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Zelda com certeza é um dos pilares da indústria de games e não é à toa que até hoje é um jogo que faz escola, inspirando tantos outros títulos. Não é diferente com o game da vez, Rack N Ruin, que não é tão novo assim e já deu as caras para consoles e PC em 2015, mas só agora está chegando ao Nintendo Switch.

Rack N Ruin foi totalmente inspirado em Zelda, mas com uma pequena diferença: aqui você não encarna um herói que parte em uma jornada afim de salvar a princesa em perigo, mas sim o vilão da história! Chega de bancar o mocinho, pois finalmente chegou o nosso momento de importunar os fracos e oprimidos, semear a semente da discórdia e espalhar o caos no plano terreno.

Who’s bad?

Aqui controlamos Rack, um pequeno demônio que pode fazer viagens interdimensionais e adora destruir planetas. Quando ele finalmente conseguiu destruir tudo que encontrou pelo universo, seu chefe Ruin, o caos encarnado e senhor da escuridão, diz que ele não tinha interesse algum em destruir mundos, mas sim em escravizar seus habitantes. Como uma forma de se redimir, Rack é enviado para um planeta sem seus poderes cósmicos e agora precisa espalhar a sementinha do ódio e escravizar todos os inocentes que encontrar.

Ó o bicho vindo!

A primeira coisa que impressiona em Rack N Ruin é o visual, que é realmente muito bonito! Os gráficos parecem uma pintura viva, cheia de cores e detalhes, mas infelizmente as animações não são das melhores. Nada é muito fluido, tanto o personagem como os inimigos possuem poucos frames de animação e as coisas acabam ficando com aquele ar “travado”, como se estivessem em slow motion. Dada à beleza do jogo, personagens bem animados fariam bastante diferença no visual como um todo.

Se você sabe como qualquer jogo da franquia Zelda funciona, então já sabe muito bem como é a estrutura de Rack N Ruin. Você explora um mapa imenso dividido em cenários, todos abarrotados de inimigos. Eventualmente nos deparamos com um vilarejo, dungeons e puzzles, mas nem todos são obrigatórios. Para desbloquearmos novas áreas do mapa, é preciso ganhar novas habilidades que só adquirimos seguindo as missões da história principal.

A graça do jogo não está nem no fato dele ser “Zeldalike”, mas sim por sermos malvados! Rack não é exemplo a ser seguido, ele queima criaturas vivas, explode pessoas e mija na água do poço simplesmente porque deu vontade. Esse é o grande alívio cômico do jogo, pois em nenhum momento estamos fazendo algo bom. Isso é evidente até nas sidequests, quando teoricamente estaríamos “ajudando” alguém.

As dungeons são totalmente Zelda.

É bom ser mau? 

Rack N Ruin é divertido até certo ponto, pois seu gameplay é simples e mais que manjado. Rack pode adquirir diversos poderes ao longo do jogo, desde projéteis de fogo e eletricidade até um espadão para trazer ruína aos seus inimigos. Nosso caminho sempre estará recheado de criaturas monstruosas e o jogo tem um sério problema de possuir trajetos muito estreitos e apertados, o que nos força a enfrentá-los quase sempre.

Como não se trata de um RPG, o combate não é instigante e é até desmotivador enfrentar os inimigos, pois não ganhamos XP nem subimos de level, então não existe recompensa em se arriscar. Mas aí já entramos em outro problema, que são as mecânicas de combate. Basicamente, seus ataques se limitam a projéteis ou corpo-a-corpo, mas nenhum deles funciona direito. Temos um botão que supostamente deveria travar a mira nos inimigos, mas por mais que tentei, não vi resultado uma única vez. Acabou que eu só ficava apertando loucamente o botão de ataque, torcendo para acertar alguma coisa.

A serenidade do olhar de quem acabou de mijar no poço.

A abundância de inimigos atrapalha um bocado, pois torna o gameplay repetitivo demais e em certos momentos até frustrante. Quando temos o respiro de enfrentar uma dungeon, voltamos para o padrão Zelda onde temos um mapa dividido com vários cenários, alguns contendo inimigos, outros puzzles (ou ambos). Os puzzles, em sua maioria, são fáceis demais e não oferecem desafio algum. Um exemplo: você se deparará com várias situações em que só é preciso pegar um bloco com um desenho específico e colocá-lo sob o piso correto… sim, é só isso.

Aliás, certifique-se de não morrer com frequência, pois o sistema de checkpoints é imperdoável! Isso somado às mecânicas falhas de combate e à lerdeza usual do personagem pode ser um grande desafio, mas como o jogo tende a ficar repetitivo, chega uma hora que você vai estar passando por tudo no “piloto automático” sem ter grandes problemas.

Rack N Ruin é um jogo bonito e legal, mas faltou um pouco mais de capricho com suas mecânicas e gameplay. Não é uma experiência horrível, longe disso, mas após jogar algum tempo, você fica com aquela sensação de que poderia ser muito melhor. Ainda assim, é um título recomendado para quem ama jogos parecidos com Zelda e não perde uma oportunidade de bancar o terror.

SCHiM

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