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Raramente paramos para analisar o quão interessante é o mundo fotográfico. Cada fotografia é uma janela que mostra um espaço do tempo “congelado” eternamente em negativos, papel ou digitalmente. Madison, da BLOODIOUS GAMES, traz uma história que prova que nem tudo deve ser preservado.

Em uma casa que parece desafiar os limites da física e realidade, o jovem Luca deve usar uma câmera Polaroid para revelar segredos e ver além do que seus olhos podem captar. Uma experiência relativamente curta, porém, bem marcante e que poderia ter sido mais cuidadosa com certos aspectos.

Uma janela para a eternidade

Madison traz uma narrativa cativante logo de começo, quando o protagonista desperta. Seu pai esmurra a porta enquanto esbraveja profanidades sobre atitudes que Luca não se recorda de ter realizado. Enquanto explora o cômodo, ele descobre fotos de corpos desmembrados e um martelo que abre uma passagem bloqueada por tábuas.

Madison
Hora de enfrentar a escuridão!

Através da passagem aberta, Luca chega a casa de seu avô, uma casa anexada a de seus pais. Chegando lá, o sobrenatural começa a se manifestar: móveis se mexem sozinhos, estranhas fotos chamam a atenção nas paredes e uma câmera espera Luca em um cômodo iluminado por velas, uma cadeira ao centro e uma corda sugestivamente macabra paira sob o assento.

Com a câmera em mãos, Luca irá usar as capacidades misteriosas que as fotografias parecem exercer sobre este local. Os corredores escuros guardam mistérios que rondam toda a família de Luca, incluindo um estranho assassinato que ocorreu no passado, quando uma mulher de 43 anos esquartejou membros de sua família.

Enquanto investiga a casa, Luca acaba se deparando com uma estranha criatura que atende pela alcunha de “Joelhos Azuis”. Usando a câmera que encontrou, resta a Luca descobrir uma maneira de fugir do local, impedir ou espantar a criatura e salvar o que talvez reste de sua família.

Madison
Coração até deu uma paradinha de leve

Em um piscar de olhos

Madison, como grande parte das experiências de horror em primeira pessoa, é razoavelmente curto. Tem duração média de 6 a 7 horas, dependendo do jogador. Utilizando mais jumpscares ao invés de inimigos e confrontos diretos, Madison se aproveita da iluminação e imersão do jogador em seu universo para gerar tensão.

É preciso ficar atento enquanto explora os corredores e cômodos mal iluminados desta casa que muitas vezes parecem se estender infinitamente, ou, simplesmente levar a lugares impossíveis como cemitérios e esgotos. Sempre há uma dica sonora ou um susto esperando o jogador logo na próxima curva, salvo exemplos da estátua e guarda roupas.

Madison, no entanto, ainda é um jogo programado para assustar em determinados momentos. Esse, para mim, é um dos grandes problemas do gênero: quando você sabe onde está o jumpscare, ele se torna praticamente ineficaz em colocar o jogador em estado de pavor uma segunda vez.

Madison
Segredos sendo revelados

O game tem uma história bem envolvente e o desenvolvimento dela, com certas interações com o ambiente, ficou muito bem articulada e executada. Sem contar o posicionamento dos cômodos da casa, levando o jogador ao vale da estranheza tentando imaginar e se situar dentro do impossível imóvel.

Não apague a luz

Madison lembra muito o incrível Visage, uma excelente game de horror em primeira pessoa que conseguiu surfar de maneira fenomenal a crista da onda de Silent Hill P.T. Um jogo que traz uma experiência desnorteante pelos corredores de uma casa que também parece desafiar as leias da física.

Mas diferente dos jogos citados acima, Madison aposta em um segmento de gameplay mais voltado na utilização da câmera para poder encontrar pistas. Ideia essa que foi primeiramente apresentada no jogo Inflicted: Extended Cut, com a diferença sendo que a câmera aqui mostra segredos e a câmera em Inflicted altera o espaço.

Madison
Isso não parece um bom sinal…

Outra grande diferença é que, mesmo sendo previsível em certos aspectos, Madison consegue ser excelente na sua simplicidade. O game leva o jogador a uma visão íntima da relação entre Luca, sua família e seus avós e como eles pensam, sentem e interagem entre si, descobrindo segredos pelo desenrolar da narrativa.

Madison é uma excelente experiência de horror, uma das melhores que joguei este ano até o momento. Extremamente atmosférico, bons controles, iluminação de ponta e uma casa capaz de deixar qualquer um bastante tenso. Apenas o fato de se apoiar tanto em jumpscares reduz um pouco do seu brilho, afetando seu valor de replay.

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