Pata, pata, patapon… Opa, jogo errado! Mas, se isso grudou na sua cabeça em 2008, durante as jogatinas de Patapon no pequeno, porém gigante, PSP, prepare-se para novas cantorias! Agora com Ratatan, o sucessor espiritual que traz o mesmo sentimento rítmico e músicas que colam como chiclete, mas em um universo cheio de novidades. Meus amigos, que nostalgia! O jogo tem um charme que conquista rapidamente, e sua familiaridade nos transporta diretamente às memórias das pequenas criaturas monocromáticas.
Caso você não saiba, a Japan Studio, desenvolvedora de Patapon e muitos outros games diretamente ligados ao PlayStation, foi encerrada pela Sony em 2021. E olha que o estúdio carregava títulos de peso, como Shadow of the Colossus. Dá pra acreditar? Hiroyuki Kotani, um dos designers desse estúdio, fundou a Ratata Arts e, em 2023, iniciou uma campanha no Kickstarter para a produção dessa sequência espiritual. Nem preciso dizer que foi um absoluto sucesso, né? Em menos de uma hora, eles atingiram seu primeiro objetivo e, ao longo da campanha, todas as metas foram cumpridas, gerando uma arrecadação imensa, mas também uma baita responsabilidade.
Ensaiando a peça antes do lançamento
Em 2025, Ratatan desembarcou na Steam em Early Access e, de lá pra cá, tudo foi sendo aprimorado para que o grande lançamento chegasse redondinho, com todas as canções na ponta da língua de cada Ratatan e seus pequenos exércitos de Cobuns. Agora, finalmente, estamos diante da versão final do jogo, que é um musical cheio de ação, prontinho para ser apreciado. E, melhor ainda, temos a chance de rever essa viciante mecânica de ritmo em um novo jogo, e não mais apenas em remasterizações como as que já recebemos no pacote Patapon 1+2 Replay, por exemplo.
Ratatan vai te levar por uma jornada de ação que mistura roguelike com mecânicas de ritmo. Parece uma mistura improvável e sem sentido, mas acredite: funciona muito bem! Especialmente porque a Ratata Arts soube dar contexto a cada pequeno detalhe desse mundo colorido, fazendo com que cada run agregue pouco a pouco à sua progressão, mas também diversificando vários aspectos para evitar que o jogo se torne um repeteco punitivo e pouco progressivo. De verdade, sempre há uma maneira de mudar a dinâmica do jogo.

Embora a narrativa fique em segundo plano durante boa parte da experiência, Ratatan tem uma motivação simples, mas eficaz. Aqui, não temos protagonistas lutando para salvar o mundo ou derrotar uma ameaça suprema. Eles são aventureiros guiados pelo sonho de encontrar o lendário “Além”, uma terra que existe apenas nas histórias e na imaginação dos exploradores. Essa busca pelo desconhecido reforça o espírito de jornada presente em cada sessão e dá personalidade ao universo colorido, justificando também o fato de que as ameaças precisam ser derrotadas apenas para abrir caminho até esse lugar, e não porque estão querendo destruir os Ratatans. (Me faz pensar em quem é a real ameaça aqui.)
Neste mundo feito à mão, a variedade já começa com os pequenos musicos. São oito opções de Ratatans, cada um com habilidades e propriedades únicas. E, sim, as diferenças vão muito além do visual. Alguns vestem roupas de sapinhos, gatos, corujas e por aí vai, mas o que realmente chama a atenção é o timbre único de cada maestro. Ou seja, musicalmente, temos oito variações sonoras. Mas não para por aí! Cada um também apresenta diferenças na saúde, na velocidade e até no estilo de combate, características que influenciam a construção da tropinha e as habilidades especiais. Tudo isso exige muita estratégia.

O Kerosapo, por exemplo, possui habilidades especiais com bombas e tem vantagens na saúde. Além disso, seu exército de girinos pode ser formado por guerreiros com espadas e atiradores de bombas. Já o Coelito possui notas musicais explosivas e maior velocidade, enquanto seu exército é formado por arqueiros e guerreiros com lanças. Existem ainda outras seis opções de Ratatans, cada uma com suas próprias características. Só isso já rende muitas possibilidades divertidas de combate, mas ainda tem muito mais!
Construindo seu exército
Inicialmente, cada Ratatan é acompanhado por três Cobuns, número que pode ser ampliado para até nove companheiros fixos com os upgrades. Durante as sessões, dá para alcançar 15 Cobuns, porém esses seis convidados serão temporários, assim como muitas das habilidades encontradas por aqui. A coisa fica completamente maluca quando percebemos que cada membro desse esquadrão possui armas personalizáveis. São inúmeros equipamentos, como espadas, bombas, martelos, arcos e flechas, cajados mágicos e lanças, resultando em ataques diferentes que lotam a tela de efeitos, mesmo que os comandos não mudem.

Cada armamento possui níveis e classes de raridade que vão alterar seus atributos, como força de ataque, velocidade e até a saúde dos seus bichinhos. Além disso, se quiser deixá-los ainda mais carismáticos, também haverá acessórios como bonés, lacinhos e outras coisinhas. Esses itens também melhoram os atributos dos bonequinhos. Nesse sentido, a progressão e a gestão se tornam constantes durante toda a aventura, o que é excelente.
Honestamente, na prática, nem dá para notar essas personalizações, já que o caos da batalha domina a tela e exige outro tipo de atenção. Afinal, quem errar o passo perde a vez, risos. É muito legal ter a possibilidade de construir o melhor exército possível, e cada pequeno Cobun tem seu próprio nome, o que é insano! A gestão é um pouco complexa, porém muito divertida, mostrando que Ratatan oferece diversas maneiras de evoluir sua equipe para chegar cada vez mais longe nas jogatinas. Vale lembrar que, ao ser derrotado, voltamos ao início. Ao menos os itens coletados se mantêm.
Deixando seus miniexércitos poderosos
As runs, como mencionei, podem apresentar habilidades temporárias. Elas possuem diferentes elementos, como fogo, eletricidade, gelo, vento e veneno, e serão de grande ajuda contra os inimigos. Sua coleção de cartas de habilidades passivas é gigantesca, enquanto duas cartas podem conceder poderes ativos que se combinam aos ataques do exército. Como em todo bom roguelike, antes de cada sala, dá para escolher o que você quer encontrar após as batalhas: algum tesouro, itens de recuperação, minichefes, uma loja… Você decide! Dá para ser ambicioso em busca de poderes e itens colecionáveis ou partir diretamente para a porrada.

A barra de vida é curiosa. Veja: o importante ao longo da jornada é que o Ratatan não padeça. Já os Cobuns, mesmo quando morrem, ressurgem depois de um tempo. De qualquer forma, evite perdê-los à toa, pois isso dificulta (e muito!) o combate. É aí que começa a dinâmica musical. Como líder, você pode se movimentar livremente, mas seu exército só ataca a partir de comandos, inclusive para avançar em formação, saltar ou defender. E acredite: todos esses comandos serão necessários para ter uma boa performance. Não dá para simplesmente sair atacando sem parar.
É muito divertido ver tudo acontecendo na tela, embora seja desafiador conciliar o ritmo, executar os comandos, movimentar-se e ainda evitar errar o compasso para não perder a barra de Fever, que aumenta seu dano. Ao mesmo tempo, executar tudo com perfeição é recompensador não apenas pelo sucesso dos golpes, mas também pelas canções das pequenas criaturas, que vão progredindo para além dos primeiros versos. Sério, é maravilhoso! E vai ficando cada vez melhor, viciante e envolvente de um jeito que torna difícil parar de jogar.

Todas essas características fazem de Ratatan um roguelike abarrotado de personalidade e absurdamente incrível. O jogo ainda oferece algumas opções que podem facilitar a vida dos novatos, simplificando os comandos do exército e reduzindo os danos durante os combates. Já para os veteranos, dá para deixar a interface semelhante à que víamos em Patapon, com o controle do ritmo piscando nas bordas da tela, garantindo a mais pura nostalgia. Além disso, o jogo traz textos em português e até adapta os nomes dos personagens, coisa que a teimosa Marvel insiste em não fazer.
Reunindo exércitos de Ratatan
Outra novidade é que as partidas podem ser disputadas em co-op com até quatro jogadores online. Muito embora eu não tenha conseguido encontrar nenhuma sessão de jogo (talvez por ter jogado antes do lançamento para esta análise), existe uma opção para usar NPCs e, assim, completar a sessão online. No meu caso, surgiram três Ratatans com seus exércitos e, olha, foi um caos total! Porém, muito divertido, especialmente com as vozes de cada personagem se somando ao longo da partida.
E não pense que isso facilita a jogatina, viu? Na prática, você acaba tendo que gerenciar todos eles, já que os líderes convidados que forem abatidos precisam de uma ação para ressuscitar (isso também vale para jogadores conectados com você). Ou seja, é mais uma ação para ficar de olho sem perder o ritmo da coisa. Com outros jogadores, deve ser ainda melhor e render muitas risadas. É uma pena, porém, não termos opções de multiplayer local, fico imaginando a bagunça. Fica a dica, Ratata Arts!

Quando a sessão termina, retornamos ao Rataport. Aqui, os locais vão sendo liberados aos poucos, trazendo diversos afazeres para seus inúmeros espólios. Na maioria dos casos, funciona como um lugar para trocar os itens coletados por produtos melhores, mas também dá para aprimorar os atributos dos personagens, fabricar armamentos, conferir o painel de missões e recompensas e personalizar seus exércitos. Essa última opção, inclusive, permite criar predefinições que facilitam as trocas futuras.
Ratatan sabe diversificar e vai muito além de seu visual colorido e detalhista. O jogo reserva muitos segredos que anseiam por ser descobertos. Dizem até que há algo sobre os Dark Ratatans jogáveis (variantes dos personagens principais e suas tropas). Será? Somar tudo isso a um trabalho visual e sonoro de encher os olhos resulta em uma experiência viciante à qual é impossível não se apegar. Mas, principalmente, o jogo honra todos aqueles que contribuíram com o Kickstarter, não é mesmo?

Um mundo inspirado, mas com suas próprias características
Algumas coisas podem incomodar em Ratatan, mas elas têm mais a ver com as expectativas do que com problemas propriamente ditos. A repetição, por exemplo, faz parte do roguelike, mas aqui o jogo está cheio de mecanismos para se manter interessante, seja pela progressão constante, seja pela variedade oferecida pelos oito protagonistas jogáveis. Já os combates podem, sim, ser caóticos em determinados momentos, mas essa desordem controlada contribui para o clima leve e festivo que define a identidade do jogo.
Da mesma forma, o controle direto do Ratatan não enfraquece a fórmula herdada de Patapon. Pelo contrário, adiciona profundidade estratégica e reforça o papel do jogador dentro das batalhas. Então, quem vier para esse combate musical precisa saber que há diferenças importantes em relação aos jogos anteriores, mas nada necessariamente negativo. Porém, existem, sim, pequenos problemas de polimento, especialmente breves congelamentos durante as transições de cenário. Também ficam algumas dúvidas sobre como determinados comportamentos dos inimigos se alinham ao ritmo da partida, pois, às vezes, existem alguns desencontros. No entanto, nada disso compromete toda a diversão.

Ao combinar ritmo, ação e roguelike em um jogo de side-scrolling bastante caricato, Ratatan vai além de uma sequência espiritual nostálgica. É uma grata surpresa, resgata uma mecânica que, por si só, já surpreende e amplia suas possibilidades com muita criatividade. Agora, torço para que o suporte a este jogo e aos futuros títulos da Ratata Arts continue firme, tanto por parte dos desenvolvedores quanto dos jogadores, porque Ratatan merece volume máximo. É simplesmente imperdível!
Prós:
🔺As mecânicas rítmicas são divertidas e viciantes
🔺É um excelente sucessor espiritual de Patapon
🔺Tem combinação criativa de ação e roguelike
🔺São oito Ratatans com características e sonoridades próprias
🔺Tem grande variedade de armas, habilidades e personalizações
🔺A progressão é constante com gestão estratégica dos exércitos
🔺O visual colorido é carismático e cheio de personalidade
🔺A trilha sonora é marcante com músicas contagiantes
🔺Tem acessibilidade para novatos e veteranos
🔺Possui textos em português e nomes adaptados
Contras:
🔻Faltou um multiplayer local
🔻Ocorreram pequenos congelamentos durante as transições de cenário
🔻Certos comportamentos dos inimigos parecem desequilibrados
🔻A estrutura roguelike pode incomodar alguns fãs de Patapon
Ficha Técnica:
Lançamento: 15/10/2026
Desenvolvedora: Ratata Arts
Distribuidora: Game Source Entertainment
Plataformas: PS5, PC, Xbox Series, Switch 2
Testado em: Switch 2


