o mesmo lugar, mas a experiência é outra

Agora o nosso herói segue com uma série de novos recursos que são apresentados nas primeiras 3h de “tutorial”. Pode parecer negativo falando assim, mas confia, não é. Com a habilidade Ultrahand, você pode manipular uma extensa lista de objetos e materiais – criando o que a sua mente puder conceber, mesmo que seja um robô enorme que solta chamas por lugares nada convencionais.

O Fuse é responsável por renovar o seu sistema de equipamentos em The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, possibilitando que pegue elementos do cenário e adicione às suas armas e escudos. Um exemplo, você pode fundir uma pedra à sua espada e criar uma “marreta” improvisada. Ops, você quer algo mais útil? Que tal um laser acoplado ao escudo, que atira diretamente onde estiver mirando? Ou até uma flecha que nunca erra ao usar o Fuse com o olho daqueles morcegos chatos que ficam dentro das cavernas.

Os morcegos estão de volta e podem te ajudar

Com o Recall poderá manipular o tempo dos objetos, fazendo-os voltar para a sua origem há alguns momentos. Por último temos o Ascend. Neste, Link pode atravessar o teto de praticamente qualquer coisa para chegar ao outro lado. Em segurança, claro. Em cavernas e em alguns puzzles isto vai te poupar de muito tempo perdido tentando escalar e chegar em locais difíceis. Em batalhas, te salvará em momentos delicados.

Tudo isso vai te tirar da zona de conforto totalmente, porque transforma o mapa inteiro em outra coisa quando você sabe o que fazer com tudo isso. Se já estava acostumado, boa sorte em ter de interagir com tudo de forma diferente do que viu anteriormente e redescobrir Hyrule durante a sua aventura. Se é sua primeira vez aqui, espero de todo o coração que você não se intimide pelos elementos.

Suas habilidades novas podem render momentos como esse

Outra novidade de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom são os ambientes diferentes – as ilhas celestes e também o submundo. Isto será o responsável por te balançar por completo, principalmente por termos diversos elementos interagindo simultaneamente. Tem coisas que rolam lá no céu e afetam diretamente o que vemos no solo. Há também uma certa sincronia de coisas vistas pelo mapa e o que encontramos na escuridão do mundo inferior.

Para quem acredita que ele voltou ao Nintendo Switch sendo “a mesma coisa” e reutilizando o mapa, isso cai por terra na primeira vez que você se joga da Great Sky Island e vê Hyrule se formando abaixo das nuvens. Ele não é só diferente de Breath of the Wild, como é distinto de qualquer experiência que teve em todos os demais games.

Há muitas coisas interessantes nas ilhas celestes

Um novo capítulo para a franquia

Apesar de dispensar apresentações, The Legend of Zelda já tinha chegado “longe demais” com Breath of the Wild. Tears of the Kingdom é uma forma que a Nintendo encontrou de dizer que aprendeu como usar todos os recursos possíveis do Switch e quis demonstrar ao público o poder total do seu console somados com a experiência de toda a equipe técnica de seu desenvolvimento.

Você pula do céu para Hyrule e outros ambientes direto e sem uma tela sequer de loading ou queda de performance. Reúne informações enquanto cavalga ou dirige seu carro montado de materiais que encontrou pelo caminho. Entra e sai de templos, encontra montanhas e inimigos distintos. Vê um dragão sobrevoando a área por onde está passando, mas acaba dando meia-volta porque ainda não se sente confiante o bastante para bater de frente contra ele.

Não são apenas os dragões que devem ser temidos

Aí se vê envolto dos principais temas da franquia, sendo tocados claramente em melodias de fundo. Enxerga luzes distantes, indicando novas opções para seguir e independente do período que está. Aí se vê obrigado a parar por um instante, pois a área que está adentrando está nevando – então é bom colocar um casaquinho porque senão Link acabará perdendo mais do que alguns corações enquanto prossegue.

Depois disso, constata que há um navio pirata na costa. Um desenho enorme no chão, lá longe. Um acampamento de monstros próximos – quais inclusive até já te viram. Um grande corcel branco, pronto para desafiar qualquer um que desejar domá-lo. Você respira fundo e mergulha por onde quiser e quando quiser em The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. E não importa o que faça: tudo te fará seguir em frente, de um jeito ou de outro.

Tudo de impulsionará para frente

Inclusive, me frustrei bastante em um dia onde senti que não fiz basicamente “nada” nele. Andei, explorei, fiz algumas sidequests “meia-boca”, enfrentei oponentes, fiz a checagem em determinadas áreas e tentei encontrar alguns upgrades para garantir que minha viagem fosse mais tranquila. Inclusive, recomendo fortemente que se mantenham distantes do “mãozocas”. Você saberá quem é quando vê-lo. Pior do que enfrentar a criatura é vencer ela em combate, meu único arrependimento até onde eu cheguei.

Voltando ao assunto, no dia seguinte e para a minha surpresa, tudo aquilo foi útil para o que eu estava para ver e enfrentar em seguida. O avanço, ainda que seja a passos lentos, é recompensador e te apresenta novos desafios a serem encarados conforme segue em frente. E o ciclo se renova, te mostrando novas formas de enxergar personagens, locais e a própria mitologia da série de jogos.

Sim, isso é o Jenga em pleno The Legend of Zelda

A trama é relevante, mas não se prenda

Ainda que The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom seja a sequência direta de Breath of the Wild, não se preocupe tanto com este fator e nem deixe ele lhe desanimar. Saber o que aconteceu em seu antecessor poderá ajudar, mas caso seja um novato e queira iniciar direto nesta nova jornada também dá. Vai ficar perdido em alguns detalhes aqui e ali, sim. No entanto, não no centro daquilo que mais importa nesta trama.

Com Zelda presa em outra linha do tempo, cabe a você resgatar as suas memórias e buscar mais informações do que aconteceu com a personagem no passado – e como salvá-la de lá, obviamente. Seguir até seu objetivo é muito importante, mas sendo sincero e direto: será um completo desperdício fazer apenas isso e ignorar tudo o que encontrou pela aventura. É pular risadas, momentos emocionantes e o aprofundamento.

O que deve fazer ou não está em suas mãos

Honestamente, recomendo que saiba equilibrar as coisas. Faça um pouco da história aqui, explore um pouco de lá e quando sentir que as coisas não estão evoluindo há um tempo por um dos lados: compense. Isso evitará duas coisas na curva de dificuldade, estar desnivelado demais para o bem ou para o mal.

Senti um desafio maior em The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, principalmente contra hordas. No entanto, também não adianta nada você se arriscar por horas buscando aquela arma e equipamentos bons, fazer upgrades em suas habilidades sem se preocupar com mais nada e encarar os chefões – que dependendo do seu estado, podem não oferecer a menor resistência. Aí fica chato, diga-se de passagem.

É Zelda ou One Piece?

Nenhum problema afeta a obra-prima

Vamos ser honestos, não há nada que realmente te tire a diversão dele. Algumas coisas são um saco? Sim, não quero enganar ninguém. Os gemidos sugestivos dos coadjuvantes, as sidequests ambíguas como “minha esposa seguiu aquela ponte ali e sumiu” e depois você que se vire, o fato de meu cavalo, Maximus, ter os comandos extremamente duros e aquele momento que bate a chuva enquanto você sobe uma montanha são de longe meus principais motivos para reclamar de tudo o que vivenciei.

No entanto, nenhum deles te impede de seguir em frente em The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. Nada te forçará a algo, mesmo que esteja no meio de uma das principais missões. O uso da Ultrahand ainda facilita mais a sua vida, considerando que sua única limitação é a criatividade do usuário. Mesmo que eu tenha encontrado mais do que reclamar, sendo sincero, nada disso importa no fim das contas.

Meu cavalo fica em 90º

Ele é o jogo definitivo para o Nintendo Switch, goste você das políticas aplicadas nele e do seu poder gráfico ou não. Não está em português e está mais caro do que os demais lançamentos sim, o que é um problema, mas infelizmente nem isso justifica que deva se esquivar da magnitude apresentada no console híbrido. Se está buscando onde investir as próximas 100, 200 ou mais horas em algo nos videogames – é aqui que encontrará.

O fato é que a Nintendo conseguiu novamente atingir o topo de uma experiência e dificilmente veremos algo se aproximar. A quem desejamos enganar? As desenvolvedoras não chegaram nem perto de Breath of the Wild até os dias atuais, quem dirá do que é visto em Tears of the Kingdom. Há títulos divertidos, existem mundos abertos bacanas e até histórias riquíssimas, mas nenhum deles traz tudo isso em conjunto e com um desempenho invejável como ele.

Imagem de The Thaumaturge

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