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A seis meses atrás o mundo gamer teve o seu “despertar” com o gênero mecha mais uma vez com o anúncio de Armored Core VI: Fires of Rubicon, mas a verdade é que no Nintendo Switch, um dos jogos mais influentes do gênero, já respirava de novo. Pois para Armored Core poder alçar vôo, Front Mission 1st teve que andar e o mesmo se repete agora com seu remake.

Trazendo um combate militar em uma pequena ilha, Front Mission 1st: Remake traz ambos os lados do 2° Confronto de Huffman a tona para que o jogador tenha uma experiência completa do brutal mundo de conflitos mecanizados. Seja do lado da O.C.U e os Canyon Crows e a U.S.N.

Um dos pioneiros que vieram após MechWarrior em 1989 e fonte de inspiração para outros jogos do gênero de mechas que estavam por vir no futuro, Front Mission 1st: Remake irá te levar aos fronts de Huffman.

Uma faísca em um depósito de pólvora

Front Mission 1st: Remake, se passa no distante ano de 2090, onde o mundo se vê dividido entre a Oceania Cooperative Union (O.C.U) e o United States of the New Continent (U.S.N). Sendo a ilha de Huffman um dos locais onde essa divisão terrestre está presente fisicamente em um solo habitado.

O jogador logo conhece o protagonista desta história, Royd Clive, um talentoso piloto de Wanzer – Derivado do Alemão de Wanderpanzer, Tanque Ambulante”, máquinas de combate gigantescas que invadem os campos de batalha. Um valioso membro da O.C.U, onde pilota ao lado de Ryuji Sakata, um amigo que fez ao chegar na ilha e sua colega Karen Meure, com quem se casou tempo depois.

Com as tensões aumentando entre as forças militares de cada lado, tudo chega a um estopim quando Royd e seu esquadrão, durante uma missão de reconhecimento em solo da U.S.N são emboscados. Com objetivo de descobrir informações sobre uma fábrica de munições, que é destruída pela própria U.S.N e com Karen sendo dada como morta após seu Wanzer ser destruído e Royd e todo o seu esquadrão sendo dado como perdido.

Front Mission 1st: Remake
Ambos os lados tem seus motivos para estarem neste confronto

Expulso do exército e vivendo de cidade em cidade lutando em arenas de Wanzers, Royd seria colocado novamente ao lado dos militares. O 2° Grande Confronto de Huffman está em força total, a U.S.N ganha cada dia mais território e expande seu reinado de terror, com ataques calculados e uma força praticamente inumana. Será Royd um herói ou apenas mais uma marionete neste grande palco de guerra robótico?

Mais do que apenas metal pesado

Você, jogador, que apenas viu jogos de mechas em animes como Mobile Suit Gundam e Evangelion ou títulos como DAEMON X MACHINA, Mechwarriors e como o já dito Armored Core e está esperando voos rasantes, robôs atravessando prédios ou poderes adormecidos dentro dos robôs, saiba que este não é o caso aqui!

Front Mission 1st: Remake traz uma história e gameplay mais focada em eventos de um front de guerra, uma batalha de atrito que irá colocar o jogador contra um grande número de Wanzers tão bem equipado quanto os seus. Onde cada personagem possui uma abordagem diferente ao conflito, seja ela em habilidade ou motivação pessoal.

Front Mission 1st: Remake
Muitos inimigos derrubam peças quando derrotados

Cada piloto possui um Wanzer próprio, o qual o jogador pode alterar completamente seja em peças ou em armamento. Cada mecha é dividido em quatro áreas, sendo elas corpo/cabeça, braços esquerdo e direito e pernas, respectivamente respondendo a partes independentes deles, com status diferentes em cada região. Afinal a vida total do Wanzer não existe e sim uma barra para cada uma das partes, caso perca a perna, ou braços ainda poderá se mover.

Além das peças, o jogador pode equipar braços que são armas por si só, como o canhão Hornet, um enorme canhão, ou a metralhadora montada Vapor. Braços que possuem ombros, podem receber ainda escudos ou lança misseis para aumentar as chances de defesa e ataque a longa distância.

A vida no front é imperdoável

Para aumentar suas chances de sobrevivência, o jogador pode usar quatro tipo de armamentos, sendo elas combate, curta e longa distância ou suporte. Armas de combate servem para ataques corpo a corpo, sendo representadas por bastões ou tonfas.

Front Mission 1st: Remake
A arena é uma boa chance de fazer ou perder dinheiro

Armas de curta distância geralmente são pistolas, escopetas e submetralhadoras, enquanto armas de longa distância são representadas por lança misseis. Armamentos de suporte geralmente são os lançadores equipados nos ombros dos robôs, servindo como artilharia a longa distância e são impossíveis de serem contra-atacadas. Ainda há as mochilas que podem ser equipadas nos Wanzers, permitindo carregar itens, munições e aumentando o poder de carga dos mesmos.

Você pode estar se perguntando por que disse contra-ataque, já que Front Mission 1st: remake continua sendo igual ao original, um jogo de combate em turnos. Sim, sempre que o jogador ataca, seja com armas de perto, combate ou de longo alcance, o oponente pode contra-atacar no mesmo turno, exceto se torne incapacitado do mesmo.

Em Front Mission 1st, sempre que um ataque é realizado, ele é direcionado aleatoriamente nas partes do oponente, ou seja, além da chance de erro, os danos podem atingir uma das quatro partes. Cada parte possui sua própria barra de vida, referente ao modelo instalado, incluindo os braços, que podem ser diferentes, com isso caso os braços sejam destruídos, ficam incapazes de realizar qualquer ataque, com as pernas a mobilidade fica comprometida e no caso do corpo, o Wanzer é destruído.

Front Mission 1st: Remake
Os gráficos estão incríveis nesta nova versão

Navio de Teseu robótico

Front Mission 1st: Remake é uma excelente nova adição as outras versões do primeiro jogo, sendo elas a de Playstation 1, Wonderswan e Nintendo DS. Enquanto as versões do portátil Wonderswan e Playstation 1 são dificilmente jogaveis, uma vez que se é necessário usar tradução de fãs, a versão de Nintendo DS é sem dúvida a melhor.

Tendo jogado as outras versões, é fácil ver o quão melhor a do portátil antigo da Nintendo deixa o jogo. A versão de Wonderswan era razoavelmente mais fácil, enquanto a de Playstation foi a versão que trouxe a narrativa paralela da U.C.S com Kevin Greenfield como protagonista.

A versão do remake de Playstation 1 serviu para criar pontos de narrativa que seriam revisitados em Front Mission 4 e Front Mission 5: Scars of the War. Já a versão de Nintendo DS explora ainda mais estas ligações com missões secretas extras tanto para a narrativa da O.C.U quanto da U.S.N.

Front Mission 1st: Remake
Uma das telas que mais aparecem para aqueles não preparados

Neste mar de versões, qual e como a versão originalmente lançada no Switch se encontra? Bom a Forever Enterteinment focou originalmente no port de Nintendo DS, ou seja, Front Mission 1st: Remake é a versão definitiva, do que antes era a versão definitiva do primeiro jogo.

Mudança completa e poder de fogo aprimorado

Front Mission 1st: Remake, além de ter sido feito em cima da melhor versão do jogo, traz um gameplay ainda mais refinado, desafiador e tão marcante quanto o original. Caso mesmo assim o jogador prefira a visão e gameplay do antigo, pode ficar sossegado, uma vez que o jogo permite jogar em um sistema clássico e moderno.

No sistema clássico, o jogador irá jogar a versão de DS, com os gráficos modernos e refeitos do zero pela Forever Enterteinment. Os Wanzers não irão deslizar e sim andar ainda e câmera será estática, permitindo apenas a visão de um dos lados da tela, admito que inicialmente pensei em jogar desta maneira.

Front Mission 1st: Remake
Braço para que, se você pode ter um canhão no local

Contudo, em conta do review, experimentei a versão moderna e foi a decisão correta no fim das contas. A versão moderna permite que os Wanzers se propulsionem mais rapidamente para os locais desejados, a câmera se move para cima e para baixo, além de uma visão em 360°.

Tudo isso além de um mapa estratégico que permite ter uma visão mais tática do combate em questão. Uma versão melhorada de um jogo já excelente por si só, mas isso não quer dizer que Front Mission 1st: Remake esteja livre de críticas, que já vem vindo desde o jogo original.

Todas batalhas geram perdas

Um dos grandes problemas de Front Mission 1st: Remake é a grande dependência até hoje em R.N.G, o que não é algo ruim, se bem aplicado. O uso de R.N.G em Front Mission 1st: Remake é algo que torna o jogo difícil de se envolver, afinal a imersão de pilotar um robô gigante que não consegue sequer mirar é algo um pouco desinteressante.

Front Mission 1st: Remake
Não há lugar que não possa se tornar um campo de batalha

No lançamento original era até mais compreensivo, afinal com a memória limitada do Super Nintendo, o R.N.G total era uma ferramenta mais pratica de se usar em escala ampla. Nos dias atuais no entanto, uma utilização de mira mais ampla em partes específicas, seria mais imersivo, mesmo que ainda houvesse R.N.G agindo ao fundo.

Front Mission 1st: Remake é um excelente retorno a um dos jogos mais marcantes do gênero mecha, com uma narrativa que se expande pelos outros títulos e continua sendo tão incrível quanto esta primeira. Com o anúncio do remake do terceiro game, podemos esperar ainda mais frentes de batalhas e cemitérios de Wanzers para se viver combates e histórias marcantes.

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