Skip to main content

Tiny Toon, O Pequeno Scooby-Doo, The Flintstone Kids e até As Aventuras do Jovem Indiana Jones: quem foi que pediu essas versões mirins, “fofinhas” e desnecessárias dos personagens que fizeram sucesso? Nesses casos, eu não saberia dizer, mas Koa and the Five Pirates of Mara é a vontade materializada de mais de 5000 apoiadores no Kickstarter. A culpa é toda deles.

Summer in Mara foi a pérola escondida que joguei em 2020, uma charmosa aventura emocional que experimentei até o final, apesar de seus inúmeros defeitos, e deixou saudades. Infelizmente, o retorno do estúdio Chibig a Koa, seus amigos e suas ilhas, não sacia essa saudade, apenas a explora com mecânicas que deixam a desejar e que ainda periga saturar a memória daquele verão…

Era uma vez em Mara

O arquipélago de Mara é uma região tropical banhada por cores fortes e onde habitantes de diferentes raças não necessariamente humanas levam suas vidas pitorescas. Aqui, nasceu Koa, uma menina de temperamento inquieto, mas de bom coração, que não nega ajuda a ninguém. Ela transborda simpatia e sua coragem foi fundamental para preservar a paz e a harmonia de Mara no jogo anterior.

Mesmo com seus tropeços, Summer in Mara seguia uma história convincente e instigante que obrigava o jogador a alternar entre gerenciar sua plantação em sua ilha original e explorar a vastidão de Mara. Koa and the Five Pirates of Mara joga tudo isso fora, enredo e mecânicas, enxuga seu mapa para o mínimo do mínimo e reverte a idade de todos os envolvidos para caricaturas infantis que extrapolam o direito de serem fofas.

O botão de pular está presente em todas as interações, porque o fio condutor é realmente dispensável dessa vez. Agora, os cinco piratas que fazem parte do título do jogo, estão organizando um torneio para escolher quem será o sexto pirata de sua confraria. A jovem Koa entra na disputa, manipulada pela ainda mais irritante e traiçoeira Mayo, na expectativa de que os piratas devolvam os itens roubados da capital para seus habitantes.

É tudo uma conversa fiada sem fim entre o que realmente importa: mapas de plataforma. Em Summer in Mara, as constantes idas e vindas e conversas da história eram o núcleo da aventura, a interação que conectava o jogador com o arquipélago e seus curiosos personagens. Em Koa and the Five Pirates of Mara, são apenas um atrito desgastante entre um segmento de plataforma e o próximo. Os roteiristas parecem ter consciência de que são dispensáveis e os diálogos são óbvios e enfadonhos.

O design é tão cansativo que o jogo não salva no ponto em que você parou, mas de volta na capital Qalis, obrigando o jogador a navegar tudo de novo até a ilha onde estava fazendo os desafios. Não há um incentivo narrativo para avançar em Koa and the Five Pirates of Mara.

Corra, Koa, corra!

Ignorando toda a embalagem, então, o que temos na hora em que a jovem protagonista precisa colocar a mão na massa? Um título de plataforma 3D em que não se controla a câmera, um grande demérito no meu entendimento. Em determinadas partes do jogo, eu precisava literalmente parar o personagem para a câmera me alcançar e mostrar o caminho mais à frente. Em outros, a câmera mudava abruptamente, fazendo com que eu errasse o pulo.

Para complicar a situação, a velocidade normal de Koa é baixa, obrigando o jogador a manter o botão de correr apertado o tempo todo. Considerando-se que existe um sistema de pontuação e ranking para completar os mapas no menor tempo possível, a tendinite agradece.

Se o seu teclado tem ghosting, o limite de teclas simultâneas pressionadas pode ser um outro problema, quando se apertam duas teclas para se conseguir um movimento diagonal, tem que se manter o botão de correr ativado e ainda tem que se pular. Nem sempre o meu teclado respondia ao pulo. Errado sou eu de usar a interface nativa do PC? Talvez, porém jogos melhores de plataforma não me deram essa dor de cabeça.

Koa and the Five Pirates of Mara encontra seu ponto mais alto nos mapas de corrida propriamente ditos, quando a protagonista passa por cima de faixas que turbinam sua velocidade. Livre da necessidade de manter o botão de correr pressionado e com uma velocidade finalmente aceitável, o jogo se aproxima de um Sonic na diversão. Infelizmente, essas fases são tão raras quanto o ponto mais baixo do jogo: os segmentos submarinos e seu sistema de nadar lentíssimo e frustrante.

Na lista de mecânicas que não entregam o que prometem, temos a customização de personagem. As muitas conchas coletadas podem ser utilizadas para comprar roupas e mochilas novas para Koa. É uma pena que as roupas são todas muito aparecidas e só ganham destaque mesmo durante os diálogos que você deseja tanto pular. No modelo 3D de Koa propriamente dito, a roupa nova pouco aparece. Enquanto isso, a mochila não está visível nos diálogos e no mundo é imperceptível, ao ponto de eu não saber que Koa usava mochila até me oferecerem a opção de comprar mochilas novas.

Koa and the Five Pirates of Mara não convence

Koa and the Five Pirates of Mara é um exercício de preguiça da Chibig. Todas as ilustrações e animações são recicladas do jogo anterior, com exceção de algumas cutscenes. As músicas são novos arranjos da trilha original. É claro que tudo isso empresta um grande charme ao novo jogo, porém não deixa de ser um reaproveitamento barato. Talvez para quem esteja conhecendo o universo de Mara por esse título, tudo seja mágico e cativante. Principalmente, se for uma criança pequena.

No quesito plataforma, o jogo também não inova. Tudo que já foi visto antes na indústria está lá: fase do gelo, fase da lava, plataformas que somem depois de um tempo, projéteis passando pelo caminho. Não tem nada que pudesse ser exclusivo da região de Mara, tão rica em folclore e elementos estranhos a nosso mundo.

Há títulos melhores no mesmo gênero, há formas melhores de se conhecer Mara. Koa and the Five Pirates of Mara acaba se mostrando tão descartável quanto Scooby-Doo criança ou Fred Flinstone moleque.

70%


Prós:

🔺 Todo o charme de Summer in Mara
🔺 As músicas de Summer in Mara, com nova roupagem
🔺 Segmentos velozes de plataforma

Contras:

🔻 Historinha boba, sem qualquer laço emocional
🔻 Excesso de fofura
🔻 Problemas de câmera
🔻 Faltou criatividade nas plataformas ou desafio
🔻 Reciclagem

Ficha Técnica:

Lançamento: 27/07/23
Desenvolvedora: Chibig
Distribuidora: Chibig
Plataformas: PC, PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series
Testado no: PC

Review – Ruff Ghanor

Rafael NeryRafael Nery27/02/2024

Review – Penny’s Big Breakaway

Renato Moura Jr.Renato Moura Jr.27/02/2024