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Quando um grande estúdio está desenvolvendo um jogo, o mínimo que se espera é excelente gráfico e trilha sonora, mecânicas refinadas e nada menos do que isso. Essas produções custam milhões de dólares e vendem inúmeras cópias. Porém algo que brilha em meus olhos em relação aos jogos indies é que, com pouco orçamento, sai muitos títulos criativos e até com resultado técnico superior.

Song of Iron é um jogo feito por um homem só, como muitos indies por aí. O jogo avança um pouco dos demais, apresentando temática viking em duas dimensões com lutas sistemáticas, elementos de plataforma e um pouco de exploração.

O luto que gera vingança

No papel de um viking sem nome, a primeira cena de Song of Iron retrata o protagonista cremando o corpo de sua mulher. Logo depois, você vive a lembrança que vai mostrar a morte da mulher do guerreiro. Esse momento inicial se passa em sua vila sendo atacada, basicamente servindo como o tutorial do título.

Após passar por todas as batalhas e encontrar a esposa ferida, ele a toma em seus braços e recebe um colar, sendo suas últimas palavras indicando para o personagem ir até um altar e demandar a ajuda dos deuses para sua vingança. Logo em seguida, ela morre. A cena então volta para a cremação de sua esposa e é onde a aventura começa realmente.

Song of Iron é daquele tipo de jogo 2D que ir para a direita é sempre o caminho certo. Ir para esquerda se resume em um caminho curto para pegar um item. O guerreiro viking tem como movimentos básicos o famoso “corre, se agacha, pula e escala”. Durante as batalhas, ele ataca, defende e rola para desviar. Nada de muito espetacular, mas que se mostra competente em sua execução.

As lutas são cadenciadas, forjando um certo ritmo. O criador do jogo deixou claro que não se trata de um souls-like, mas as batalhas exigem a hora certa de atacar, defender e esquivar. Bom, em tese. É possível enfileirar os inimigos um seguido do outro e derrotar um por vez. Além disso, dá para “tankar” vários ataques enquanto você ataca.

A variedade de inimigos é baixa e vai deixar os jogadores entediados. Você enfrentará outros vikings em seu caminho, umas criaturas que parecem orcs, monstros humanoides, animais e, bem, não irei falar o último para evitar spoilers. Porém, não foge muito disso que expliquei.

É possível imbuir a espada com fogo ou eletrecidade.

É possível evitar quase todos eles, eu diria entre 80 a 90% dos inimigos. Basta rolar passando por eles, correr e ir embora, os inimigos não perseguirão você. Ao derrotar um inimigo, ele derruba suas armas e escudos e você pode pegá-los para usar. Seu escudo se desgasta até quebrar, então precisará trocar com frequência.

Não existe uma recompensa ao derrotar um inimigo, então tem momento que você não tem vontade de enfrentar todos que aparecem na sua frente. Você terá alguns encontros obrigatórios, como poucos chefes e hordas que precisam ser derrotadas para poder progredir.

As espadas não têm um indicador de qualquer atributo que seja. Não dá para saber se uma determinada espada ou machado é mais forte que outra. Claro que o machado grande empunhado com as duas mãos é mais forte, mas esse é o único exemplo. As armas simples não tem diferença uma da outra.

E lá vem encrenca…

Enquanto você segue a sua jornada, o guerreiro viking vai encontrando parte de uma armadura completa conforme avança nos cenários. Cada parte dela traz uma habilidade especifica que pode explorar um pouco mais dos combates. Depois de completá-la, o protagonista terá algumas habilidades ao seu dispor, deixando as batalhas e a movimentação um pouco mais dinâmicas.

Uma mistura de “uau!” e “o que?”

Algo que surpreendeu foi a ambientação. As várias localizações diferentes em que o guerreiro passa são muito bonitas e faz você querer parar para apreciar. Florestas, montanhas, campos verdes, cavernas entre outras localidades trazem aquela sensação de uma jornada memorável.

O som do vento balançando a grama e as árvores, enquanto que você corre por colinas verdejantes sozinho ao som de tambores e sussurros tribais completam o sentimento de que você é um viking p*** da vida e que ninguém pode lhe parar.

Cenários grandiosos são o grande destaque do jogo.

Em um momento do jogo, você começa a visualizar elementos do que será um cenário muito estranho mais à frente. Ao chegar nesse lugar… “Uau… Okay”, vocês tinham que ver minha cara nessa hora, foi muito inesperado o que o jogo joga em você. Eu fiquei surpreso e muito empolgado, tenho certeza que vocês terão a mesma reação ao jogarem.

Infelizmente logo depois desse plot twist muito louco, o jogo acaba. Sim, após o ápice, você ficar boquiaberto, ao menos eu fiquei, espera um rumo totalmente diferente na jornada e fim. Na verdade, Song of Iron ainda está em desenvolvimento. Acredito que o jogo deveria estar em acesso antecipado, e não ter sido lançado como um jogo completo.

Às vezes o jogo parece Skyrim ou Assassin’s Creed Valhalla.

Ele, nesse momento, ainda é bem curto. Eu parei vários momentos para apreciar os cenários e mesmo assim mal passou das 4h de jogatina. O jogo tem alguns bugs de colisão de elementos e física, quedas de FPS em alguns momentos pontuais, e as legendas estão mal traduzidas, o que dificultou a compreensão do curto enredo. O desenvolvedor do jogo já disse que está trabalhando para melhor localizar as legendas para as diferentes línguas, além de correções em geral.

O jogo mostra que a temática de vikings não tem a ver só com porradaria, mas também com contemplação, momentos de paz…mas sempre volta para a porrada! Song of Iron tem potencial e, particularmente, aguardo ansioso por um desenrolar mais profundo de toda a trama, além da correção de alguns pontos específicos.

Algo legal de mencionar, é que o desenvolvedor participa bastante das discussões em relação ao feedback dos jogadores nas redes sociais e já prometeu atualizações futuras.

Imagem do texto de RKGK

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