As páginas de um livro contam uma fábula fantástica e proporcionaram uma das melhores experiências de realidade virtual no PS VR (e, posteriormente, em outros headsets), que perduram até hoje. Mas agora, Moss: The Forgotten Relic substitui suas características de VR por controles tradicionais e, com isso, quer permitir que muito mais jogadores tenham a chance de conhecer a magia encantadora de cada uma de suas páginas.
Desenvolvido pela Polyarc e Blackbird Interactive, Moss: The Forgotten Relic leva você por uma aventura envolvente, repleta de magia e puzzles enquanto conhece a história da pequena, improvável e carismática heroína Quill. A nova versão reúne os dois livros aclamados e ainda a DLC Twilight Garden, já integrada à história. Com controles modificados, a aventura passa a ter um novo olhar. Pode parecer simples, mas é uma mudança gigante em um mundo pequenininho, que transforma e renova toda essa experiência.
Um mundo pequeno com uma grande história
Se você está abrindo estes livros pela primeira vez, fica aqui um contexto. Em Moss, a corajosa ratinha Quill encontra um artefato místico que a conecta ao “Leitor” (criando o maior vínculo já visto em uma experiência de VR, risos). Assim, você guia a pequena guerreira em uma missão para resgatar seu tio, Argus, das forças de Sarffog, uma enorme serpente que oprime o reino. O trabalho em conjunto é a chave para enfrentar os perigos e os enigmas da floresta e, assim, abrir novos caminhos, encontrar equipamentos poderosos e, quem sabe, restaurar a paz. Em alguns lugares desse reino também há portais para o Jardim do Crepúsculo, um lugar que reserva ainda mais segredos e recompensas valiosas para aprimorar suas habilidades.
Já em Moss: Book II, a paz dura pouco. Em uma continuação direta, o Império Arcano surge em busca das relíquias mágicas, obrigando Quill e o Leitor a partir em mais uma jornada, desta vez explorando um castelo em ruinas (um lugar perfeito para quebra-cabeças) e masmorras com o apoio de novos aliados e habilidades. A aventura se intensifica ao trazer pequenas mecânicas inéditas que ampliam as possibilidades de resolver os inúmeros puzzles presentes por aqui.
Vale dizer que Quill pode lutar com sua espada, dar dash para se esquivar e, com o tempo, usar uma espécie de raio a partir da lâmina para acionar equipamentos ou atingir inimigos. Em contrapartida, o Leitor (você) pode interagir com diversos objetos dos cenários para movimentá-los, algo essencial para que a ratinha consiga prosseguir pelos puzzles, quebrar objetos e, no segundo livro, interagir com a natureza, fazendo raízes crescerem para abrir novos caminhos ou criando folhagens para que ela possa escalar. No fim das contas, o jogador controla tanto o Leitor quanto a ratinha, e essa dinâmica funciona perfeitamente durante toda a jogatina.

Moss: The Forgotten Relic não é exatamente um port, nem uma remasterização ou um remake. Na verdade, pode-se dizer que ele é um pouco dos três ou, pelo menos, utiliza aspectos técnicos de cada uma dessas abordagens. Afinal, trata-se de um pacote que reúne todo o conteúdo lançado para muito mais plataformas e que passou por um enorme trabalho de adaptação dos controles, especialmente no redesenho do funcionamento da câmera. Além disso, os desenvolvedores aproveitaram para polir os visuais, a iluminação, o desempenho e até incluir novas artes feitas à mão.
Colocar o jogador como uma entidade mística dentro do jogo é fantástico e faz com que os personagens desse livro vivo quebrem a quarta parede, principalmente Quill, que além de sentir sua presença, olha para a tela e se comunica com você por sinais e gestos, o que é realmente fofo. Às vezes, ela comemora o progresso e até pede um high-five. Qual é… não dá para ignorar tamanha fofura, né? A união entre o jogador e a ratinha conquista qualquer um. É impossível não se envolver.

No VR isso era ainda mais impactante, porque existia uma enorme sensação de escala. A possibilidade de se aproximar desse diorama, observar os pequenos buracos e passagens movimentando a cabeça e os braços para enxergar Quill como se estivéssemos diante de uma maquete viva é, sem dúvidas, uma das experiências mais legais que o jogo proporcionava. Mas em Moss: The Forgotten Relic foram necessárias algumas modificações para tornar essa aventura possível sem um headset de realidade virtual.
O redesenho da câmera resultou em enquadramentos fixos que ainda remetem a um diorama, mas sem a possibilidade de aproximar a visão ou observar pelas laterais. Aqui já não existe a facilidade de enxergar a própria entidade refletida na água, como acontecia na versão em VR. A mudança era inevitável para tornar o jogo viável em telas tradicionais e, ao mesmo tempo, preservar sua essência. Inclusive, alguns puzzles passaram por pequenas adaptações para funcionar adequadamente. Na prática, o charme dos cenários continua intacto e, mesmo sem a liberdade de movimentar a câmera, os novos enquadramentos proporcionam cenas ainda mais bonitas.

Moss: The Forgotten Relic continua lindo
A nova posição das câmeras também influencia um pouco a dinâmica da aventura. Em alguns momentos, colecionáveis podem ficar escondidos da vista do jogador ou determinadas áreas de interação passam despercebidas até que Quill alcance um ponto específico do cenário. Isso demonstra o cuidado da equipe em manter a gameplay e os desafios funcionando de maneira natural mesmo sem a realidade virtual. O resultado continua sendo uma experiência muito agradável e com puzzles na medida certa.
Como é um jogo focado em quebra-cabeças, desafios é o que não faltam. Eles não chegam a ser difíceis, mas existem momentos em que você simplesmente vai parar para pensar no que fazer. E esse acaba sendo um dos melhores sentimentos que um jogo desse gênero pode proporcionar. Quando finalmente a solução aparece, vem aquele sorriso bobo, principalmente ao ver a pequena guerreira comemorando junto. No fim, a ligação entre os dois continua tão próxima e especial quanto era na realidade virtual.

O jogo já surpreendia pelo visual carismático e extremamente caprichado, mas agora, mesmo sem mudanças tão radicais, parece ainda mais bonito. Talvez seja por não depender mais das lentes do headset ou simplesmente pelo novo enquadramento da câmera. O fato é que Moss: The Forgotten Relic continua belíssimo. Os pequenos ajustes na iluminação, no acabamento e claro, sua trilha sonora orquestrada deixam os cenários ainda mais encantadores e preservam aquele clima de conto de fadas do início ao fim.
Tanto a primeira quanto a segunda história escondem diversos colecionáveis, incentivando um replay ou um olhar mais atento para não deixar nada passar. Ainda assim, a duração permanece praticamente a mesma das versões originais. O primeiro livro dura cerca de quatro horas, enquanto o segundo chega perto das seis. De qualquer forma, o maior mérito desta edição é permitir que muito mais jogadores conheçam esse conto e, principalmente, construam sua própria parceria com Quill.

Joguei Moss: The Forgotten Relic no PC e preciso confessar: o desempenho me surpreendeu bastante. Não que seja um jogo pesado, mas ele está muito bem otimizado. Posso dizer que meu computador já é um tanto jurássico e, mesmo assim, rodou a aventura sem qualquer tipo de engasgo. A única coisa de que senti falta foi um menu mais completo de opções gráficas. As configurações disponíveis são bastante limitadas e seria interessante poder ajustar melhor o nível de detalhes, caso houvesse.
Outro ponto que incomoda são as opções de salvamento e carregamento. Veja: existem três slots para guardar o progresso. Em determinado momento, resolvi salvar no segundo slot e, para minha surpresa, o jogo voltou para o início. Procurei por toda parte uma opção para carregar o primeiro slot e só depois descobri que era preciso entrar justamente na opção de salvar e selecionar o slot desejado para aparecer a opção de carregamento. Honestamente, não faz muito sentido e pode facilmente levar o jogador ao erro ou até à perda de progresso.
É um sistema bastante confuso para gerenciar os dados salvos. Felizmente consegui retomar minha campanha de onde havia parado e, depois disso, nem ousei mexer novamente nos slots. Fica a dica, Polyarc: vale uma revisão aqui, hein?

Mesmo sem a sensação de sermos um gigante observando uma maquete viva e uma pequena ratinha em sua aventura, Moss: The Forgotten Relic continua encantando do jeitinho que sempre encantou. Seus visuais renovados e sua nova dinâmica mantêm esse conto de fadas vivo e, principalmente, tornam a experiência divertida e emocionante como foi em suas primeiras versões. Quem jogou no VR certamente vai estranhar algumas mudanças, mas também vai adorar revisitar essa história. Já quem estiver conhecendo Quill pela primeira vez, prepare-se para uma aventura daquelas que aquecem e marcam o coração.
Prós:
🔺Quill continua extremamente carismática
🔺São dois jogos completos em um único pacote
🔺Tem puzzles inteligentes e muito bem adaptados
🔺A direção artística continua belíssima
🔺Tem excelente otimização e desempenho no PC
🔺A relação entre o Leitor e Quill continua única
Contras:
🔻A ausência da realidade virtual pode soar estranho
🔻Sistema de salvamento e carregamento pouco intuitivo
🔻Podia durar um pouco mais
Ficha Técnica:
Lançamento: 16/07/2026
Desenvolvedora: Polyarc, Blackbird Interactive
Distribuidora: Polyarc
Plataformas: PS5, Xbox Series, PC, Switch e Switch 2
Testado no: PC


