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“Até que a morte nos separe”, é o que dizem os noivos durante os votos em uma cerimônia de casamento. Mas nem mesmo a morte separou Red e Antea, protagonistas de Banishers: Ghosts of New Eden, novo RPG de ação com foco em uma experiência narrativa da Don’t Nod, que já é conhecida por jogos assim.

Se pensa que essas primeiras linhas são um spoiler, não se preocupe, já que os próprios desenvolvedores revelam essa parte da trama nas páginas do jogo, além de toda a história que se desenvolve em torno disso, a morte de um dos protagonistas. Permita-me contextualiza-los.

História profunda e marcante

No fim do século XVII, o casal de banidores apaixonados, Red a Antea, partem do velho mundo (Europa, mais especificamente de Londres) para uma região do que ainda era o embrião dos EUA, chamada de New Eden. Sua missão lá era aparentemente simples: banir fantasmas. Afinal de contas, eles são banidores.

Em uma das missões contra um fantasma poderoso, Antea é abatida, Red fica vivo, mas derrotado, sendo jogado no oceano e acordando depois em uma caverna longe dali. Ele não tem nem tempo de chorar a sua perda, quando percebe o fantasma de Antea nos arredores e começa com sua interação com ela.

Nessa conversa, ambos chegam em um dilema: ascender Antea, conceder sua paz, ou revive-la. A primeira é algo natural para um banidor, já a segunda, é um ritual proibido e envolve sacrifícios humanos. Independente de sua, você moldará seu caminho pelas inúmeras escolhas durante o jogo.

Banishers: Ghosts of New Eden

Escolhas, escolhas e escolhas

Banishers: Ghosts of New Eden é repleto de escolhas morais, sejam algumas banais para que uma conversa normal prossiga, até decidir a vida de um ser humano envolvido, de alguma forma, com fantasmas. É sempre possível banir ou ascender um fantasma, ou achar que o ser humano é culpado pela manifestação sobrenatural e matá-la, ficando com a sua essência de vida, que vai para Antea e seu ritual de ressuscitação.

Tudo que falei até agora, se aplica em todo o jogo. Seja nas missões principais, ou nas secundárias. As suas escolhas deixarão, ou não, pessoas vivas e podem levar ao retorno da amada de Red em carne e osso (ou não também).

Como a Don’t Nod sabe fazer, você se sempre se deparará com escolhas que, aparentemente, levam às consequências dela. Sim, aparentemente, já que para ter certeza, seria necessário terminar o jogo mais de uma vez, algo que não foi possível nesse tempo hábil para a review, já que o game é bem grande, exigindo mais de 30 horas (brincando) sem focar tanto nas missões secundárias.

Banishers: Ghosts of New Eden

Existem diversos NPCs espalhados pelo mundo de Banishers: Ghosts of New Eden, uns mais relevantes que outros, mas quase todos oferecem diversas opções de diálogos, que lhe renderão mais informação sobre sua investigação da vez e sobre as coisas ao seu redor, já que você é um novato ali.

Banishers é um bom RPG de ação

O título não é só mais um jogo narrativo da Don’t Nod, já que ele é um RPG de ação também, e melhor que Vampyr, jogo lançado em 2018 pelo estúdio, com uma temática mais interessante para mim, pelo menos. Dito isso, temos combate cadenciado com diferentes habilidades, níveis de personagem, diferentes equipamentos com atributos e por aí vai.

Red é o personagem principal, já que é com ele que acontece quase tudo e é ele quem evolui e tem a maioria dos equipamentos. Ele conta com sua roupa principal, uma espada com uma tocha de banimento de fantasmas, além de acessórios divididos entre ele e Antea.

Banishers: Ghosts of New Eden

São vários desses equipamentos espalhados pelo mundo do jogo e eles podem ser melhorados com a matéria prima necessária que pode ser coletada em sua exploração. Além disso, ao matar inimigos e completar missões, você ganha experiência e, a cada nível, ganha um ponto para ser distribuído nas habilidades dele.

Como é possível jogar com Antea também, ela conta com sua própria árvore de habilidades, mas para evoluí-la, é necessário resolver casos de aparições de fantasmas, que são as missões secundárias. Evoluir ambos é bem importante, já que você conseguirá ter mais habilidade e deixar os combates mais dinâmicos.

Combate soulslike? Hmm…

Além disso, nos combates, é preciso alternar entre os dois protagonistas, já que um é mais efetivo contra um inimigo e vice-versa. E por falar nesse elemento do jogo, para minha surpresa, ele funciona bem e me lembrou meu gênero favorito: soulslike.

Banishers: Ghosts of New Eden

Tá, espera. Não estou dizendo que o combate de Banishers: Ghosts of New Eden é soulslike de fato, mas segue um caminho parecido. Não é um hack ‘n’ slash, existe o momento certo para atacar, esquivar, defender e dar parry, ou ainda executar as habilidades. Com essas características, vai me dizer que não parece um soulslike?

De qualquer forma, os combates funcionam bem. Red consegue atacar com sua espada e seu rifle. Já Antea vai na mão mesmo, usando os próprios punhos, e ela conta com mais habilidades por conta de seus poderes de fantasma.

Essa troca de personagem pode ser feita a qualquer momento, inclusive durante a exploração. Em alguns momentos específicos, só é possível avançar com ela, mas na maior parte, Red consegue resolver.

Deixo aqui só uma ressalva sobre os combates: a câmera e a mira atrapalham em alguns momentos. Dependendo de como você vira a câmera com a mira travada em um inimigo, você perde o foco nele. Isso atrapalha na hora de vários inimigos juntos.

Banishers: Ghosts of New Eden

Locais para ativar o modo foto

Banishers: Ghosts of New Eden oferece diferentes locais para serem explorados, na verdade o mapa geral é bem grande, mas os cenários são de certa forma repetidos, mas dá para entender. Existe muita natureza e poucas vilas/colônias, já que era assim naquela época.

Então você verá muitas montanhas, bosques, rochas enormes para todo canto, diversas cavernas, pântanos e por aí vai. As maiores diferenças acontecem com a alteração do clima, como chuva, neve e neblina, além de horários diferentes do dia. Mas não se iluda, nada disso é dinâmico.

Nesse sentido, as maiores diferenças acontecem quando o jogo o leva para praia, em um cenário bem bonito, e quando tudo fica nevado. De resto, é como disse acima. Como o jogo é longo, pode acabar enjoando muito ou pouco, aí depende de você. No meu caso, incomodou um pouco.

Banishers: Ghosts of New Eden

Existe muito segredo espalhado pelo mundo de Banishers: Ghosts of New Eden, muito mesmo. As áreas são grandes e você se pegará desviando do caminho principal para ver o que tem naquele canto. Sempre explore, já que sempre existe recompensas, algumas mais difíceis do que outras para serem alcançadas, especialmente aquelas que são guardadas.

O jogo é bonito o tempo todo. Feito em Unreal Engine 5, não é nada de última geração como os jogos AAA fazem, mas entrega um resultado bem decente, até mesmo nas expressões faciais dos personagens. Todo o resultado me lembra A Plague Tale: Requiem.

Nem tudo são mar de rosas

Mas, vamos para o “porém” importante: o game precisa de otimização. Existem quedas constantes de frames, mais em alguns locais, menos em outros. Em minha experiência, para não perder tanta a qualidade gráfica, deixei as sombras em qualidade mais baixa, já que isso pesa bastante.

Banishers: Ghosts of New Eden

Além disso, aconteceram diversos crashes enquanto eu jogava. Nem preciso dizer que isso chateia bastante. Mas os desenvolvedores soltaram uma atualização grande, e isso diminuiu bastante. Mesmo assim, foi o suficiente para eu fechar o jogo e voltar depois por causa da frustração.

Outro aspecto que me irritou, foi o desequilíbrio do áudio. Por inúmeras vezes tive que regular os sons de voz, efeitos e músicas para tentar deixar a coisa equilibrada. Quando os fantasmas falam, suas vozes são acompanhas de um eco, que é muito alto, algo fora do normal. Além disso, dependendo do ambiente no jogo, as vozes não e comportam bem, como dentro de casas, por exemplo.

Outro fato que me incomodou em Banishers, é que o jogo é linear, até aí tudo bem, já que existem bastante áreas amplas, mas a movimentação é bem limitada. Um exemplo é a impossibilidade de descer de uma altura de, sei lá, 30cm, já que existe um ponto específico para você subir e descer. Além disso, os protagonistas são impedidos de progredirem por qualquer variaçãozinha no terreno.

Banishers: Ghosts of New Eden

Banishers: Ghosts of New Eden é uma experiência diferente, e grande parte disso é por conta do elemento narrativo. A história é interessante, tensa, e pode até o incomodar por conta das escolhas morais que você precisa fazer, principalmente dependendo de seu objetivo principal com Antea.

Os personagens evoluem com o tempo, eles estão quase o tempo todo conversando, mas isso não é chato como em Forspoken. Você vê que eles sofrem com algumas escolhas, comentam alguns casos, adicionam mais informações quando você volta em lugar onde uma coisa importante aconteceu, é interessante ver.

Além do jogo ser longo, existe o fator replay tomando outras decisões e fazendo os outros finais que, pasmem, são 5, segundo o estúdio. Definitivamente, Banishers: Ghosts of New Eden é um jogo que deixará sua marca em 2024.

88%


Prós:

🔺 História que prende o jogador
🔺 Belos gráficos: use o modo foto
🔺 Exploração convidativa
🔺 Combate decente
🔺 Fator replay com as escolhas

Contras:

🔻 Precisa de otimização, pelo menos no PC
🔻 Ajustes no som são bem necessários
🔻 Comportamento da câmera durante o combate não ajuda às vezes
🔻 Limitação na movimentação incomoda

Ficha Técnica:

Lançamento: 13/02/2024
Desenvolvedora: Don’t Nod
Distribuidora: Focus Entertainment
Plataformas: PC/PS5/Xbox Series X|S
Testado no: PC

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