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A fórmula para trazer Dead Island 2 tinha tudo para dar errado. Se passaram oito anos desde o seu anúncio, passando pela mão de vários estúdios, sendo adiado constantemente e sumindo com frequência dos holofotes. Some isso ao fato da responsável por ele ser a Dambuster Studios, que trouxe uma péssima experiência com Homefront: Revolution e tudo isso seria garantia de uma grande bomba nas mãos.

Porém, contra todos as apostas, eles trouxeram não apenas uma grande experiência – mas também um dos títulos mais divertidos de zumbis que já joguei desde o primeiro Dying Light. E, claro, com todo o glamour que a vida da alta sociedade pode oferecer dentro de um apocalipse do gênero.

Se você está prestes a apertar os cintos para pular nessa aventura, trate de reconsiderar. Não digo isso para pensar 2x em comprá-lo, mas sim porque nem dará tempo disso. Aqui o terror está ao lado da ação e ambos caminham em conjunto para entregar uma jornada que não pegará leve nem com aqueles que “jogam no seguro”. Aqui não tem isso de lugar seguro e nem mesmo ser imune às mordidas ajudará você a se manter vivo por Los Angeles.

Senhoras e senhores, Dead Island 2!

Sendo muito sincero com vocês, o início de Dead Island 2 já me quebrou por completo – para o bem – ao apresentar um universo de possibilidades. São vários personagens para escolher, cada um com uma habilidade distinta e fatores que podem ser decisivos para cada tipo de gameplay e jogador. Aí apresentam uma história atraente. Gráficos muito bons. Vozes, sons e tudo mais fazendo o seu trabalho com louvor.

No momento que você pode encarar os zumbis pela primeira vez, outro grande impacto: o humor que eles carregam não te livrará nem por um instante do cenário gore que eles implantaram na jornada. Braços sendo cortados, cabeças voando, carne derretendo, sangue para todos os lados…tudo o que você pode imaginar não é apenas jogado na sua frente – são consequências das atitudes e caminhos que toma e das armas que escolhe.

Se isso não fosse o bastante, agora insira um mapa imenso repleto de mansões e locais para serem visitados – estação de tratamento de água, delegacia, esgoto, base do exército e até mesmo a Calçada da Fama. Se o seu coração não vibrou em saber que poderá encontrar uma infinidade de zumbis distintos e poder acabar com a raça de cada um deles de várias formas possíveis e em diversos locais, sinto informar que mais nada pode te divertir assim neste mês.

Espero sinceramente que o gore não te incomode

Parece que a Dambuster Studio aprendeu a sua lição e ofereceu aos jogadores cada pequena escolha que Dead Island 2 poderia ter no trajeto. Se em algum momento eu considerei ele um “flop” antes mesmo de lançar, neste texto eu confesso o quanto estava errado. Tem jogos que lançam e estão “bons”. Gotham Knights é um exemplo. Tudo funciona. Porém, não é divertido. Aqui, além das coisas funcionarem, elas são o ápice da alegria depois de um dia estressante ou corrido que temos normalmente.

Apenas um exemplo do que você pode fazer: o seu personagem está na frente de uma horda de zumbis, você corre e dá uma voadora de duas pernas nos primeiros para derrubar os demais. Aproveita a confusão e joga um coquetel molotov, vendo as tripas de uma grande parte deles queimando em conjunto. Aproveita o galão de óleo e espalha, para mais deles pegarem fogo. Alguns escaparam? Não tem problema, puxa uma lâmina modificada com eletricidade ou outros efeitos e dilacere o que estiver ainda no caminho.

Putz, têm mais ainda vindo e seus recursos estão acabando? Não tem problema. Entre na primeira mansão que vir, corra para perto da piscina e empurre o máximo possível para dentro da água. Ligou o motor que ficou caído ali perto e pronto, todos eletrocutados. Só que é bom também tomar cuidado, assim como você tem um arsenal de opções em mãos, eles também carregam algumas cartas na manga. E saber lidar com isso pode ser o diferencial entre a vida e a morte por ali.

Em Dead Island 2, cenas assim são mais comuns do que imagina

Explorando infinitas possibilidades

E o que eu disse agora sobre Dead Island 2 é apenas uma das várias situações que você encontra. Isso sem falar nos personagens, que além de serem carismáticos apresentam missões paralelas uma mais maluca do que a outra. Do limpador de piscina galanteador até a streamer que deseja gravar um vídeo seu matando tudo que é zumbis de formas distintas, todos cativam pela loucura que vemos no nosso dia-a-dia, mas em um desastre sem proporções.

A parte boa é que você nem precisa encarar tudo isso sozinho. Também tem o modo multiplayer online, onde poderá explorar ainda mais e ter a ajuda dos amigos para completar as várias tarefas que ficam espalhadas pelo mapa. Existe uma área que não era obrigatória, mas ficou compelido a entrar e viu que sozinho não daria certo? Não tem problema, reúna uma galera e pule com eles direto na ação.

Eu falo com propriedade, sozinho você consegue encarar 99% das situações e este 1% de diferença pode ter sido apenas incapacidade minha. Foram poucos os momentos que eu assumi que não dava para passar e, na maior parte deles, eu só tive a opção de seguir em frente para continuar tentando e vencer no final das contas.

Neste esgoto ocorrem muitas atrocidades…

É muito difícil para alguém como eu passar de um Resident Evil 4 Remake para Dead Island 2, principalmente pelo teor que ambos carregam. No entanto, foi muito empolgante não ter nenhuma amarra para sair devastando o que fosse necessário e cumprisse minhas missões até o grand finale. Em algumas partes, por exemplo, será bem complicado reunir recursos como armas, balas, cura e diversos componentes que precisa. E é delas que você vai se lembrar com honra ao fim da aventura.

Além disso, as armas possuem um monte de variantes. Existem status que podem ser encontrados no ambiente – molhado, com óleo, envenenado etc. Locais com as mais diferentes arquiteturas e segredos. Ruas e avenidas gigantescas, cheias de mortos-vivos esperando para devorar sua carne. Ou te esmagar, cortar em pedaços e várias outras façanhas que você descobrirá enquanto explora Los Angeles. Isso sem falar no sistema de cartas, quais ampliam ainda mais a sua personalização e cria novas oportunidades enquanto sobe de níveis.

E tudo o que você pode fazer no meio disso é ser criativo. A vitória exige que você tenha sempre em mãos uma forma única de sobreviver às hordas e espécimes diferentes de zumbis que seguem por todo o mapa. Até para sair correndo você precisa estar um passo à frente. E tudo isso só representa uma parcela do que eu mais gostei de minha experiência com essa sequência daquele jogo que veio lá em 2011.

Seja criativo e faça de tudo para derrubar os zumbis

E a história?

Em questão de roteiro, não temos nada digno de premiações, mas Dead Island 2 não desaponta até o seu fim. Conhecemos um dos oito personagens selecionáveis, quais têm consigo a imunidade contra o grande vírus que transformou todos em zumbis – isso não faz da pessoa um imortal, porém garante que ele não morra com facilidade como os demais. Conforme vai descobrindo novos rostos por Los Angeles, também vai desvendando a razão de ser “único” e também o que isso significa dentro do contexto geral apresentado pelo game.

Os personagens são, no mínimo, de curiosos a cativantes, então você muitas vezes dará risada ou se encontrará surpreso com a abordagem de alguns deles. Apesar de não ser nada de nível excepcional, cumpre com a sua tarefa de te levar do ponto A ao ponto B sem questionar muito as razões daquilo. E os poucos mistérios que seguem ao seu redor serão respondidos conforme você avança pelos capítulos.

Este é o ponto mais fraco de toda a experiência? Sim, tenho de concordar. No entanto, com uma horda de centenas de zumbis correndo de todos os lados para te pegar, quem vai se importar muito com isso? Vamos ser honestos por aqui, você está buscando é matança e corpos mutilados e não um Pulitzer. Ser competente e não te encher de firulas é o mínimo que poderiam fazer e até nisso as coisas funcionam como deviam.

A tarefa da história é te fazer engolir algumas imagens assim

A imperfeição do apocalipse

Por jogar uma versão prévia ao lançamento, Dead Island 2 sofreu sim com alguns bugs e falhas durante o trajeto. Eu acredito que muitos deles serão corrigidos pelo patch de day one, mas citarei os que mais me incomodaram aqui: zumbis atravessando paredes e objetos se debatendo, posições de câmera que mudam subitamente e até mesmo alguns puzzles que simplesmente não funcionam como deveriam. E olha que eu estou relevando o fato da sua imagem nunca aparecer em espelho algum…

Isso não me atrapalhou na missão central do título, porém se eu quisesse fazer todas as secundárias – incluindo as buscas do “achados e perdidos”, isso me daria dor de cabeça. Ainda assim, gostei muito de tudo o que vi e confiarei que o estúdio corrigirá os problemas para que eu possa retornar e fazer tudo o que for possível dentro do que deixei aberto e aquilo que vem no pós-término também.

Falando nessas side-quests, algumas podem até carregar consigo um teor repetitivo. Vá até lugar X e procure item assim ou assado. Chegue em determinada área e encontre uma pessoa que precisa de ajuda com, adivinha o quê? Matar zumbis. Invada uma sala e busque uma arma específica. Isso cansa em determinado ponto no meio da exploração. No entanto, não há tantas delas ou seja algo que se torne abusivo como o visto em títulos da Ubisoft ou as demais, então dos males acaba sendo o menor mesmo.

Eu mal me reconheço no espelho…

Vou abrir o jogo para vocês, o que encontrarão nesta experiência dificilmente terão outra igual em 2023. Por mais que eu esteja ansioso para outros games de renome, como The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, Star Wars Jedi: Survivor e até mesmo Final Fantasy XVI, esse aqui me pegou de assalto justamente por não estar esperando absolutamente nada e ele ter entregado tudo.

Se você veio do primeiro Dead Island, de Dying Light ou até mesmo de jogos como Dead Rising 3 ou 4…é em Dead Island 2 que você encontrará uma nova forma de se divertir aniquilando os mortos-vivos. Não terá erro, basta abrir a mente para a sua própria criatividade e encontrará o seu caminho pelas ruas ensanguentadas de Los Angeles.

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