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O produtor Kenichiro Tsukuda, nos anos 2000, trouxe ao PlayStation 2 o título Armored Core 2. Mantendo a trilha de sucesso do game anterior, lançado no primeiro console da Sony, ele tinha revitalizado completamente a franquia de destruição de robôs naquela geração. Com nomes poderosos por trás, como a FromSoftware e a Ubisoft, o game arrancou suspiros e trouxe inúmeras sequências. Os anos se passaram e a franquia esfriou na geladeira de vários outros jogos, até que o gigante finalmente resolveu despertar com Daemon X Machina.

Tsukuda, agora na Marvelous, fez uma parceria com a Nintendo para trazer o primeiro jogo de mechas gigantes para o Switch. Daemon X Machina é o sucessor espiritual de tudo que já vimos nas gerações passadas, mas agora com o foco no futuro do gênero.

Vai começar a cyberluta

Daemon X Machina traz a explosão da Lua como um dos eventos que alterou a nossa realidade como a conhecemos. Entre os seus efeitos, está a alteração das vidas cibernéticas, que aparentemente seguem um código próprio e possuem planos para exterminar a humanidade. Para conter isso, os humanos criaram robôs gigantes para impedir os planos do que quer que esteja no controle da situação.

Imagem do review de Daemon X Machina
Você pode personalizar como quiser, de todas as formas.

Os Arsenais, como são chamados, são completamente customizáveis. Essa é a maior graça do título e o que vai atrair as pessoas para jogá-lo. Você altera a cabeça, braços direitos e esquerdos, pernas, armas de cada lado e, inclusive, armas reservas para puxar quando sua munição acabar. Ainda escolhe as cores de cada parte, além de obter pinturas distintas, grafites para pintar por cima e tudo mais.

Além do robozão, o personagem principal também é customizável desde o início. Você escolhe suas roupas, cabelo, aparência e tudo mais. Porém, conforme você resgata melhorias para ele, isso pode acabar sofrendo alterações no futuro. E não, você não leu errado. Apesar do Arsenal, você consegue ganhar e compras outras peças, e o humano que controla também tem um conjunto de habilidades que podem ser utilizadas durante o jogo.

Tudo isso pode ser realizado no Hangar, um gigantesco local onde poderá visualizar o seu Arsenal guardado e a central para todas as suas missões. Lá também há o Laboratório que permite essas alterações visuais do personagem, uma sorveteria que habilita vários efeitos diferentes para serem usados nos combates e o hub para acessar o co-op online ou local. Para o multiplayer local, são necessários outros consoles para habilitar, já que ele não conta com tela dividida.

Mais armado que o Exterminador do Futuro

Enfim, agora habituado com onde ocorre a estratégia, finalmente temos os confrontos. Daemon X Machina é incrível quando parte para a ação. Várias máquinas vindo para cima de você, às vezes até mesmo mercenários. Para combatê-los, você tem acesso a rifles, metralhadoras, bazucas, escudos, espadas e o que for possível para enfrentar todas essas ameaças. Os mísseis também são muito importantes, já que quando teleguiados se tornam uma ótima defesa contra uma grande quantidade de inimigos.

Imagem do review de Daemon X Machina
A ação desenfreada pode ocorrer em vários tipos diferentes de missão.

Em nenhuma vez experienciei um travamento ou queda visível de frames durante o combate, o que me deixou empolgado enquanto os tiros percorrem o mapa. Falando nele, alguns são pequenos para delimitar ação rápida, e outros são gigantescos para que você consiga se esconder e curar os danos causados no seu Arsenal. Há missões em campo aberto, outras em túneis e ambientes fechados, para todos os gostos.

Como revelado nos trailers, há também batalhas colossais contra chefões. A princípio, eles assustam bastante, mas não precisa ficar nervoso já que a maioria possui pontos fracos e acertá-los facilita a sua vitória. Confesso que é complicado enfrentá-los enquanto há outras máquinas em campo que você não eliminou, já que ficam te atacando enquanto o monstruoso robô tenta te esmagar.

Imagem do review de Daemon X Machina
Prontos ou não, os chefões chegam destruindo tudo em seu caminho.

A cada missão vencida, sua reputação vai subindo, assim como o número de aliados. Dá para contratar NPCs de outros grupos para te ajudar, dependendo de sua capacidade de pagar o valor cobrado por eles. Além disso, novos itens e peças começam a surgir na loja dependendo da sua posição. No início, você só consegue peças novas se pegá-las dos destroços da batalha, mas subir de ranking te dá acesso a mais opções de compra.

A queda da revolução das máquinas

Infelizmente, Daemon X Machina tinha tudo para ser perfeito, mas o que expliquei acima é tudo que o game tem a oferecer. O jogo é bastante limitado, tornando-se muito repetitivo e entediante com o tempo. O ciclo é simples. Você entra na missão, a única coisa que te segura no jogo, vence, volta pro Hangar, mexe no seu robô e, após isso, entra em outra missão. Sim, é um jogo de robôs, serve para isso, mas a rotina fica cansativa após cinco horas fazendo exatamente a mesma coisa.

Imagem do review de Daemon X Machina
Entra no hangar, mexe no robô, aceita missão e o ciclo se repete.

Fire Emblem: Three Houses inovou o RPG tático incluindo um ambiente enorme de área aberta para explorar e se relacionar com outros personagens. The Legend of Zelda: Breath of the Wild implementou várias inovações que revitalizaram não só a franquia, mas o gênero como um todo. Super Smash Bros. Ultimate conseguiu criar uma história envolvente para os seus quase 80 personagens jogáveis. Dava para ir além e a Marvelous apostou no que seria seguro, tornando o jogo em apenas mais um novo título de uma moda antiga.

O fato de você conseguir sair do robô no meio do combate ou após a destruição dele podia ser muito melhor explorada. Caso jogue, perceberá que haveria espaço para stealth, talvez? Ter inserido veículos também podia ser uma boa adição considerando o tamanho das fases. É decepcionante ver o quanto eles poderiam usado do potencial da plataforma Nintendo Switch e entregaram algo maçante.

Começando mais uma missão com os parceiros mercenários.

Até mesmo no quesito gráfico, no qual o jogo é impecável na ação, traz algumas estranhezas. Tenho de admitir que não lembro de outro título cujas cutscenes seja mais mal-acabadas do que a própria gameplay. Diria que achava impossível disso acontecer, até ver Daemon X Machina. Os diálogos e reações dos personagens também não entregam uma boa sincronização labial, sendo bem esquisitos em alguns momentos.

Quanto à parte técnica, recomendo bastante que não jogue usando os joy-cons. Você consegue vencer os combates, interagir e tudo mais, mas não se compara de forma alguma à performance que o jogo atinge enquanto está com o Pro Controller. Sendo melhor descrito como um game de tiro em terceira pessoa, ter um controle Pro te deixa mais seguro para as adversidades que aparecerão nos combates.

Imagem do review de Daemon X Machina
Créditos ao Behemoth, robô criado para me acompanhar nesse review.

Daemon X Machina é um título muito esperado pelos fãs do gênero e traz os combates entre as máquinas de forma impecável e num ambiente bem propenso às missões dadas. Porém, ele falha grandiosamente em entregar algo que possa te divertir além dessa parte, como se todo o restante fosse apenas um respiro curto entre os momentos de ação.

Você vai se pegar mais tempo mexendo e testando coisas em seu Arsenal que propriamente em missões, e a equipe da Marvelous é competente o bastante para ter criado algo que fosse além. Uma pena que recebemos apenas mais um de vários desse gênero, quando a plataforma permitiria uma abordagem mais completa que honrasse o legado de exclusivos que tivemos até agora.

Imagem do texto de RKGK

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