Depois de tanto tempo sem novidades da série Marvel vs. Capcom, muitos fãs ficaram órfãos de um grande jogo de luta com os heróis da Marvel. Agora, a Arc System Works assume essa responsabilidade, mas sem tentar copiar o passado: ela propõe uma nova identidade para os personagens e até para o gênero. Ainda assim, transmite aquela sensação de lutas aceleradas e caóticas do antigo crossover com a Capcom.

MARVEL Tōkon: Fighting Souls é um jogo de luta desenvolvido pela Arc System Works em parceria com a PlayStation Studios e a Marvel Games. De cara, o jogo chama a atenção por criar sua própria identidade, combinando a filosofia de design da Arc System Works, conhecida por títulos como Guilty Gear e Dragon Ball FighterZ, com um elenco de heróis e vilões da Marvel, resultando numa versão que lembra um pouco de cada coisa que já vimos nos jogos da desenvolvedora e, ao mesmo tempo, trazendo boas surpresas.

De 4 em 4, seguimos Avante Vingadores

Apesar de ser um jogo que se assemelha ao Marvel vs. Capcom, conforme você se aprofunda, começa a notar as diferenças e características que tornam esse título único. O principal diferencial é o sistema de equipes 4v4 que, diferente dos tradicionais jogos em equipe, não exige que o jogador domine quatro personagens individualmente. O jogo foi pensado para que as trocas, assistências e ataques combinados sejam intuitivos, mantendo profundidade para jogadores competitivos sem afastar os iniciantes.

Outro objetivo declarado pelos desenvolvedores foi tornar o gênero mais acessível. Os comandos básicos são padronizados entre os personagens, enquanto cada herói preserva habilidades únicas inspiradas nos quadrinhos, permitindo aprender o sistema antes de decorar movimentos específicos. Claramente, é um convite a todos, já que até os comandos mais simples resultam em combos lindos que enchem a tela de efeitos, do jeito que qualquer fã de heróis adora.

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Ainda sobre a equipe de 4 personagens, fui pego de surpresa quando entendi que a equipe divide uma mesma barra de vida. Não é necessário, portanto, derrotar os 4 personagens ao longo da partida ou obrigatoriamente usar os seus 4 membros da equipe. Isso é interessante, porque a batalha é para a equipe e não individual, deixando tudo mais dinâmico. Inclusive, nem sempre dá para chamá-los ou trocar os personagens: você precisa carregar uma barra de energia para habilitá-los.

Conseguir as assistências de outros personagens garante combos ainda mais grandiosos, além da possibilidade de assumir o controle deles em meio ao combo para criar uma sequência ainda mais absurda. Também existem formas de se defender ou quebrar defesas usando os demais personagens. E quando o medidor de Skill chegar a 150 pontos, o Assemble é desbloqueado, resultando num golpe poderoso coreografado por todos os membros da equipe e que pode ajudar a virar a partida.

É simplesmente sensacional e, mais uma vez, fácil de executar. No fim, as batalhas são ágeis e acessíveis, porém talvez difíceis de dominar, mas é um equilíbrio importante que mantém as lutas empolgantes o tempo todo.

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Além de aprender do básico aos comandos mais complexos no tutorial inicial, é no modo história que você tem a possibilidade de conhecer algumas das características únicas de cada um dos personagens que compõem o elenco inicial de MARVEL Tōkon: Fighting Souls. Com isso, você consegue ao menos saber o básico, porém essencial, para começar a pensar nos seus “dream teams” para os demais modos de jogo.

Ao contrário de muitos jogos de luta modernos, MARVEL Tōkon possui um modo campanha chamado Episódios, que são HQs divididos em arcos protagonizados por diferentes (às vezes, improváveis) equipes do elenco. A narrativa foi escrita pelo roteirista de quadrinhos Kieron Gillen, conhecido por trabalhos com X-Men, Young Avengers e até Darth Vader, reforçando a intenção de entregar uma experiência relevante também para fãs da Marvel que só querem curtir uma história inédita.

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As HQs de MARVEL Tōkon: Fighting Souls

São um total de 5 HQs para completar. Todas elas possuem um roteiro com o mesmo núcleo sobre a batalha contra a ameaça do Campeão sob a terra. O que diferencia entre as edições é o ponto de vista. Dá para acompanhar os Vingadores, X-Men, Homem-Aranha e até personagens que dificilmente vemos em jogos de luta, como o Motoqueiro Fantasma, Blade e tantos outros. Mas a equipe que você selecionar terá como missão se destacar para a batalha final, derrotando as demais equipes para provar seu valor e enfrentar o grande Campeão.

A história, de maneira geral, é bem curta e até acelerada, mesmo sendo dividida em 5 HQs. Depois de 2 versões concluídas, você acaba pulando as cenas que se repetem em ambas as histórias e foca apenas nos quadrinhos, já que esses sim trazem mudanças narrativas. A sensação que fica é de muita repetição e que funciona mais como um grande tutorial de cada personagem. Existe, inclusive, uma batalha contra a Xirena Awhina para ajudar a carregar a barra de Assemble, mas, honestamente, é muito chata. É uma espécie de puzzle em combate, onde ela fica atirando itens para destruirmos e, detalhe, isso se repete em todas as HQs.

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Outro ponto que me incomoda e certamente vai incomodar os fãs brasileiros é o uso dos nomes em inglês para os personagens e equipes. Isso quebra demais a dublagem em português, que é muito boa, mas perde força quando você escuta: “Perigo! Perigo!” e a Danger comenta: “Quem tá me chamando?”. Ou ouvir, do nada, os nomes em inglês no meio dos diálogos soa muito estranho. Isso é algo que já podia ser revisado, né? Quem sabe o Marvel’s Wolverine mude isso, vamos torcer.

Com a assinatura da Arc System Works

Fora das HQs, há muito o que explorar em MARVEL Tōkon: Fighting Souls, além dos modos on-line casuais, ranqueados ou salas de batalha. Existem diversas opções off-line e, nisto, a Arc System Works sabe bem como preencher e divertir. O básico modo Versus dá para batalhar contra a CPU ou contra outro jogador, escolhendo entre os 20 personagens iniciais e, ao completar uma das HQs, o Campeão se junta ao roster. É um belo elenco para iniciar, todos muito bons de utilizar e combinar.

O destaque fica para o Deadpool. O mercenário tagarela rouba a cena sem dúvidas, seja nos quadrinhos, nas introduções de batalha, nos golpes, combos e até em especiais. A quebra da quarta parede é constante. Tem até uma provocação contra as mudanças de poderes da Kamala Khan no live action. É muito engraçado trazer essas conexões de outras mídias para dentro do jogo e um verdadeiro deleite para qualquer fã que acompanha as produções do universo expandido da Marvel.

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MARVEL Tōkon: Fighting Souls também traz o modo Caos na Arcádia, que pode ser jogado sozinho ou on-line, onde você explora um pequeno mapa com avatares baseados em diversos personagens (e eles são extremamente fofos). O objetivo é reunir pontos suficientes para chegar em primeiro ao longo de 5 rodadas. Para alcançar isso, você precisa coletar itens, derrotar outros avatares, chegar aos pequenos fliperamas com rapidez, entre muitos outros eventos dinâmicos que acontecem espalhados pelo cenário.

O modo é divertido, é quase como um parquinho de diversões com personagens da Marvel, e aqui não está limitado ao roster de combate, tá. Eu, por exemplo, usei o Howard, o Pato na maior parte do tempo. Conforme progride, você desbloqueia inúmeros itens para personalizar os personagens. São escudos, luvas, armas, pets, dirigíveis e muitos outros. Para quem gosta de uma boa lista de colecionáveis, vai adorar explorar esses modos.

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Se você quer mais motivos para lutar, o modo Arena traz mais 5 percursos de batalhas com ramificações ao longo do caminho. Parece um pouco com os modos vistos no Dragon Ball FighterZ. E ainda promete uma surpresa para aqueles que completarem todas as arenas. Já o modo Sobrevivência te coloca numa batalha interminável com apenas uma barra de vida.

Motivos para descer a porrada

O desafio é ir além do limite, mas o jogo ajuda com pontos de salvamento após determinadas vitórias, bônus de combate que podem recarregar sua energia e, por fim, cards de Almas de suporte, que podem aprimorar diversos atributos como força, saúde, velocidade ou defesa. Dá para equipar até 3 cartas e, quando novas surgirem, você terá de ser estratégico com as escolhas. Talvez seja o modo mais desafiador do offline.

Você ainda pode completar a lista de lições de personagens. Para cada um, há uma imensa quantidade de tarefas para cumprir, ou seja, motivos para batalhar existem. E saiba que tudo traz recompensas, sejam novas skins para o roster de batalha, itens para os avatares do parquinho e até para a coleção da extensa galeria que o jogo possui.

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A galeria de MARVEL Tōkon: Fighting Souls reúne arquivos com informações deste imenso universo da Marvel, artes conceituais, um organograma de relacionamentos entre os personagens em que achei estranho não haver relação entre o Homem-Aranha e o Homem de Ferro, mas tudo bem. Também há um campo dedicado à coleção de cards de Almas e itens do parquinho de Arcádia. Por fim, Groot comanda a sessão de músicas e é simplesmente fantástico ouvir a playlist observando as reações dele, especialmente quando se trata de um rock pesado. Sério, é muito bom, risos.

Parece bobagem mencionar toda essa coleção, mas, sinceramente, é importante e interessante notar como a Arc System Works, que consolidou sua reputação com animações em estilo anime e sistemas de luta extremamente técnicos, conseguiu adaptar essa identidade para personagens mundialmente conhecidos. Em vez de reproduzir o visual do MCU como o conhecemos, o jogo aposta em versões estilizadas inspiradas nas HQs, com animações expressivas e golpes exagerados, marca registrada da desenvolvedora, e coloca isso de ponta a ponta em tudo que o jogo oferece, o que é muito legal.

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No PS5 Slim, durante todas as batalhas, o jogo se manteve estável e muito fluido, diferente da versão de PC que, como temos visto na internet, tem sofrido com o desempenho. Acredito que é só uma questão de tempo até serem aplicadas as correções para que todos possam batalhar sem grandes problemas. Também seria legal que o jogo chegasse aos demais consoles não é mesmo, não custa sonhar.

MARVEL Tōkon: Fighting Souls me conquistou desde o seu anúncio. A identidade visual proposta pela Arc System Works é uma baita mudança e é absurdamente linda. O jogo pode não ser o melhor em termos narrativos, mas, pensando nas lutas, que é o que realmente importa, esse sim é excelente. Acessível e com a possibilidade de ser competitivo para quem quer, e por isso digo, sem dúvidas, é finalmente um jogão de luta com heróis da Marvel que tanto precisávamos.

90 %


Prós:

🔺O combate é rápido, acessível e extremamente divertido
🔺O sistema 4v4 funciona muito bem
🔺Tem excelente direção artística da Arc System Works
🔺O elenco é variado e divertido de combinar
🔺Tem grande quantidade de modos e conteúdo
🔺Tem ótima performance no PS5

Contras:

🔻O modo história é curto e bastante repetitivo
🔻As batalhas contra Xirena Awhina são cansativas
🔻O uso dos nomes em inglês prejudica a dublagem brasileira
🔻A campanha funciona mais como tutorial do que como uma grande história

Ficha Técnica:

Lançamento: 06/08/2026
Desenvolvedora: ARC SYSTEM WORKS
Distribuidora: PlayStation Studios
Plataformas: PS5, PC
Testado no: PS5

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