Skip to main content

Do francês, Jusant significa maré-baixa. É com essa definição que começamos esta nova jornada contemplativa da Don’t Nod, estúdio mais famoso pela franquia Life is Strange. De início, o jogo me proporcionou alguns flashbacks muito familiares, remetendo à sensação que tive ao jogar títulos como Rime e Shadow of the Colossus. É uma jornada solitária, onde devemos desbravar um mundo desconhecido por conta própria.

Felizmente, Jusant mostrou ter mais personalidade do que aparenta, proporcionando uma experiência realmente marcante. Temos aqui um jogo de aventura e puzzles onde seu único objetivo é subir – isso mesmo, escalar uma torre imensa ao mesmo tempo que tenta descobrir o que aconteceu por ali. Quanto mais você sobe, mais imerso fica naquele mundo onde o único ser humano é você.

Ao infinito e além

Jusant é um jogo de poucas palavras, então não espere uma narrativa mastigadinha e bem definida. O game começa em um grande deserto e assumimos o papel de um garoto que, ao lado de um bichinho mágico bastante simpático, começa a escalar uma torre montanhosa que parece ser infinita. Conforme subimos, vamos encontrando alguns registros e documentos que ajudam a entender o que é aquele lugar e porque ele está deserto.

Praticamente qualquer coisa é escalável neste jogo

Esse tipo de narrativa pode ser confusa e até mesmo tirar o interesse de quem não tem paciência de ficar lendo, mas vai por mim: leia tudo que encontrar! Aos poucos, vamos descobrindo mais sobre a civilização que habitava aquela torre e como a falta de água destruiu a vida daquelas pessoas. Por mais que tenha sua pitada de ficção, não dá para negar que estamos vivendo em uma realidade nem tão distante desta história.

Jusant é um jogo silencioso e contemplativo, que dá liberdade para o jogador explorar e escalar no seu próprio ritmo. Você não tem obrigação de sair procurando esses documentos e pode muito bem apenas subir desenfreadamente, mas vai acabar perdendo parte da imersão. Assim como Rime, este é um título repleto de colecionáveis que estão ali para agregar conteúdo ao seu universo, então vale a pena vasculhar cada cantinho atrás deles.

Além de fofo, esse bichinho também nos ajuda com seus poderes mágicos

A campanha dura em média seis horas, então é um jogo bem curtinho e que dá para terminar em apenas um dia de jogatina. Os apressados que quiserem apenas alcançar o topo da torre vão conseguir finalizar ainda mais rápido, então não tenha pressa e aprecie a escalada.

Encontrando seu caminho

O foco central de Jusant é escalar a torre e todos os puzzles são encaixados brilhantemente dentro dessa proposta. Aqui os quebra-cabeças não são utilizados para abrir portas ou descobrir itens, se resumindo apenas a encontrar o caminho certo para continuar escalando. Ao mesmo tempo, precisamos lidar com o vigor do personagem, que pode acabar no meio do caminho.

Ainda que tenhamos uma série de apetrechos na manga para evitar que o menino despenque lá de cima, não dá para negar que quanto mais subimos, mais tenso o jogo fica. É inacreditável como Jusant consegue te colocar na pele daquele garoto, sentindo toda a tensão e esforço de escalar uma montanha rochosa que não nos proporciona segurança alguma. Cada trecho superado é uma vitória pessoal à parte.

Usar os pinos estrategicamente é essencial para evitar perder o seu progresso

A jogabilidade pode ser meio confusa e obviamente isso foi intencional, para deixar a escalada ainda mais intensa. Aqui usamos os dois gatilhos do controle (L2 e R2, no PS5) para mexer cada braço do personagem; se você quiser que ele use o braço esquerdo para subir, aperta o L2, enquanto o R2 controla o direito. É necessário administrar os comandos desse jeito e demora um tempo até se acostumar – mas mesmo depois de estar familiarizado, esse sistema continua causando confusão em certos momentos.

Essa parte técnica acaba sendo o ponto mais falho do jogo, pois a jogabilidade é um tanto bugada. O personagem fica preso em elementos do cenário com frequência, mesmo quando não está pendurado na corda. Perdi a conta de quantas vezes precisei ficar pulando feito louco para escapar de algum cantinho que travou o menino. A boa notícia é que isso não chega a prejudicar nossa performance, mas acaba sendo muito irritante.

Empilhar pedras é um dos objetivos opcionais do jogo

Outro ponto falho é que nem sempre é tão óbvio encontrar seu caminho, então alguns puzzles não são tão intuitivos como deveriam. Em um certo trecho do capítulo 3, fiquei um bom tempo me balançando em uma corda simplesmente porque precisava usar um comando específico para me agarrar no próximo ponto. Como eu não sabia disso, acabei desperdiçando vários minutos tentando entrar em lugares que não eram possíveis naquele momento.

Felizmente, esses deslizes não foram o suficiente para estragar minha experiência em Jusant. O jogo certamente saiu melhor que a encomenda e me surpreendeu positivamente. Ele se sai bem em tudo que propõe: instiga a curiosidade, traz um sistema de escalada imersivo e até consegue ser relaxante, dentro daquele vazio imenso. Não há dúvidas que é um daqueles indies para todos darem uma chance!

85%


Prós:

🔺 Experiência de escalada bastante imersiva
🔺 Puzzles bem elaborados
🔺 Enredo interessante, na medida do possível
🔺 Uma excelente jornada contemplativa

Contras:

🔻 O personagem enrosca em absolutamente tudo
🔻 Alguns puzzles são pouco intuitivos
🔻 O estilo de narrativa pode tirar o interesse de alguns jogadores

Ficha Técnica:

Lançamento: 31/10/23
Desenvolvedora: Don’t Nod
Distribuidora: Don’t Nod
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series
Testado no: PS5

Review – Ruff Ghanor

Rafael NeryRafael Nery27/02/2024

Review – Penny’s Big Breakaway

Renato Moura Jr.Renato Moura Jr.27/02/2024