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Moons of Madness leva você para Marte, o planeta que guarda muitos segredos. A equipe de cientistas e engenheiros do grupo Orochi está desenvolvendo diversas pesquisas botânicas para entender o solo marciano e com isso tentar encontrar água, bactérias ou qualquer tipo de ser vivo que possa ser útil para os interesses e planos da empresa. Essa importante e secreta missão requer profissionais preparados e prontos para enfrentar uma rotina que te colocará em áreas jamais vistas e claro, em condições bem diferentes das quais estamos acostumados.

Neste jogo de ação em primeira pessoa você assumirá o papel de Shane Newehart, um engenheiro mecânico que cuida de toda a parte funcional desta base de pesquisas, mas não tem muita noção de quais são os reais objetivos desta missão. Sua estadia neste planeta tem resultado em pesadelos, visões e alucinações. Será que as tarefas têm culpa nessa loucura? São com essas características que o terror inspirado em Lovecraft ganha força, então não esqueça seu capacete e fique atento ao seu oxigênio, pois esse trabalho pode te deixar sem ar.

Experimentando a rotina marciana

Você acorda após um terremoto que, embora seja costumeiro, desta vez teve um impacto incomum e desestabilizou muitos equipamentos, principalmente o arranjo fotovoltaico que contêm diversas placas solares para captar a energia da instalação. Neste primeiro momento você será designado para consertar todos os setores afetados, é onde o jogo apresentará a rotina marciana que será bastante imersiva, graças ao belo visual e efeitos sonoros. Os comandos e interações também ajudam na experiência, pois em Moons of Madness você precisará, por exemplo, converter a atmosfera interna à instalação para a do planeta, sem esquecer, é claro, de colocar o capacete para não morrer sem ar.

Imagem do jogo Moons of Madness
Encher uma sala com plantas. Seria esse o sonho das mães?

Ficar atento a quantidade de oxigênio do seu traje espacial é importante mesmo que os cenários estejam repletos de tanques de reabastecimento de ar. Além dessas características, o visual está muito bem produzido e lembra bastante os cenários de Alien: Isolation. Algumas portas precisam de cartões de acesso, destravar alavancas ou abrem com a aproximação. Os equipamentos estão cheios de botões que precisam ser pressionados na ordem correta para executar suas ações. Já o som as vezes é nulo e ficamos apenas com o efeito sonoro abafado da ventania lá fora, o que vai te deixar tenso, ainda mais quando as coisas começam a ficar obscuras. Todos esses detalhes são muito bem-vindos e fazem o jogador sentir-se realmente um explorador espacial.

O equipamento principal de Shane é o biossensor, um tipo de controle remoto que está ligado a quase todos os equipamentos da estação de Moons of Madness. Com ele você pode sintonizar as placas solares, destrancar portas, controlar câmeras, sistemas de energia entre muitas outras funções, além de mostrar quais são suas próximas tarefas e organizar o seu inventário. O equipamento também será útil para a solução de muitos puzzles e algumas vezes vai indicar o caminho caso fique perdido.

Na tentativa de ajudar a estabilizar a instalação, você vai explorar áreas quais não deveria, pois não tem acesso autorizado. Mas é através disso que o engenheiro começará a descobrir que o grupo Orochi esconde coisas até mesmo desta equipe. Enquanto se aprofunda nas salas secretas suas alucinações se tornarão mais fortes. E não é pra menos, afinal, o ambiente começa a ter um visual sombrio, as plantas de estudo curiosamente se espalharam por todos os lados e inclusive são semelhantes aos que ele via em seus sonhos. Seria um déjà-vu ou pouco a pouco ele está se perdendo na loucura e já nem consegue mais determinar o que é real?

Imagem do jogo Moons of Madness
Isso é um Facehugger? Shane realmente precisa de férias.

A partir deste momento o clima não será mais o mesmo e você terá que enfrentar seus medos de cara, mas não pense que haverá combates com armamentos. Na verdade, Moons of Madness é focado na narrativa e em puzzles, então não espere aquele terror que vai tirar seu sono. Aqui, o clima é geralmente composto por muito suspense e alguns jumpscares. As criaturas são reais o bastante para te prejudicar, mas para se livrar delas basta apenas fugir ou solucionar os quebra-cabeças que em sua maioria são muito inteligentes e chegam a exigir que se anote códigos em um papel para depois organizá-los em uma ordem que faça sentido. Isso é muito interessante e te faz pensar na solução levando em consideração a narrativa e a lógica.

Os puzzles podem durar tempo suficiente para quebrar o suspense ou elevar essa sensação, pois há quem comece a explorar procurando a solução sem temer o perigo, mas também tem aqueles que (como eu) quanto mais tempo permanecem presos poderá sentir-se sufocado e ter medo de que algo possa alcançá-lo caso demore na solução. Infelizmente na maioria dos casos nada acontece enquanto não progredir no desafio e você realmente vai se tranquilizar diante disso. Poderia haver um timer ou algo que te pressionasse a progredir rapidamente, talvez até mesmo através dos pensamentos do próprio personagem, mas ao invés disso ele vai se calar e você terá que encontrar a solução sozinho.

Imagem do jogo Moons of Madness
Como é bom respirar o ar inexistente de Marte.

Enxergando a realidade ou apenas um pesadelo?

As mudanças de cenário de Moons of Madness são perturbadoras com inimigos que fazem referências claras às criaturas de Lovecraft. Outros momentos se assemelham a ilustrações das diversas obras do autor e quem acompanha seu trabalho ficará contente em ver essas representações mesmo estando um pouco espantado. Essas mudanças são bem produzidas, as transições te deixam confuso sem saber se aquilo é real, se realmente estamos lidando com seres alienígenas ou se é apenas uma paranoia de Shane.

A base está repleta de documentos e informações sobre a missão. Nas áreas secretas você vai descobrir os reais interesses da Orochi. Já nos momentos de loucura você também terá acessos a dados do passado do personagem. Mas o que é verdade? Caberá a você determinar o que é real nesta história e saber contra o que está lutando. Seja qual for a sua decisão, será instigante tentar entender o que se passa neste lugar e felizmente tudo está com legendas em português ajudando na interpretação.

Imagem do jogo Moons of Madness
Vou criar uma solução para essas paranoias agora mesmo!

Os seus companheiros de trabalho estão sempre em contato através do comunicador, mas fora isso você estará sozinho nesta tarefa, e terá que explorar cada canto tentando desvendar os segredos da Orochi ou os seus próprios – que você carrega através das suas visões. Essas missões pecam apenas pelas limitações como a impossibilidade de controlar o veículo Myrcat ou andar livremente pelo planeta vermelho. Ir de um canto para o outro poderia ser melhor e mais divertido, tirando um pouco da linearidade do jogo.

Os carregamentos e os pontos de salvamentos também podem prejudicar a experiência. Nestes momentos ocorrem pequenos travamentos independente do nível gráfico que você utiliza em Moons of Madness. Não é muito grave, mas pode incomodar, já que acontecem com frequência durante toda a jogatina, dando a impressão de falta de otimização. Felizmente o título está recebendo suporte ativamente e já recebeu atualizações para correção de pequenos bugs mesmo com pouco tempo do lançamento. Isso traz esperança de que as otimizações possam vir rapidamente.

Imagem do jogo Moons of Madness
Uma mecânica simples, mas traz uma boa preocupação durante a jogatina.

Outra característica que pode incomodar é a interface do jogo onde as informações de missões são apresentadas em uma cor que se mistura facilmente com as cores do cenário ficando difícil entender o que está escrito. Talvez devessem repensar neste visual ou deixar a informação apenas no biossensor. São problemas que podem incomodar, mas não vão atrapalhar a tensão e a inquietação durante sua exploração das terras marcianas.

Moons of Madness tem uma história tensa e instigante que vale a pena conhecer, uma pena que não dura tanto quanto gostaríamos. Mas a forma como a jogabilidade nos coloca para vivenciar a rotina deste engenheiro espacial, mexendo em equipamentos cheios de botões, criando fórmulas químicas para resolver puzzle é sem dúvidas muito divertido e imersivo. Resta saber se o que vemos através de Shane Newehart é real ou se ele endoidou de vez graças ao isolamento qual foi submetido nesta missão.

SCHiM

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