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Company of Heroes é uma franquia muito querida entre os fãs de jogos de estratégia. O estilo de combate em tempo real, ambientado sempre na Segunda Guerra Mundial e que possibilita o controle de inúmeros veículos e tropas terrestres já pode ser considerado um clássico. Para 2023, com inúmeros outros concorrentes no mercado, Company of Heroes 3 busca encontrar seu espaço, apostando na mesma fórmula, mas com melhorias técnicas e inovações que prometem elevar o jogo a um outro patamar.

Com o segundo jogo da franquia ainda contando com jogadores ativos, o terceiro título tem uma missão difícil. Para ajudar na tarefa de substituir um dos queridinhos da comunidade de RTS, os desenvolvedores apostam em um cenário totalmente destrutivo, gráficos melhorados, uma nova ambientação, novas facções e, como carro chefe, um modo campanha sandbox, algo único em toda a história da franquia.

Algo de novo no front

Company of Heroes 3 recebeu influências de várias fontes. Como de praxe, o combate RTS lembra bastante jogos como Age of Empires e Starcraft, onde o jogador deve comandar diversas tropas dentro da batalha. A jogabilidade não foi alterada, mantendo a dificuldade e a intensidade que são marcas registradas do jogo. A adição de cenários mais destrutivos melhora a dinâmica, possibilitando que o jogador tenha mais opções estratégicas durante a partida.

Company of Heroes 3
A cobra vai fumar!

Veículos pesados, granadas e bombardeios podem ser utilizados para derrubar prédios, muros e outros tipos de coberturas. Nada disso é novo na franquia, mas, como dito anteriormente, as possibilidades de destruição são quase infinitas. Caso você opte por uma abordagem menos destrutiva, Company of Heroes 3 oferece opções para fazer com que os inimigos saiam de posições vantajosas. Ao perceber que há um grupo de soldados alocado em um prédio, por exemplo, seus soldados podem invadi-lo, forçando-os a sair do local e, assim, ficando expostos aos seus ataques.

Outra grande mudança na jogabilidade é a introdução do modo tático. Aqui, de modo semelhante a jogos como Broken Lines, você pode pausar a ação para planejar os seus próximos movimentos. Essa é uma boa alternativa para quem não está acostumado com o caos constante das batalhas, mas que é apenas uma opção no modo singleplayer. Como a ação ocorre a todo instante, utilizei bastante essa mecânica para dar uma respirada e pensar melhor nos meus movimentos. É uma baita ajuda, mas leva um certo tempo até você se acostumar com a ordem dos comandos. 

Company of Heroes 3
Tá difícil pensar em uma solução? Você pode pausar e levar o tempo que quiser

Os veículos, tropas e equipamentos funcionam de maneira idêntica aos jogos antigos da franquia. Acertar a parte traseira de um tanque, por exemplo, além de dar mais dano pode danificar o motor ou deixar os tripulantes em choque, reduzindo drasticamente a sua efetividade. Agora, acertos nas laterais também dão dano extra, algo que já era um dos desejos antigos da comunidade. Uma novidade nos veículos é a introdução do Halftrack M3, capaz de restaurar veículos destruídos no campo de batalha. Com ele, você não precisa somente reparar os seus tanques, mas pode também obter controle de tanques inimigos destruídos. É uma opção que, além de divertida, agrega na parte tática.

A dinâmica da guerra

Por mais que o modo multiplayer seja o que mantém a comunidade de Company of Heroes 2 ativa, o modo campanha sempre foi um ponto forte na franquia. Para esse review, focarei no modo singleplayer, visto que as mudanças de jogabilidade tratadas anteriormente, com exceção do modo tático, valem para as duas modalidades – e também porque eu sou uma negação no multiplayer, mas vamos relevar isso. 

Company of Heroes 3 conta com duas campanhas. A primeira aborda a história do norte da África durante a Segunda Guerra Mundial, contando a visão do conflito entre os aliados e o eixo na visão dos habitantes da Líbia. A narrativa é abordada de acordo com as memórias de um habitante de Benghazi, onde ele explica todo o drama dos civis cujas vidas foram impactadas diretamente pelas ações dos exércitos beligerantes. Essa é a experiência padrão das campanhas contidas nos títulos anteriores da franquia, onde o jogador é colocado em um mapa referente ao relato do sobrevivente e deve cumprir diversos objetivos para avançar na história.

Company of Heroes 3
O modo dinâmico oferece uma experiência mais complexa na parte estratégica

A segunda campanha é a grande novidade do jogo. O modo dinâmico retrata a invasão dos aliados na Itália, colocando você não somente no comando das tropas engajadas em batalhas, mas também para controlar toda a logística de guerra. Você deverá controlar os movimentos das tropas, liberando portos, cidades e partisans. As mecânicas lembram franquias como Total War e Civilization, focando no movimento de tropas em um mapa e, depois, no controle manual em batalhas.

A ideia dos desenvolvedores é fazer com que Company of Heroes 3 não seja somente um jogo baseado no microgerenciamento de tropas, mas que também tenha um aspecto de macrogerenciamento. Para uma primeira tentativa, a abordagem simples faz sentido. Você comanda o movimento de um punhado de tropas marítimas, terrestres e aéreas e, com elas, pode realizar diversas funções. A marinha e a aeronáutica oferecem suporte para o exército, onde esse último está encarregado de dominar as cidades, os portos e os aeroportos, além de destruir outras áreas de interesse estratégico.

Há, dentro da campanha, um sistema de experiência e reputação. As tropas ganham experiência em combate, e você pode decidir como melhorá-las através de uma árvore de habilidades. Os embates são bem simples. Aqui, novamente, o Company of Heroes 3 utiliza elementos similares aos contidos na franquia Total War. Ao encontrar uma tropa rival, você pode ir para a batalha manual ou partir para resolução automática. Caso opte pela solução automatizada, o sucesso da investida será determinado pela comparação do equilíbrio da força entre as duas unidades combatentes. Contudo, caso queira invadir um ponto estratégico que tenha uma tropa alocada, a única opção é o combate manual.

Company of Heroes 3
As decisões estratégicas podem garantir bônus com alguns personagens

Dentro dos combates, o jogo volta a ser o Company of Heroes que os fãs conhecem. Dependendo da unidade que entrou em conflito, diversas tropas podem ser construídas dentro do cenário da batalha. Unidades especiais contarão com tropas especiais dentro do campo de batalha, além de comandos especiais a serem utilizados de acordo com algumas condições. Em Company of Heroes 3, os recursos, além de serem utilizados na batalha como moeda de troca para melhorias e a criação de novas tropas, também estão presentes no modo dinâmico. Eles são um sistema de mana, possibilitando a compra de novas unidades e ações especiais. 

Conclusão e veredito 

A decisão de implementar um modo estratégico nos moldes de Total War é ousada, mas faz todo o sentido. Company of Heroes 3 sai da zona de conforto, se aventurando em mares desconhecidos e, ainda bem, colhendo bons frutos. O modo dinâmico só tem a agregar na franquia, e espero que continue fazendo parte dos próximos jogos, trazendo mais inovações que sejam únicas da série. Para essa primeira tentativa, a simplicidade é um aperitivo de coisas boas que podem chegar.

Apesar do marketing em cima do modo dinâmico, as inovações técnicas não podem ser deixadas de lado. Company of Heroes 3 faz o que a franquia tem de melhor: oferece um combate caótico, dinâmico e engajante. Lembro que em meados de 2014, quando joguei Company of Heroes pela primeira vez, fiquei encantado com a responsividade do jogo, fator esse que continua presente por aqui. Durante a campanha, encontrei alguns problemas de pathfinding e alguns bugs relativos à nova mecânica de breaching, mas nada que não possa ser ajeitado com atualizações ou que destrua a experiência – a menos que você jogue multiplayer, aí qualquer pequeno bug de movimentação pode custar a partida. Destaco, também, que o jogo estava com quedas de FPS, mas uma atualização de 8 GB resolveu esse problema em meu hardware.

Company of Heroes 3
A destruição faz parte da estratégia

Os jogos RTS podem ser complicados por exigirem muita coordenação e movimentos precisos, mas a decisão de incluir um modo de pausa tático remove essa barreira. Pausar a ação permite que jogadores novos analisem melhor o que ocorre ao seu redor, dando tempo para planejar os movimentos e, assim, evoluir no jogo. Obviamente, não dá para depender do pause tático no modo multiplayer, mas, caso você queira se aventurar competindo contra outros jogadores, essa é uma ferramenta excelente para o aprendizado das mecânicas básicas.

Company of Heroes 3 tem tudo para conquistar novos fãs de estratégia. O modo dinâmico oferece um fator replay maior na experiência singleplayer – algo que, sem dúvidas, é muito bem vindo. Jogadores antigos talvez fiquem decepcionados com a simplificação de algumas mecânicas, bem como a mudança no estilo gráfico do jogo. Entretanto, os avanços contribuem para uma profundidade tática maior. Não há como errar com esses dois elementos. Com competidores do naipe da Paradox Interactive e a Firaxis, Company of Heroes 3 é, além de um grande acerto da Relic Entertainment, um produto que veio para levar a competição a um novo nível.

85%


Prós:

🔺Novas tropas tornam a jogabilidade divertida
🔺Cenários totalmente destrutíveis
🔺Ação a todo instante
🔺Pause tático é uma excelente adição
🔺Modo dinâmico traz mais profundidade ao jogo…

Contras:

🔻…mas é muito simples quando comparado a outras franquias
🔻Problemas de otimização
🔻Alguns bugs de pathfinding

Ficha Técnica:

Lançamento: 23/02/23
Desenvolvedora: Relic Entertainment
Distribuidora: Sega
Plataformas: PC

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