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Começou com uma piada, mas anos depois ainda estamos rindo dela e dando rios de dinheiro para a Coffee Stain. O estúdio saiu do semi-anomimato (sério, quem jogou Sanctum?) graças ao primeiro jogo com cabras, virou uma produtora com dez títulos lançados (incluindo o também bem-sucedido Deep Rock Galactic), foi comprada por uma empresa maior e agora retorna ao ponto de partida com Goat Simulator 3.

E, não, você não perdeu um segundo jogo: eles simplesmente decidiram pular para o número 3. Se você deu um sorriso amarelo de constrangimento diante dessa informação, infelizmente talvez esse não seja o jogo para você. Se você jogou o primeiro título e, só de se lembrar de como foi, emitiu um balido estridente quando a continuação foi anunciada, esse é o jogo da sua vida.

Cabra da moléstia

Há muito tempo, alguns programadores com tempo sobrando e um motor de física todo bugado produziram um vídeo de demonstração de uma cabra destruindo objetos e causando caos em um subúrbio. Esse vídeo foi solto na internet, instantaneamente virou um fenômeno viral e as pessoas perguntavam: “quando sai o jogo?”. Não tinha jogo a essa altura do campeonato, mas a Coffee Stain, onde trabalhavam aqueles desocupados, colocou prioridade máxima no projeto. Nascia Goat Simulator.

Para os desavisados, o jogo original era um mundo aberto sandbox em que o jogador controlava uma cabra e podia fazer o que desse na telha. Claro que essa liberdade plena só funcionava se as intenções do jogador fossem causar destruição e caos em tudo ao seu redor. Os múltiplos bugs e comportamentos inesperados provocados pelo motor se tornaram parte da brincadeira, porque nada ali estava se levando a sério.

O que nos leva a Goat Simulator 3, um título que começa exatamente referenciando o anterior. A cena de abertura (que é uma sátira de The Elder Scrolls: Skyrim) traz nosso protagonista sendo transportado em uma carroça para uma nova localidade. Tudo que aconteceu no jogo anterior (e suas expansões) é canônico nesse universo: uma cabra maluca virou a cidade de pernas para o ar e foi até para o espaço. As pessoas falam das cabras com apreensão e é evidente o temor de que a insanidade se reinicie.

Essa insanidade se reinicia no exato momento em que você desce da carroça e já pode ir para onde quiser. Dane-se o que o fazendeiro disse, você não vai passar o resto do jogo comendo pasto no sítio ou ter alguém puxando suas tetas. Você é o avatar de algo maior, com poderes místicos inexplicados e um castelo para chamar de seu.

Embora o fino fio de contexto não exerça qualquer diferença na jogabilidade, é interessante ver como a Coffee Stain tenta dar uma sensação de continuidade em Goat Simulator 3, construindo um universo interligado. É a forma do estúdio deixar à vontade aqueles que testemunharam essa festa lá atrás.

Goat Simulator 3 é impecável… do seu jeito

A desenvolvedora absorveu algumas inovações que foram lançadas nos DLCs do jogo original, principalmente o conceito de missões e desafios para serem executados. Embora o jogador não tenha qualquer obrigação de seguir as direções que o título dá, é bom saber que existem tarefas para oferecer algum tipo de norte para os menos criativos ou até mesmo para desencadear cenas ou mecânicas que seriam impossíveis de se descobrir por tentativa e erro.

Desta forma, Goat Simulator 3 está mais para um Tony Hawk de cabra do que para um GTA. O mapa é seu playground, a mão da desenvolvedora está ali só para sugerir algumas brincadeiras, mas não há uma história condutora. Completando desafios, se conquistam pontos que podem ser gastos desbloqueando apetrechos que adicionam novas habilidades a seu animal ou são somente itens estéticos. Ou seja, brinque para poder brincar ainda mais.

O resultado disso é um mar de atividades para serem descobertas no seu ritmo, sem ordem lógica ou pressão. De certa forma, achei os desafios mais simples ou mais óbvios de se identificar do que as tarefas do jogo original, que tinham algumas conquistas bem irritantes de se obter, contrariando um pouco a proposta de diversão descerebrada.

Entretanto, com um volume tão alto de colecionáveis e atividades a serem encontradas em um mapa gigantesco e contínuo, os fãs de desafios não terão do que reclamar para platinar Goat Simulator 3.

Curiosamente, Goat Simulator 3 está polido, livre de bugs desagradáveis ou respostas incorretas de controles, uma praga que era tolerada no título de estreia. Chega a ser estranho jogar um Goat Simulator que simplesmente funciona em todos os seus aspectos. Em alguns momentos, sou arremessado inexplicavelmente para alturas absurdas ou meu modelo se transforma temporariamente em um espaguete gráfico, mas são falhas tão raras e inofensivas que não me surpreenderia se fossem intencionalmente colocadas para evocar o tom de galhofa do primeiro jogo.

Beéééé pra você e seus amigos também

Se você nunca jogou um Goat Simulator com alguém, sugiro que comece agora. Pare de ler esse texto e vá espalhar essa alegria adiante. Não conte nada sobre o jogo, não explique, apenas plugue um outro controle e deixe a pessoa solta. Em cinco minutos, haverá risadas. Se não houver risadas, chame a ambulância, essa pessoa está morta por dentro.

Goat Simulator 3 permite até quatro jogadores em tela dividida, mas certifique-se, é claro, que sua tela seja bem grande. Não há “tethering”, ou seja, os outros jogadores não estão vinculados à proximidade do jogador principal e podem ir para qualquer direção, fazer qualquer coisa que der vontade, inclusive sabotar ou perseguir uns aos outros. Se vocês chegarem a um acordo, há diversos mini-jogos competitivos espalhados pelo mundo, desde um futebol maroto, até o “chão é lava” com lava de verdade, passando por uma variação de pique-esconde.

O mapa de Goat Simulator 3, apesar de ser maior que as três áreas do primeiro jogo juntas, não apresenta telas de carregamento. O(s) jogador(es) irá(irão) encontrar múltiplas referências a outros jogos e ícones da cultura pop, do jogo independente Mr. Prepper até a multiplatinada franquia Velozes e Furiosos.

Não há muito o que dizer ou o que interpretar a respeito de Goat Simulator 3. É um jogo de cabras e zueira, igual ao primeiro em vários aspectos, mas melhorado em tudo que podia ser melhorado.

90 %


Prós:

🔺 Cabras (mas também tem porcos, rinocerontes e uma baleia cúbica… confia!)
🔺 Metralhadora giratória de absurdos
🔺 Parodia jogos e filmes
🔺 Está polido!

Contras:

🔻 É basicamente mais do mesmo
🔻 Desafios são mais fáceis
🔻 Não tem o Deadmau5
🔻 Ou será que ele está escondido?
🔻 Alguém sabe?

Ficha Técnica:

Lançamento: 17/11/22
Desenvolvedora: Coffee Stain
Distribuidora: Coffee Stain
Plataformas: PC, Xbox Series, PS5
Testado no: PC

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